Resenhas

Lovely Light Of Life

LEACH

8.0

Dissertar sobre bandas suecas (pertençam elas a qual vertente for) é, por obrigação dissertar também sobre tradição e influência. O país é uma inegável potência dentre as mais diversas compreensões do Heavy Metal/Metal Extremo. Indo da gigantesca importância de nomes como: Bathory, Candlemass, Entombed, Katatonia, Dissection e Opeth (ficando nos óbvios), até o surgimento e consolidação da sempre reverenciada “The Gothenburg Sound” (cujos créditos são tomados por Dark Tranquillity, At The Gates e In Flames).

O Leach vem justamente da Suecia e seu novo álbum é a prova de que o país continua forte em sua tradição de gerar bandas cuja qualidade é inquestionável. Com 18 anos de carreira e com uma energia que se revigora a cada lançamento, o trio formado por Anders Nordlander (baixo), Joachim Dahlström (bateria) e Markus Wikander (guitarras e vocais), justifica em seu terceiro trabalho de estúdio, intitulado, “Lovely Light Of Life”, que é possível flertar com diversas sonoridades (sejam elas modernas ou não), sem perder ou deformar sua identidade.

A produção de Christian Silver (Ablaze My Sorrow, Draconian, Old Man’s Child e outros) é o primeiro destaque do disco — uniforme e nitida, mirando os holofotes tanto sobre a massa sonora que o Leach produz, como também isoladamente — quando destaca o desempenho dos instrumentistas de forma solitária, vide o baixo (que exibe ótimas linhas em todo o repertório). Quanto a estrutura das composições, as mesmas transitam pelos mais diversos ambientes metálicos; indo do Thrash ‘n’ Roll ao Groove, passando pelo Melodic Death Metal e até mesmo pelo Metalcore. Ao longo de 12 faixas a banda nos confronta com sua energia e agressividade — um frenesi sonoro repleto de peso, condizente técnica e potencia.

Faixas como: “Serenade (For the Broken Brave)”, “Carry The Stigma” e “Trench Walk” evidenciam todo poder criativo que o Leach possui; riffs cativantes, melodias pontuais, refrães convidativos e um desempenho satisfatório por parte do baixo e bateria, nada espetacular, mas cabível ao executado. As demais composições compartilham da mesma tônica, algumas mais retas e grooveadas, outras mais trabalhadas na melodia e algumas tentando algo mais acessível, quase “radio-friendly”. Mantendo a força e linearidade temos ainda, “Down For Counting”, “Vultures” e “Sweet Blasphemy” (perfeitas para extrair suor ou sangue dos fãs durante os shows da banda). Encerrando o disco, “D.O.D” (faixa bônus que conta com a participação especial do vocalista Björn “Speed” Strid — Soilwork/The Night Flight Orchestra/Act Of Denial). Pancada certeira e direta. Sem mais.

Um disco bem acima da média, com mais qualidades que falhas. Com muita energia, ferocidade e vontade. Contudo, nem tudo são elogios, não encontrei ligação alguma entre a arte da capa e a sonoridade da banda. Ela é simplesmente desconexa, deslocada e realmente não se harmoniza com a proposta do Leach. Ignorando a alegoria falha, um disco muito, mas muito empolgante.

Faixas:

Prelude
Serenade (For The Broken Brave)
Carry the Stigma
Trench Walk
Scorched Earth Tactics
Aniara
True North
Down for Counting
Vultures
Gaslighting
Sweet Blasphemy
D.O.D (feat. Björn “Speed” Strid)

Formação:

Anders Nordlander – Baixo
Joachim Dahlström – Bateria
Markus Wikander – Vocais e guitarras

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