Resenhas

Lamb of God

Lamb of God

8.0

Em 19 de junho de 2020 acabou a espera para os fãs. Depois de cinco anos entre o último lançamento oficial, “VII: Sturm und Drang”, em 2015, saiu o tão esperado novo álbum de inéditas do Lamb of God, neste meio período, a banda “atiçou” seus fãs com dois lançamentos, o EP “The Duke” (2016) e o disco de covers, sob o nome antigo, Burn the Priest, o maravilhoso “Legion XX”, agora é a vera. E aqui temos em mãos o novo play, autointitulado do quinteto de Richmond, “Fucknig” Virgina, como costuma bradar seu frontman, Randy Blythe, nas apresentações ao vivo,

O disco, que num primeiro momento tinha sido prometido por Chris Adler, o então baterista licenciado, para o natal de 2019, acabou sendo concebido somente neste ano, mas não antes a demissão do outrora baterista e a efetivação de Art Cruz, que por sua vez, já vinha realizando apresentações ao vivo com a banda desde 2018. E o lançamento que seria em maio deste ano, acabou sendo adiado para junho, devido a pandemia do novo Coronavírus. A bolacha foi gravada no “Studio 606“, na Califórnia. O produtor mais uma vez foi o parceiro de longa data, Josh Wilbur, Vamos conferir faixa a faixa deste play, que em terras brasileiras ganhou versão da Shinigami Records.

As duas músicas que abrem a obra, “Memento Mori” e “Checkmate” já eram conhecidas do público, uma vez que foram às primeiras que ganharam vídeo antes mesmo do lançamento. A primeira começa com os vocais limpos de Blythe, tendência adotada por ele desde o último álbum, na música “Overlord“. Mas logo a música cresce, ganhando um pouco de peso e muito Groove no refrão. Já “CheckMate” é carregada no Groove, com os riffs sempre intrincados da melhor dupla de guitarristas da atualidade: Willie Adler e o politicamente “isentão” Mark Morton.

“Gears”, a faixa três, tem riffs nervosos que desafiam ao ouvinte a sair da inércia enquanto a música rola no play. Destaque também para o bom solo. E solo é um item raríssimo nas músicas do LOG. “Reality Bath” é ultrapesada, embora sofra uma pequena mudança em seu andamento, mas o que predomina aqui são os riffs muito bem executados.

“New Colossal Hate” que também foi apresentada antes e é um dos bons momentos do álbum pelo peso e agressividade mostrados, acompanhados de diversos momentos mais densos. Essa me chamou atenção já na primeira audição.

“Ressurrection Man” é bem arrastada e pesadíssima, com riffs pra lá de sombrios. Confesso que me atrai essa sonoridade. Destaque também para a boa performance no bumbo duplo de Art Cruz. Aliás, a este músico, dedicarei um parágrafo mais abaixo.

“Poison Dream” é bem grooveada e levemente rápida no refrão. Esta conta com a participação de Jamey Hasta (Hatebreed), que aliás, quase colocou as coisas a perder com sua participação na faixa. Em “Routes” que conta com a participação de Chuck Billy (aí sim) virou um Thrash Metal de primeira e o vocalista só abrilhantou ainda mais e deu outro nível em comparação a anterior.

“Bloodshot Eyes” é mais uma descarga de Groove, peso e energia e a faixa de encerramento, “On the Hook“, é um verdadeiro caos, no bom sentido. Ela começa bem rápida, tem a mudança de andamento e ganha em Groove, mas em um certo momento, os caras flertam até com o Death Metal, com direito a blast beats de Art Cruz, ainda que por pouco tempo.

Temos em pouco mais de 44 minutos, um disco que não compromete. Está no mesmo nível do seu antecessor, porém, não é tão agressivo quanto aos anteriores. Ele possui bons momentos, mas o Lamb of God com certeza tem um poder de letalidade sonora maior. Mas parece ser o direcionamento que a banda escolheu, pode ter a ver com a prisão de Randy Blythe, em 2012, após a morte de um fã, no palco, empurrado acidentalmente por ele.

E quanto ao parágrafo sobre Art Cruz, dissertaremos sobre ele: o cara é bom, ninguém ocuparia o lugar do melhor baterista de Metal da atualidade a toa. Ele consegue levar de boa as músicas dos tempos de seu antecessor, mas aqui ele não foi brilhante quanto Chris Adler. Não há neste play um momento brilhante dele atrás de seu kit, embora, repito, ele consiga levar bem, na base da simplicidade.

Enfim, trata-se de um bom disco, longe de ser o melhor, embora a banda esteja muito afiada e os membros em seus melhores momentos. A produção é impecável e todos os instrumentos estão perfeitamente audíveis. Todavia, os caras têm condições de fazer algo ainda melhor, mais agressivo, como a banda foi, e ainda é, ao vivo.

Faixas

01 – Memento Mori
02 – Checkmate
03 – Gears
04 – Reality Baths
05 – New Colossal Hate
06 – Ressurection Man
07 – Poison Dream
08 – Routes
09 – Bloodshot Eyes
10 – On the Hook

Formação

Randy Blythe – Vocal
Willie Adler – Guitarra
Marl Morton – Guitarra
John Campbell – Baixo
Art Cruz – Bateria

Participações especiais

Jamey Jasta – Vocal em “Poison Dream“
Chuck Billy – Vocal em “Routes“

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