Resenhas

Obsidian

Paradise Lost

8.5

Paradise Lost é uma das minhas bandas de metal favoritas desde o colegial. Quando adolescente, conheci a banda ao vivo no Festival Monsters of Rock 95, quando estavam divulgando ‘Draconian Times’ – um de meus álbuns favoritos da banda.

Claro que a banda foi sofrendo mutações e a banda foi me lembrando que existem outras tendências musicais como o Gótico em sua música. Conheci outras bandas por causa desta influências como a banda finlandesa de rock gótico HIM. Lembro-me de ouvir o single da banda, a incrível “Forever After”, de 2005, na finada Radio Brasil 2000 e fiquei impressionado com o quanto mais sombrio e misterioso parecia do que qualquer coisa que eu já havia ouvido antes. Ao longo dos anos, o quinteto inglês continuou a me encantar, à medida que se moviam do rock gótico de volta ao estilo que os consagrou – o Metal de seus primeiros anos. Com o álbum Medusa de 2017, o Paradise Lost finalmente fez um álbum tão pesado quanto o seu debut Paradise Lost, em 1990, e pela primeira vez desde que comecei a seguir a banda, eu não tinha ideia do que eles fariam em seguida. Assim, o décimo sexto álbum deles, Obsidian, tinha um sentimento especial de antecipação associado a ele. A banda continuaria pesada? Ficaria mais leve?

Tendo ouvido Obsidian várias vezes, suponho que a abordagem aqui é exatamente o que eu deveria esperar. Na veia de Carcass na época de ‘Surgical Steel’, este álbum é o som de uma banda veterana com um catálogo com estilos diversificados, combinando muitos elementos de sua longa discografia juntos em uma obra. Como tal, Obsidian me lembra muito ‘The Plague Within’, de 2015, principalmente a forma como o vocalista Nick Holmes emprega seus estilos de vocais limpo e gutural em uma medida aproximadamente igual. O destaque inicial “Fall from Grace” até soa como quase retirado do supracitado Plague Within com a maneira como combina simples linhas de guitarra melódica com ganchos cantados de maneira limpa e vocais guturais.

No entanto, Paradise Lost nunca fez o mesmo álbum duas vezes e é evidente que eles não vão começar agora. “Ghosts” mostra a influência gótica da banda nos anos 80 de uma maneira que Plague Within não fez, soando como uma faixa mais pesada do Sisters of Mercy, com seu ritmo sonoro e refrão cativante. A faixa de abertura “Darker Thoughts” adota uma abordagem totalmente diferente, começando com o canto suave e o violão antes de bater abruptamente num gutural profundo, acordes cheios e melodias fortes. É uma música fantástica, com muito dinamismo, que me lembra muito a banda Swallow the Sun mais atual, enquanto contém alguns dos melhores vocais limpos que já ouvi de Holmes. Infelizmente, ele não permanece tão bom ao decorrer do álbum, como nas faixas seguintes “Hope Dies Young” apresentando performances menos notáveis.

De fato, como um todo, o Obsidian parece bastante pesado, com um trio de abertura absurdas como as já mencionadas “Darker Thoughts”, “Fall From Grace” e “Ghosts” sendo estas um pouco mais fortes do que qualquer outra música neste álbum. Parte do problema é a falta de idéias realmente relevantes. No passado, Paradise Lost era ótimo em garantir que cada música tivesse um refrão forte ou um riff notável para mantê-la cativante. Aqui, exemplos como a faixa “Forsaken” são agradáveis, mas dificilmente memoráveis, tanto na frente vocal quanto na instrumental. O destaque final “Ending Days” tem um dos melhores refrões do álbum e inicialmente parece ser uma exceção, mas mesmo sua instrumentação não é tão interessante assim, após uma análise mais aprofundada. Enquanto o guitarrista Greg Mackinosh equilibra as coisas de alguma forma como os arranjos fantásticos que ele espalha livremente nessas nove faixas, no geral, os riffs e melodias envolventes que eu espero que a banda ofereça são simplesmente mais escassos em Obsidian do que eu esperava. Felizmente, a produção é fantástica, com guitarras cheias e pesadas, sustentadas por um palco sonoro claro e rico.

Estilisticamente, adoro a abordagem que Paradise Lost adotou em Obsidian. O álbum parece totalmente natural para eles e soa inconfundivelmente como Paradise Lost sem parecer um recauchutado de qualquer um dos seus trabalhos anteriores. Minha maior reclamação está na execução. Mesmo para uma banda com uma carreira tão longa, álbuns relativamente novos como Plague Within e especialmente o Faith Divides Us – Death Unites Us de 2009 ainda possuíam aquela sensaç~çao envolvente, repletos de novas idéias. No entanto, embora seja difícil dizer o mesmo para o Obsidian, vale a pena notar que mesmo as piores músicas aqui são meramente indescritíveis e não ruins, e o álbum ainda tem boas idéias o suficiente para tornar esses 46 minutos uma audição bastante agradável no geral. Mesmo que não seja um sucesso retumbante, eu continuarei ouvindo o Obsidian por algum tempo, embora eu espero que os álbuns no futuros tenham um pouco mais de fogo por dentro.

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