Resenhas

Last Days

Necrohunter

9.0

O Nordeste muitas vezes é subestimado por nós, mas trata-se de um verdadeiro celeiro da música pesada: a Bahia nos brindou com o Mistifyer e o Headhunters DC; O Ceará nos deu o Obskure, o S.O.H., entre outros: de Alagoas temos o Morcegos; de Pernambuco veio o Cangaço; do Piauí, temos os veteranos do Avalon. E da Paraíba temos o Necrohunter, banda que nos brindou com Last Days, segundo full-lenght dos caras.

Para quem não os conhece, eles estão na estrada há 19 anos e trata-se de um Power-Trio, mas é um trio diferente do que costumamos ver por aí: oficialmente, a banda não tem baixista. O vocalista, guitarrista e fundador da banda, Mauro Necrohunter grava as partes do baixo no estúdio e ao vivo a banda ataca de duas guitarras, vocal e bateria.

Uma curiosidade é que o baterista Vobiscum era o baixista da banda até o ano de 2018, quando assumiu as baquetas, deixando vaga a função nas quatro cordas, pelo menos em cima dos palcos. Eu tive o prazer de conhecer a banda quando eles tocaram no Guaru Metal Fest de 2019, festival que teve os estadunidenses do Whiplash como headliners. E ali eu já fiquei impressionado com a letalidade do trio paraibano. Na ocasião, eles apresentaram algumas das músicas que seriam posteriormente lançadas neste “Last Days”.

Para a gravação do sucessor de “Hunter’s Curse”, lançado em 2014, a banda utilizou dois estúdios: “1404” e o “Sg. Studio”, este último registrou as partes de bateria. A produção foi assinada por Victor Hugo Targino. São oito músicas, mais três intro, que totalizam onze faixas, as quais iremos dissertar sobre elas a partir das linhas abaixo.

“Burial” é uma vinheta que antecede o caos sonoro que vem a seguir. E é com a faixa título que a gente pode ter uma ideia do que o trio é capaz de nos proporcionar: um baita Thrash/ Death Metal que nos remete ao Benediction dos anos 1990. Tudo bem executado e milimetricamente calculado, com mudanças de andamento que vão se intercalando entre si.

“Prelude to Havoc” é bem brutal tanto nas partes mais rápidas quanto nas partes mais cadenciadas, mostrando que o Necrohunter bebeu nas melhores fontes do Heavy Metal extremo. “Sex Pervesion”, que foi o primeiro single aparece, com sua longa intro e se desenvolve brutal e atmosférica ao mesmo tempo, com destaque para os riffs nervosos da dupla Mauro Necrohunter e Carnage, mostrando entrosamento que beira a perfeição.

“Retaliatory” é a faixa que merece destaque especial: ela é aquela faixa para um moshpit brutal, pois é veloz e agressiva, mas no meio, a banda incluiu um solo com bastante melodia e ficou muito interessante esse mix, provando que a banda pode abordar outras vertentes sem deixar de ser extrema. “Evil Path” é veloz e bem complexa, com destaque para os blastbeats do baterista Vobiscum. Há também que se destacar os riffs poderosíssimos além do solo muito bem . Essa foi a primeira música da banda que eu escutei e ela me despertou atenção pelo trabalho dos caras.

A parte final conta com cinco faixas, sendo duas instrumentais com pouco mais de um minuto cada uma. “Perverse Abyss” mantém a agressividade em um nível estupendo, onde todos se destacam, tanto nas partes rápidas, quanto nas inserções mais cadenciadas, todas dotadas de muita técnica. E um belo solo com influências do Heavy Metal tradicional.

“In a Hopless Place” começa com belos acordes de violão até que entra o clima épico e com muita atmosfera, sem perder o estado bruto que a banda se propôs a apresentar neste Last Days. enquanto que “Damned X” é a última música propriamente dita do play e traz uma pegada que mescla velocidade, um pouco de melodia e é bastante atmosférica. Ela foi colocada entre duas instrumentais: “Infernal Demise”, que serve como uma ponte, tendo um teclado bem sombrio guiando tudo, e “Confinament”, que encerra a bolacha com aquele clima típico que o mestre King Diamond utiliza sempre com maestria. Em boas fontes inspirou-se o Necrohunter.

Depois de 36 minutos temos um álbum direto, brutal, pesado, bem tocado e super bem produzido. Isso nos enche de orgulho por se tratar de uma produção 100% brasileira. A arte do disco é super caprichada, encarte com letras e todas as informações completas. Com certeza foi um dos melhores lançamentos do terrível ano de 2020. Super recomendado para quem curte um som extremo, que dá abertura a passagens trabalhadas e também melódicas, sem deixar de ser brutal; Isso nos enche de orgulho por ser “Made in Brazil”.

Faixas:

01 – Burial
02 – Last Days
03 – Prelude to Havoc
04 – Sex Pervesion
05 – Retaliatory
06 – Evil Path
07 – Perverse Abyss
08 – In a Hopless Place
09 – Infernal Demise
10 – Damned X
11 – Confinament

Formação:

Mauro Necrohunter – vocal/ guitarra/ baixo
Carnage – guitarra
Vobiscum – bateria

Participações especiais:

Diego Dourden – teclado
Alexis Salazar – teclado

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