Resenhas

Rescue

Shaman

7.0

Voltar a escutar o Shaman com sua formação praticamente original e não esperar algo na linha dos dois primeiros álbuns é impensável. A expectativa quanto a performance de Alirio Netto também é gigantesca, afinal de contas, ele substitui ninguém menos do que o inesquecível Andre Matos. Rescue é o primeiro álbum da banda após 12 anos e o primeiro após o retorno dos irmãos Mariutti.

Depois da debandada quase que geral da banda, que permaneceu ativa, capitaneada pelo bolsomínion Ricardo Confessori, o Shaman ficou em baixa, até se separar de vez em 2014. Quatro anos depois, a formação original retornou com toda a pompa e durante a turnê de retorno, fomos terrivelmente abalados com a perda do grande Andre Matos. Uma nuvem de incertezas pairou sobre a continuidade da banda, até que, ainda em 2019, Alírio Netto foi confirmado como o novo vocalista. Uma terrível missão, substituir o maior vocalista da história do Heavy Metal brazuca. Mas em “Rescue“, o cara deu conta do recado.

Produzido pelo renomado Sascha Paeth e gravado em São Paulo e na Alemanha, o álbum que seria originalmente lançado em março, teve a data alterada para 15 de abril, devido a falta de matéria-prima. Aqui no Brasil, a distribuição ficou por conta da Voice Music. No Japão, a bolacha será lançada no dia 15 de maio, via King Records. A arte é assinada por Carlos Fides. O violinista Marcus Viana participou das gravações. Vamos passear pelas faixas de “Rescue“.

A abertura se dá com a instrumental “Tribute“, que tem belas melodias. Em “Time is Running Out“, a música que de fato abre o play, temos a já esperada qualidade apresentada pelos músicos, mas a música em si não empolga tanto assim, ainda que em um certo momento Luis Mariutti dê brilho com ótimas linhas em seu baixo. Alírio Netto, o substituto de Andre Matos, é talentoso e cumpre bem o seu papel.

The I Inside” mantém o Power Metal como sendo o foco durante boa parte de sua extensão, porém, as coisas melhoram do meio para o final, quando entra a parte mais Prog, nos levando a presenciar um rascunho daquele Shaman dos primórdios. “Don’t Let It Rain” é um Hard Rock com cara de balada, só que não tão lento quanto uma e extremamente bem executada, não mais do que isso. “Where Are You Now” mantém a linha da faixa anterior e acrescenta ainda mais melodia, porém, ainda não empolga. Mesmo com um belo solo protagonizado por Hugo Mariutti.

The Spirit” é um bom momento do álbum, onde temos um Power Metal com toques Prog e um solo de teclado a lá Dream Theater. “Gone Too Soon” é uma balada onde Alírio Netto dá conta do recado em uma música com muita melodia e em um breve pedaço, a gente perceba algo do Queen na guitarra de Hugo Mariutti. Em “The Boundaries of Heaven“, finalmente o grande momento do álbum, com riffs pesados em uma música que viaja pelo Hard ‘n’ Heavy. Oito músicas para enfim, o álbum decolar. Essa é, disparada, a melhor faixa do disco.

Brand New me“‘ traz um breve esboço da banda em seis primordiais, a começar pelo violão que lembra um pouco o que foi feito na ótima “For Tomorrow“. Aqui temos uma música com muito mais melodia e mais puxada para o Hard. Não compromete. Em “What If?“, outro bom momento do play em uma faixa onde os caras fazem um Prog Metal para ninguém botar defeito. Temos “The Final Rescue” que é uma breve vinheta e o final com “Resilience“, mais uma balada, onde Hugo Mariutti acompanha Alírio Netto com belas melodias em seu violão, tendo Fábio Ribeiro acompanhando ao fundo com seu teclado, em um final bem melancólico.

Após 54 minutos, a sensação que temos é de que é um disco bastante aquém do esperado, com muitas baladas, as partes mais Power Metal são bastante genéricas e poucos momentos geniais. Os músicos são extremamente técnicos e não precisam provar mais nada para ninguém, mas eles são capazes de dar algo a mais. Não esperamos que eles lancem álbuns na mesma linha de “Ritual“, porém, “Rescue” não apresenta nada além da vontade da banda em continuar a sua caminhada bastante honesta. Alírio Netto fez um trabalho muito bom e aqui não vamos compará-lo ao Andre, pois seria covardia. O cara tem talento e entregou uma ótima colaboração. A produção é excelente, as composições muito bem elaboradas, só faltou um pouco mais de Metal ao álbum.

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