Resenhas

Impact is Imminent

Anvil

8.5

O Canadá é um celeiro de bandas maravilhosas. Rush, Annihilator, Voivod, Beyond Creation ou mesmo o Kataklysm. Mas não podemos nos esquecer do Anvil, os veteranos que nos brindam com o 18° álbum da carreira. Impact is Imminent entrega o que esperamos deste trio canadense: Muita qualidade.

Para o sucessor de “Legal at Last” (2020), a banda retornou ao “Soundlodge Studio“, na Alemanha, tendo novamente Martin Pfeifer na produção, com quem a banda já trabalha desde o álbum “Anvil is Anvil” (2016). Também trabalhou na mixagem e masterização, Jörg Uken, que também trabalhou no disco antecessor. Lançado em 20 de maio pela AFM Records, este selo alemão que vem prestando um grande serviço ao Heavy Metal. Vamos passear pelas quatorze faixas presentes aqui.

Take a Lesson” é uma faixa perfeita para abertura de um álbum. Ela é épica, pesada na medida certa e com um refrão grudento. Passeia pelas veredas do Hard e do Heavy com uma maestria sensacional. “Ghost Shadow” traz um bocado do Power Metal, com ótimos riffs de guitarra, enquanto que “Another Gun Fight” é a mais pesada deste início, tendo guitarras com um timbre incrível e um ótimo solo. Devemos destacar também o bumbo duplo de Robb Reiner, que dá um espetáculo em sua performance.

Fire Rain” é bem Hard, ao mesmo tempo que lembra muito o Judas Priest. Uma música bem divertida. “Teabag” é uma instrumental onde todos os músicos esbanjam competência e a faixa une as melhores influências do Rock e do Jazz. Certamente o ponto alto do play. E vai ter reprise no final.

Don’t Look Back” tem na sua introdução riffs que lembram muito a música “I Want to Hold Your Hand“, dos Beatles, só que trezentas vezes mais pesada. As semelhanças com a maior banda de Rock da história terminam aí, pois a música se desenvolve com uma pegada mais Hard Rock oitentista e um aumento no andamento vez por outra. Em “Someone to Hate“, o retorno ao Power Metal com muita energia em uma bela música.

Bad Side of Town” abre a parte final do play e a banda segue investindo no Power Metal, em mais uma música que ajuda a manter o bom nível. “Wizard’s Wand” tem riffs pesados e repetitivos, que flertam de maneira intensa com o Hard ‘n’ Heavy, mais uma excelente canção. “Lockdown“, uma das palavras mais utilizadas durante essa pandemia, é o título da faixa de número dez. A letra trata exatamente deste vírus que ceifou tantas vidas e mostra que a banda, ao contrário de muitos artistas e fãs de música pesada por aí, acredita na ciência. E muitas vidas foram salvas pelas vacinas que foram criadas em tempo recorde. Engajamento que nos dá orgulho. A música em si tem um clima mais melancólico, e não é para menos, trata de uma pandemia que arrasou o planeta como nunca visto talvez desde o Holocausto.

Explosiva Energy” coloca a banda novamente entre o Hard Rock e o Heavy Metal, com muita competência dos músicos e um belo solo de guitarra. Em “The Rabbit Hole“, a sensação que temos é de que o espírito de Lemmy Kilmster invadiu o estúdio de gravação e a banda encarnou o clima do Motörhead. Muitas vezes, a simplicidade resolve e aqui temos um outro destaque do play.

Shockwave” é a última faixa, digamos, inédita, pois “Gomez“, a faixa derradeira é a repetição da faixa “Teabag“, só que com a inclusão de naipes de metal que deixaram a música ainda melhor. Quanto a penúltima faixa do play, ela é densa e pesada, contando com um refrão bem forte. E a instrumental que fecha o álbum é a cereja do bolo.

Em 49 minutos temos um álbum muito bem tocado, bem produzido e que mantém o Anvil entre os grandes nomes da cena canadense. Uma ótima opção para quem curte uma bela mistura entre Hard Rock e Power Metal. Uma nova menção pelo recado dado aos negacionistas: vacina salvam vidas, sim. E se você é um negacionista, além de curtir o estilo errado, você só está vivo falando besteiras sobre a evolução da ciência porque seus pais lhe vacinaram. Parabéns ao Anvil, pelo som e pela consciência.

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