Resenhas

Nothing Left Unsaid

Baron Anastis

Avaliação

9.0

Baron Anastis, um artista de rock alternativo, emerge com seu aguardado álbum de estreia ”Nothing Left Unsaid, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais moderno do gênero. Baron Anastis combina suas diversas influências em um som dinâmico e explosivo e entrega uma performance densa e brutal em todas as 11 faixas do disco. Com uma combinação engenhosa de passagens grunge, hard rock, experimental, cada faixa deste álbum mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, repleto de obscurantistas.

Se rock and roll underground pudesse ser engarrafado, vendido e consumido em doses cavalares, certamente viria no formato de ‘Nothing Left Unsaid’. As faixas que alternam entre explosões de energia e grooves carregados de atitude, o disco é um passeio guiado pelo talento inegável do artista que soube canalizar a essência do rock clássico e do alternativo com precisão cirúrgica.

A abertura, “Afraid Of My Darkness”, já chega como um soco no peito, com toda melancolia do rock dos anos 90, muito inspirado em Jeff Buckley, guitarras cheias de efeitos fuzz e vocais com efeitos transmitindo todo um sentimento sombrio. A dinâmica continua na seguinte, “Angel”, levando a música a um clímax caótico que quase extrapola o limite. É uma introdução que deixa claro: segure-se, porque o álbum não vai aliviar. O violão sentimental dá espaço para os riffs e bateria pesada, alternando entre o caótico e o melacólico.

Logo depois, “Lily of Nile” mostra o equilíbrio entre peso, o swing e o groove que é a assinatura do artista, mantendo um clima mais sensual e denso, com um tempero inspirado em Nirvana e Silverchair. “”Deepest Belief” entrega guitarras com riffs insinuantes e uma cozinha rítmica impecável que criam um pano de fundo perfeito para refrões explosivos. É um momento onde o rock se enrosca no mais profundo sentimento. O disco todo é uma explosão de sentimentos, como deve ser o melhor do rock alternativo dos anos 90.

Baron Anastis mantém o fôlego com seu instrumental frenético e moderno, mas anda assim, melancólico, e “Firt Step” nos puxa para um rock mais sentimental do disco, ganhando potência no refrão, e nos embalando. Em “Sacred Dream”, Baron introduz um groove mais clássico do rock 90, mas ainda assim cheio de energia. É aqui que ele brilha na guitarra, com texturas e solos que reforçam a versatilidade do álbum, é aqui em que vimos o quanto o grupo está bem entrosado no quesito composição. Acho que é a faixa mais comercial do disco.

Mas a banda não economiza no alto octanagem: “My god, My Master” acelera novamente o ritmo experimental, carregada por um groove maníaco que remete ao Sonic Youth. Enquanto “Secrets” flerta com um rock mais cru, mas ainda contagiante e cheio da energia sombria e depressiva do grunge. “So Many Times” em particular se destaca pela combinação de harmônica percussiva e uma explosão instrumental que não dá trégua, os trechos “pausa” são recheados de riffs fuzz resposta que tornam tudo muito mais dinâmico e autêntico – provando a audácia de Baron, que entrega um álbum perfeito para os fãs do estilo.

Quando chegamos a “Drops Of Selfish Love”, o álbum ganha uma nova camada. É um passeio montanha-russa que alterna momentos mais cadenciados com refrões que soam uma mistura de rock Californiano e Rock Inglês. A faixa é um exemplo perfeito da habilidade do Baron Anastis de criar dinâmica em suas composições. Essa faixa traz vocais raivosos, riffs pesados e a energia dos shows.

A última faixa, é um bônus, “Having You”, de um peso quase sufocante emocionalmente mas ainda sim energpetica e excêntrica. O riff arrastado e dinâmico, aliado ao clima denso apaixonado pela banda, ilustram um ambiente romântico, encerrando o disco de maneira perfeita.

Se há algo a aprender com ‘Nothing Left Unsaid’, é que o Baron Anastis veio para redefinir o que significa alta voltagem no rock moderno. Prepare-se para deixar essa experiência te cativar.