Resenhas

Hypnagogia

Evoken

6.0

Hypnagogia é o sexto álbum do Evoken, quinteto de New Jersey na atividade desde o já longínquo ano de 1994. Lançado em 9 de novembro de 2018 e em meados de 2020 ganhou uma versão tupiniquim, lançada pela Death Cult Records e que chegou até nossas mãos para que possamos escrever uma resenha. O play encerra um jejum de seis anos sem lançamentos, desde que Atra Mors fora lançado.

Gravado, mixado e masterizado no Sound Spa Studios, New Jersey e com produção assinada pela própria banda, com Steve DeAcutis atuando na co-produção, gravação, mixagem e masterização, a bolacha impressiona pela apresentação: a capa é em digipak, que honestamente eu detesto, mas não há como não se encantar com os cuidados tomados em relação a superfície aveludada da capa, ao encarte com papel de excelente qualidade e também ao pôster que acompanha o disco.

A arte é bem caprichada, nos resta saber se a qualidade do som, juntamente com outros atributos que são avaliados como produção, complexidade e criatividade das canções acompanham a ótima impressão visual deixada a este redator que vos escreve. Então vamos lá, porque são oito músicas em impressionantes sessenta minutos, também conhecidos como uma hora, de música.

Se trata de um disco com músicas muito longas, as exceções são aplicadas nas duas faixas instrumentais, já na segunda metade do disco. Uma tem quase quatro minutos e outra tem dois. As músicas com vocais têm duração entre sete e dez minutos.

“The Fear After” abre o play e dos seus mais de nove minutos de duração, quase três são tomados pela intro, que tem riffs pesados e interessantes. Quando o vocalista John Paradiso inicia sua participação, a música vai sofrendo inserções harmônicas, mas a estrutura é aquele tipico Doom Metal, arrastado toda vida. E com uma música tão extensa, tem tempo para algumas viradas interessantes do baterista Vince Verkay.

“Valorous Consternation” é um pouco menos comprida, tem oito minutos. O clima segue arrastado, com uma atmosfera fúnebre, mas aqui destaco novamente Vince Verkay, que novamente inclui viradas fantásticas no seu kit de bateria… E para surpresa deste redator, a coisa descamba para o Death Metal, ainda que por um breve período. A música tem um pouco de tudo. Com todo esse tempo, os caras precisam variar mesmo.

“Schadenfreude” é mais uma do grupo das faixas extensas e a aposta aqui é no clima sombrio que o tecladista Don Zaros coloca em boa parte desta. O ritmo é tão arrastado que às vezes a impressão que se tem é a de que estamos escutando uma fita cassete em um walkman com pilha fraca. O solo é bom, mas no geral a faixa não empolga.

“Too Feign Ebullience” é a primeira das duas que ultrapassam os dez minutos de duração e no seu começo o clima é bem apático, mas por volta dos quatro minutos, as guitarras ganham peso, Vince Verkay coloca umas viradas boas. A coisa segue em marcha lenta, mas ao menos com peso. E um peso absurdo, diga-se de passagem. Ainda tem espaço para adicionar belas harmonias de cello, que combinaram com o clima da música.

A faixa título é instrumental e tem um clima pesado e sombrio durante seus quase quatro minutos, que surpreende o ouvinte que espera pot faixas longas. Então esta meio que funciona como uma intro da faixa que vem a seguir, “Ceremony of Bleeding”, que carrega o mesmo clima da anterior, porém com inclusão de cântico estilo gregoriano, e as viradas improváveis de Vince Verkay, que colocam um pouco de emoção no meio de tanta lentidão.

“Hypnopompic” é outra instrumental e é bem breve, mantendo o clima sombrio e um certo peso ao álbum. Chega então a faixa final, “The Weald of Perished Man” com sua intro despretensiosa e uma primeira estrofe igualmente, ganha um pouco de peso, porém, nada muda, tudo segue lento como uma procissão. Quando tudo está em um nível melancólico de dar dó, Vince Verkay coloca suas viradas para dar um pouco de emoção na coisa.

Assim se dá uma experiência maçante, melancólica e por vezes repetitiva. Realmente o Doom Metal está longe de ser um dos meus estilos prediletos e a audição tornou-se em certo momento algo bem monótono. Claro, a banda tem talento, a produção é impecável e isso, claro, é levado em conta na avaliação, muito mais do que o meu gosto pessoal. O disco tem alguns bons momentos em meio a tanto clima desolador, o que me impressionou foi a performance do baterista Vince Verkay, por diversas vezes citado neste texto por suas viradas precisas. O Doom Metal tem uma legião de fãs, que apreciam esse estilo de música. “Hypnagogia” é indicado para esse nicho. Os fãs de outras vertentes do Heavy Metal não vão apreciar. Neste redator, o visual impressionou mais do que o som.

Faixas:

01 – The Fear After
02 – Valorous Consternation
03 – Schadenfreude
04 – Too Feign Ebullience
05 – Hypnagogia
06 – Ceremony of Bleeding
07 – Hypnopompic
08 – The Weald of Perished Man

Formação:

Vince Verkay – bateria
John Paradiso – vocal/guitarra
Jon Zaros – teclado
David Wagner – baixo
Chris Molinari – guitarra

Participação especial:

Brian Sanders – cello
Shalini Williams – vocal feminino (faixa 6)

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