Resenhas

live at your local Waterhole

The Sven Curth (huge) Trio

Avaliação

8.0

The Sven Curth (huge) Trio, direto de New York, lança o quinto álbum ‘live at your local Waterhole’, com participação especial de Chris Carballeira. O trabalho traz a música simples e autêntica, lapidando um som que mistura diversas referências e traz energia nostálgica, moderna e cheio de sentimento. Não à toa, esse é um disco ao vivo, retirado de uma apresentação, e como a banda disse: “Num mundo onde a inteligência artificial invade tudo, senti que era o momento certo para apresentar alguns bons músicos fazendo o que amam para o público. Há calor, amor e, acima de tudo, humanidade aqui”.

A jornada começa com “How come? (live)”, uma abertura explosiva: riffs secos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, simples, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra e o clássico banjo. Uma faixa que entrega o puro rock’n’roll sem firula  – lembrando muito bandas como America, Lynyrd Skynyrd e Bob Dylan. Sven Curth é o fundoador do projeto, além de ser o cantor, compositor, guitarrista e o que toca banjo, e ele explicou a origem do disco: “Numa noite quente de agosto, algumas pessoas divertidas se reuniram num bar local para tocar algumas músicas divertidas. Este álbum é uma seleção de músicas desse show”.

Logo depois, “Rain (live)” mantém o clima, agora com grooves e muitos momentos de pré-tensão: baixo pulsante, baterisa jazzista e bejo/violão extraordinário, sem contar os teclados inspirados em Deep Purple. Os vocais exploram nuances entre o melancólico e agressivo, lembrando como a escola do hard rock e blues podem se cruzar. Estamos na segunda faixa mas já é notável que os vocais de Sven Curth irão carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição gostosa. Gravado por Eric Munley, mixado por Tom Varga e Sven Curth e  masterizado por Kevorkian Mastering, as 9 faixas trazem de volta os anos 70.

A sonoridade em geral mescla peso do rock’n’roll entre os anos 60 e 70, com um apelo melódico acessível, resultando em músicas que equilibram agressividade contida com passagens introspectivas. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional. A voz é talvez o elemento mais reconhecível: grave, dramática, carregada e sempre colocada em primeiro plano, com um tom de urgência e tirada do amargo.

Na sequência, “Worse before better (live)” chega com uma pegada mais prog na entrada, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderosos que remetem as raízes do blues e seus originários. “My baby hates me when I’m drinking (live)” dá um passo a frente na velocidade, traz um ambiente denso na introdução com baixo ardente e teclados maravilhosos e depois nos joga em um rock dançante, riffs intencionalmente para cima, que sugerem momentos de êxtase, e tudo isso sem perder a veia blues leve que a banda não esconde. A faixa mais comercial do disco, com ritmo que embala o ouvinte, e é impossível ouvir sem sentir o ritmo.

Enquanto  “Jesus loves tractors (live)” abaixa a intensidade e se torna a balada do álbum, com riffs suaves e vocais mais calmos, mas ainda assim ardentes. A instrumentação traz algo mais místico, uma energia diferente de todo o disco, até sermos surpreendidos com a potência vocal. Uma canção charmosa para garantir sucesso à banda e é ótima para curtir um show.

“Wonder what (live)” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com aquela vibe do rock americano dos anos 70. Essa faixa também conta com os backing vocals ardentes do blues e solo de guitarra característicos. Chegando a Let there be light (live), o clima fica robusto e cheio de inspiração de bandas como Lynyrd Skynyrd, The Allman Brothers Band, e mais. Os riffs densos e melodias abertas se misturam, quase sempre ancoradas em afinações mais graves. A bateria segue um caminho sólido e direto, priorizando batidas retas e mais suaves, criando uma base quase marcial. Essa é a canção que mais remete ao rock americano, com suas baladas comoventes.

Em “Of weddings (live)” somos novamente jogados ao balanço e densidade, com riffs e vocais de energia única e uma construção que quase beira o progressivo. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho rock’n’roll. O fechamento fica com “Cloudy day (live)” entrega um final que soa como uma explosão de sentimentos, voltando ao tom místico com banjo, violão e vocais ardentes, embalando o ouvinte e finalizando uma viagem sonora intimista, nos fazendo querer embarcar novamente.

No entanto, é importante notar que The Sven Curth (huge) Trio não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de blues rock. Isso resulta em um som que bem executado e fiel às raízes do gênero, mas que também oferece grandes surpresas ou inovação. É inegável o investimento para produzir um disco de alto padrão, além do talento nato dos músicos, que apostaram na receita clássica do rock.

Para aqueles que são fãs de bandas americana e os mais oldschool, The Sven Curth (huge) Trio oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais que impõe presença e vibe nostálgica. Para os apreciadores ‘Trio live at your local Waterhole’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero e fazendo tudo sem adições da tecnologia, tudo humanamente.