Resenhas

Impera

Ghost

10

De tempos em tempos surgem dentro do heavy metal/hard rock bandas que despertam discussões acaloradas no melhor estilo “torcida de futebol” onde uns amam e outros odeiam na mesma proporção. E esse é o caso do Ghost que acaba de lançar seu 5º álbum de estúdio “Impera” pela gravadora Loma Vista e lançamento nacional pela Universal Music.

A música de abertura, “Kaisarion” é rock de arena – talvez o termo correto seja “rock para arenas” – até a medula. Um riff de guitarra precede um grito pra lá de “anos 80” e um refrão grudento para ser cantado pela platéia….será existe algo mais adequado para se abrir um show?

A seqüência com “Spillways” conta com um piano na abertura que me fez recordar “Runaway” do Bon Jovi. As referências AOR/hard rock continuam presentes, mas colocadas de uma forma que até quem não é fã destes estilos admira essa musica.

“Hunter’s Moon” – que já havia sido apresentada na trilha sonora de “Halloween Kills” – poderia estar em “Prequelle” (2018) e parece funcionar como uma ponte entre aquele álbum e este.

“Call Me Little Sunshine” e “Darkness At The Heart Of My Love” são baladas nos moldes “rádios rock”, pesadas pero no mucho, e a ultima conta com um belíssimo coral emoldurando toda sua parte final.

“Watcher In The Sky” possui um riff bem marcante e é o momento mais pesado do álbum. Vale registrar também o vocal bem interessante de Tobias Forge que, apesar de não agradar a todos, é bem de acordo com a proposta musical da banda.

E, quando me dou conta, cheguei a “Respite On The Spitalfields”, ultima musica com um final bem progressivo e que deixa aquela vontade de voltar e ouvir o álbum inteiro novamente.

Se o seu debut “Opus Eponymous” (2010) nos apresentou um banda com grande influencia de Mercyful Fate/King Diamond, com o passar dos anos foram incorporados elementos de várias outras vertentes do rock no som e todo aquele obscurantismo inicial foi paulatinamente substituído por algo com mais brilho. Não que isso tenha acontecido de forma espontânea – nesses 12 anos a banda gravou covers de Depeche Mode, Eurythmics, Pet Shop Boys e Abba – mas se tratou de uma evolução planejada pelo seu mentor, Tobias Forge.

Essa evolução no som da banda iniciou-se de forma mais acentuada em “Meliora” (2015) e, se o álbum anterior “Prequelle” (2018) tinha “um pé” no AOR/hard rock em musicas como “Dance Macabre”, aqui essa influencia está bem mais escancarada – Tobias Forge com certeza estudou muito a obra de bandas como Journey e Def Leppard durante a pandemia para nos entregar um álbum que beira a perfeição.

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