Resenhas

Mortal Ways

Mortal Ways

8.0

O Mortal Ways é um Power-Trio de Rio Claro, interior de São Paulo. Não se trata de um Power-Trio comum em que temos um guitarrista, um baixista, e um baterista, tendo um destes musicistas acumulando também os vocais. Os caras são diferenciados: temos dois guitarristas e um deles acumula as funções de baixista e também cuida da bateria programada. E no 2020 de pandemia, os caras lançaram o auto intitulado disco de estreia.

O cara citado acima que é o quase faz-tudo da banda, atende pelo nome de Gustavo Camargo e é conhecido por ser o guitarrista da banda War Eternal, também de Rio Claro. Ele convidou o vocalista Flávio Diniz, da banda Kingdom of Madness, da vizinha cidade de Leme. Completa o grupo, o guitarrista Ronaldo Alves, responsável pelos belos solos de quatro das oito faixas, os quais iremos falar mais abaixo.

A proposta lírica da banda é uma sacada genial e que foge dos padrões das bandas de Death Metal de uma maneira geral: os caras abordam temas alienígenas, com base em filmes, séries e também histórias de descobertas de Galileu, o que por si só já faz a banda ser diferenciada e desperta uma curiosidade extra pelo trabalho.

Gravado durante o ano de 2019 de dois lugares diferentes: os vocais foram registrados no Estúdio Távola, em Araraquara e o restante dos instrumentos foram gravados no Mortal Ways Home Studio, em Rio Claro. E se você, caro leitor, acha que o trabalho de Gustavo Camargo ficou restrito “apenas” à bateria, guitarras e o baixo, saiba que o cara produziu, mixou e masterizou o álbum, além de ser o responsável pela arte gráfica da capa. Ou seja, o cara é o que podemos chamar de Dave Grohl do underground brasileiro.

O álbum foi lançado em 15 de janeiro de 2020, um pouco antes de a pandenia do novo Coronavirus se disseminar pelo mundo e impedir que a banda pudesse fazer shows e divulgar seu trabalho. Antes disso, os caras tinham lançado a música “Death From The Sky”, como single. Vamos deixar a bolacha tocar e dissertar sobre as oito canções que fazem parte do debut dos caras.

Cumulonimbus” abre o play e nos apresenta uma banda muito pesada e com riffs bem rústicos, mas interessante. O solo é o grande destaque. “Uninvited Visitors” tem os riffs e a levada bem parecida com a faixa anterior e novamente o solo é o ponto alto, sendo mais extenso e mostrando muita versatilidade e técnica.

Death From the Sky” começa com um insano pedal duplo e aqui a música se diferencia um pouco das anteriores, embora os riffs sigam simples e sujos e isso não é uma crítica, pelo contrário. E tal como o Black Sabbath, eles incluíram uma música que leva o nome do álbum e ao mesmo tempo, da banda: “Mortal Ways” é a faixa que mais me chamou atenção, pelo seu andamento um pouco mais rápido do que as demais, com influências nítidas de Benediction e o grande destaque é a bateria, com blastbeats e um bumbo duplo que praticamente não para. Excelente som.

O álbum decola de vez com outra faixa excepcional: “Operation Saucer”, que é técnica ao extremo, pesada e mantém a sujeira, além do andamento um pouco mais rápido. “Official UFO’s Night” é bruta e tem a bateria novamente como o destaque. A bolacha chega à reta final e temos “Extreme Home”, uma música que alterna partes mais arrastadas com outras nem tanto, mas já apresenta o mesmo timbre de guitarra que se repetiu na maioria das faixas do play, porém, a performance da bateria salva tudo.

A faixa derradeira é “The Femi-Hart Paradox” e encerra bem o play, sendo uma música rápida e que vai gerar bons moshpits, quando isso tudo acabar e finalmente iremos poder voltar a viver nossas vidas normalmente, podendo voltar a frequentar shows. São 33 minutos, um tempo bastante curto, mas que mostra uma banda competente e ciente do que estão fazendo. A única ressalva que eu faço é no que tange a produção, que, propositalmente, ou não, deixou as guitarras com o mesmo timbre na maioria das músicas, por vezes nos dando a impressão de que estávamos ouvindo a mesma música. Mas a banda tem talento e isso pode ser facilmente resolvido, além de não ser um problema crônico a ponto de desprezar o trabalho dos caras, ao contrário, há que se ressaltar o trabalho bastante honesto que os caras entregaram.

Merece destaque também o encarte, com todas as letras e as informações sobre o play, que mostra um trampo super profissional, ainda mais em se tratando de um trabalho independente, quando do primeiro lançamento, porque depois o play foi lançado pelo selo Tales From the Pit. Vai agradar em cheio a maioria dos fãs de música extrema.

Faixas:

01 – Cumulonimbus

02 – Uninvited Visitors

03 – Death From the Sky

04 – Mortal Ways

05 – Operation Saucer

06 – Official UFO’s Night

07 – Extreme Home

08 – The Femi-Hart Paradox

Formação:

Gustavo Camargo – guitarra/ baixo/ bateria programada

Flávio Diniz – vocal

Ronaldo Alves – guitarra solo

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