Resenhas

In Nomine Éireann

Tuatha de Danann

8.0

Hoje lhes trago o novo lançamento do Tuatha de Danann. Batizado de In Nomine Éireann e lançado no final de 2020, é o sucessor do álbum de 2015, Dawn of a New Sun. O que mais me chama a atenção é que o trio Bruno Maia, Giovani Gomes e Edgar Britto fizeram basicamente tudo neste álbum no quesito instrumentos sozinhos. Não são poucos. Bruno Maia se encarregou de um monte como Guitarras, todos os instrumentos de sopro, Mandolin, Bodhrán e vocais principais, enquanto Giovani Gomes se encarregou do baixo, vocais guturais e percussão. Edgar Britto se encarregou dos teclados.

É impressionante como a banda se aproxima cada vez mais de bandas como Skyclad e até possui pitadas de bandas mais punks como o Flogging Molly – principalmente na faixa Guns and Pikes, onde Bruno fez questão de tocar a flauta e o mandolin bem no estilo irlandês. Claro que Moytura só complementa esta teoria, pois o nome da música é retirado das lendas irlandesas. Mais folclórico do que nunca, Tuatha de Danann se concentrou naquilo que sabe fazer de melhor – melodias. The Calling, por exemplo, temos um verdadeiro chamado de melodias com a vocalista Manu Saggioro e Bruno Maia – melodias simples e gostosas de absorver.

O ponto alto para mim deste In Nomine Éireann fica para a faixa The Wind That Shakes The Barley que possui a contribuição nos vocais pela Daísa Munhoz do Soulspell/Vandroya. A progressão musical também não é simples. Ela explora com precisão a grande interpretação que Daísa faz para a música para encaixar pontes e progressões nos solos de guitarra. Acho muito legal que a banda se importou em explorar mais os solos de guitarra, quando comparado ao seu trabalho anterior Dawn of a New Sun.

Mas o foco da banda neste álbum é fazer um verdadeiro tributo á cultura irlandesa dando muito ênfase a parte folclórica. Fica claro que a parte instrumental é muito explorada, mas em falta um pouco daquilo que ajudou o Tuatha de Danann a entrar no Mundo do folk metal como elementos das faixas Battle Song, Vercingetorix ou até a clássica Tan Pinga Ra Tan do álbum Tingaralatingadun de 2001.

Gosto, no entanto dos elementos do stoner rock e do krautrock na última faixa – a incrível King – um pequeno prelúdio do que podemos esperar no grandioso Tuatha de Danann no futuro. Grandes solos de teclado, um baixo alto e na sua cara e uma guitarra que tem um “punch” que não tem como não balançar a cabeça. Amo também os solos compartilhados entre guitarra e teclado, num dos momentos mais entrosados do álbum. Muito bem feito.

In Nomine Éireann é um ótimo álbum folclórico e mostra que Tuatha de Danann decidiu trilhar uma nova rota em sua bem sucedida carreira com pitadas daquilo que eles querem fazer no próximo álbum. Este álbum especificamente é um tributo ás melodias e as notas solares – o que faz o álbum soar feliz e alegre em momentos tão difíceis como hoje. Conselho meu, comprem o álbum e toquem em alto bom som. Estamos precisando de músicas assim para encher os nossos corações de positividade.

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