Resenhas

Other Side of Noise

Tijuana Bullfight

Avaliação

9.0

Tijuana Bullfight, trio grunge-punk de Los Angeles, emerge com seu aguardado álbum de estreia Other Side of Noise’, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais moderno do gênero. Tijuana Bullfight combina suas diversas influências dos anos 90 em um som dinâmico e explosivo e entrega uma performance densa e agressiva em todas as 9 faixas do disco. Com uma combinação engenhosa de passagens grunge, punk e alternativo, cada faixa deste álbum mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, repleto de inquietação. O álbum prova a capacidade do Tijuana Bullfight de equilibrar emoção e energia, criando um registro coeso e dinâmico, segundo comunicado à imprensa, “é um documento de sobrevivência. Depois de lidar com falências de gravadoras, mudanças na formação e anos ouvindo que deveriam suavizar o som, a banda s redobrou a aposta em vez de recuar”.

O álbum combina letras introspectivas com um instrumental que alterna entre impulsos pop-punk, texturas alternativas e construções cinematográficas, criando um disco de faixas curtas, onde cada música funciona tanto como afirmação emocional quanto como explosão sonora.

E a banda já prova isso na abertura com “Fire”, um convite para o mundo pesado e emotivo, com riffs pesados e melódicos e vocais intensos, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som melancólico mas agressivo do grunge. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, nitidamente influênciado por Nirvana!

Em “Other Than Me…Too” o tom agressivo característico do grunge continua. Um ponto interessante é o detalhe de sentirmos como se fosse um LP de uma banda dos anos 90, que pegamos para ouvir. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção na voz. Sem dúvidas, é a faixa mais comercial do disco, perfeito para rádios, podendo se tornar um hino.

Seguimos com “Nine Out of Ten” que traz riffs mais densos e melódicos, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional de Kurt Cobain e Josh Homme, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo.

Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “New and Improved”, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Os clássicos riffs do rock alternativo, que vem ganhando notoriedade em um revivel incrível, é perfeitamente mostrado aqui. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito que faz o público cantar junto.

“Wake” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardentes, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e a mais emotiva do álbum, mergulhando no terreno da introspecção noturna. A canção explode com uma base rítmica sólida e riffs fortes, peso e agressividade, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio de mosh, mas ainda assim mantendo o clima melódico.

“Forward, Things Don’t Look so Great” continua a brutalidade mas com melancolia e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça. Aqui sentimos muita influência do rock dos anos 90 com riffs e vocais de que dão uma nova textura, em uma tempestade sonora, mas mantendo a energia underground do grunge, com refrão potente, muito Nirvana.

Em “Black Trick v2”, retorna com o grunge de primeira linha e entrega riffs de guitarra memoráveis e vocais cheios de sentimento que desabafam e mesmo que não entende a língua cantada, consegue sentir o peso da emoção. A faixa oferece uma pausa reflexiva no disco, onde somos surpreendidos com vocais muito técnicos, a bateria segue o ritmo denso e potente, fervendo, junto com o baixo que marca forte presença em um groove e sintetizadores que mantém o clima denso, para criar um som mais acessível e memorável.

Preparando os ritos finais, “Fat Baby” surpreende pela versatilidade, efeitos vocais e instrumental denso que carrega forte energia nostálgica. é mais uma faixa que explode melancolia e riffs sinuosos e densos, que arrastam o ouvinte em uma viagem depressiva mas com toda beleza que só o rock dos anos 90 consegue fazer, além de uma imensidão de jovens que souberam utilizar a técnica clássica mas incorporar tons modernos.

Para encerrar, “Red Head” entrega a brutalidade mas com riffs ritmicos e bem melódicos. mantendo o som denso e sombrio, e a energia moderna que já é assinatura do Tijuana Bullfight, enquanto o instrumental é impactante e cheio de energia, sendo a faixa mais forte. Esse álbum vem com um ritmo que nenhum fã do estilo poderá colocar defeito.

No entanto, é importante notar que Tijuana Bullfight não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de grunge, o grupo não pisa no freio para criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, perfeito para os mais exigentes. Para aqueles que são fãs do estilo, Tijuana Bullfight oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais melancólicos e fortes e uma atmosfera rebelde. Para os apreciadores de grunge e anos 90, ‘Other Side of Noise ‘ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero sem explorar novos territórios sonoros.