Resenhas

Persona Non Grata

Exodus

9.0

A espera acabou. O 11° álbum do Exodus acaba de ser lançado. Persona Non Grata sai no Brasil através da Shinigami Records/ Nuclear Blast. Foram longos 7 anos sem lançamentos, algo que só foi semelhante entre os álbuns Force of Habit (1992) e Tempo of The Damned (2004). Isso porque a banda encerrou suas atividades neste meio tempo. E dessa vez, a espera valeu muito a pena.

Em virtude dos compromissos de Gary Holt com os últimos anos de turnê com o Slayer, acabaram resultando em tamanha demora. A pandemia inspirou diversas bandas, que lançaram excelentes trabalhos. “Persona Non Grata” é o segundo trabalho a contar com o negacionista e vocalista Steve “Zetro” Sousa, desde que esse retornou à banda. O trabalho conta com participações especiais do guitarrista Rick Hunolt, que participou dos primórdios da banda e aqui fez o solo em “Lunatic-Liar-Lord“, Cody Sousa, vocalista e baixista do Hatriot e Nick Sousa, baterista, também do Hatriot, estea dois colaboraram nos backing vocais.

Gravado no estúdio caseiro do baterista Tom Hunting, em Lake Almanour, Califórnia e produzido pela própria banda, entre os meses de setembro e outubro, “Persona Non Grata” nos brinda com exata uma hora de Thrash Metal. Os planos para o lançamento deste play começaram a ganhar forma em 2016, mas somente agora nós podemos conhecer o sucessor de “Blood in, Blood Out“. Vamos lá discorrer sobre as doze faixas contidas aqui.

A faixa título abre o trabalho com riffs extremamente complexos. Em 7 minutos, a música explora andamentos mais rápidos e outros mais cadenciadas, porém, intrincados e um solo magistral. “R.E.M.F.” é o Thrash Old-School com toques de modernidade, mostrando que o Exodus envelheceu muito bem e conseguiu adicionar outros elementos à sua sonoridade, sem perder a essência.

Slipping Into Madness” é bem trabalhada e tem riffs matadores, mostrando que a dupla Gary Holt e Lee Altus está 100% afiada. Impressiona também o timbre do baixo de Jack Gibson. “Elitist” é bem cadenciada e nos faz sentir falta da velocidade que a banda imprimiu nas faixas anteriores. Porém, não chega a ser uma música ruim. “Prescribing Horror” é sombria, arrastada, sombria, linda. Disparada, a melhor do play. O som de um bebê chorando ao final dá o clima de horror perfeito para a música.

A velocidade retorna com “The Beatings Will Continue (Until Morale Improves)”, uma música que não permite que seu pescoço fique imóvel diante de tantos riffs eletrizantes. “The Years of Death and Dying” tem riffs que lembram muito o Korzus, pelo menos na introdução, pois a faixa vai se desenvolvendo em outro caminho, com o baixo de Jack Gibson ajudando a dupla de guitarristas a deixar o som ainda mais robusto, com seu Groove. Essa foi uma das músicas que o público conheceu antes do lançamento do álbum.

“Clickbait” é rápida, violenta, ríspida e moderna, é outra que merece estar entre os destaques desse play. A música fala sobre um assunto tão recorrente, principalmente em terras tupiniquins: as fake news e como as pessoas colocam títulos sensacionalistas nas matérias para gerar cliques. “Cosa del Pantano” é uma breve instrumental com pouco mais de um minuto onde temos um violão bem calmo que nos dá uma trégua bem breve depois de tanto massacre sonoro.

Lunatic-Liar-Lord” pega carona na faixa anterior e apresenta alguns segundos da introdução no violão, mas logo esses mesmos acordes são executados nas guitarras e aí a coisa fica boa de verdade. Os riffs impressionam e vão se repetindo por boa parte dos quase oito minutos que a música perdura, com suas várias mudanças em seu andamento. E a música encerra com umas batidas tribais.

O play tá chegando no final e temos “The Fires of Division“, que apenas mantém o nível do álbum nas alturas, com a extrema técnica que os caras imprimiram na música, e “Antiseed” encerra o álbum com seus riffs nervosos, deixando a sensação de que fomos atropelados por uma carreta e levantamos atordoados, perguntando se alguém anotou o número da placa da tal carreta.

Um belo disco que chega pedindo passagem e que vai brigar para entrar nas listas dos melhores do ano, sem sombra de dúvidas. Mostra um Exodus maduro, mas sem perder a sua letalidade e fazendo um Thrash Metal para ninguém botar defeito. Vai agradar em cheio os fãs de Thrash Metal. E talvez faça a banda angariar ainda mais seguidores.

Faixas:
01 – Persona Non Grata
02 – R.E.M.F.
03 – Slipping Into Madness
04 – Elitist
05 – Prescribing Horror
06 – The Beatings Will Continue (Until Morale Improves)
07 – The Years of Death and Dying
08 – Clickbait
09 – Cosa del Pantano
10 – Lunatic-Liar-Lord
11 – The Fires of Division
12 – Antiseed

Formação:
Steve “Zetro” Sousa – vocal
Gary Holt – guitarra
Lee Altus – guitarra
Jack Gibson – baixo
Tom Hunting – bateria

Participações especiais:
Cody Sousa – backing vocal
Nick Sousa – backing vocal
Rick Hunolt – solo em Lunatic-Liar-Lord/ backing vocal

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