Resenhas

Secret Wars

Dead Skin Project

Avaliação

8.0

Dead Skin Project, direto de Bishop Auckland, Inglaterra, lança o segundo álbum ‘Secret Wars’. O trabalho sucede o álbum de estreia ‘Scarlet Teardrops’, lapidando uma sonoridade que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, esse novo disco é a prova de que a banda encara o rock como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado – apesar de usarem algumas funcionalidade da Inteligência Artificial.

A jornada começa com a faixa título, uma abertura explosiva: riffs secos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sem massagem, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra. Uma faixa que entrega o puro rock’n’roll sem firula ao confrontar a manipulação da verdade por aqueles em posições de autoridade, lançando luz sobre a influência generalizada da desinformação no mundo atual. – lembrando muito bandas como Avenged Sevelfold e Halerstorn. O projeto é uma criação de um músico experiente imerso na cena musical desde 1978. Cansado de apenas tocar covers, o artista encontrou libertação na criação de música original de rock/punk/gótico sob o nome Dead Skin Project.

Logo depois,”Different Frequencies” mantém o peso, agora com grooves e muitos momentos de pré-tensão: baixo pulsante, vocais que exploram nuances entre o rasgado e o limpo, lembrando como a escola do hard rock e punk podem se cruzar. Aqui mergulham nos anos de formação do artista na década de 1970, explorando a luta contra o não-conformismo e a busca pela identidade individual. Estamos na segunda faixa mas já é notável que os vocais irão carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição gostosa.

A sonoridade em geral mescla peso do rock’n’roll entre os anos 70 e 80, com um apelo melódico acessível, resultando em músicas que equilibram agressividade contida com passagens introspectivas. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional.

Na sequência, “Johnny Fights back” chega com uma pegada mais hard rock na entrada, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderoso, com vocais que remetem as raízes do blues e seus originários. “Never been Normal” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com aquela vibe do rock americano dos anos 70.

“Guardians of the Graveyard” dá um passo para trás na velocidade, traz um ambiente denso na introdução com baixo ardente e depois nos joga em um rock mais moderno, riffs intencionalmente para cima, que sugerem momentos de êxtase, e tudo isso sem perder a veia hard rock leve que a banda não esconde – mas aqui lembra um pouco os timbres de Pearl Jam.

Enquanto “The Hate In Your Eyes” explode em um rock’n’roll puro com uma base rítmica sólida e riffs fortes, essa batida é ótima para curtir um show. “No Permission Needed” o clima fica robusto e cheio de inspiração de bandas como Alter Bridge, Sevendust e mais. Os riffs densos e melodias abertas se misturam, quase sempre ancoradas em afinações mais graves. A bateria segue um caminho sólido e direto, priorizando batidas retas e poderosas, criando uma base quase marcial. Essa é a canção que mais remete ao rock americano.

Em “You’re a Virus” somos novamente jogados ao peso e densidade, com riffs e vocais de energia única e uma construção que quase beira o progressivo. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho rock’n’roll. Chegando aos ritos finais, “The Virus is Spreading” junta toda a raiva e peso com riffs mortais, bateria potente e toda pressão sentidas no vocais, como um hino de guerra! A canção perfeita para o mosh no show.

O fechamento fica com “Born Free” que abaixa a intensidade e se torna a balada do álbum, com riffs suaves e vocais mais calmos. A instrumentação traz algo mais místico, uma energia diferente de todo o disco, até sermos surpreendidos com a potência vocal.

No entanto, é importante notar que Dead Skin Project  não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de rock. O grupo pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som que, embora bem executado e fiel às raízes do gênero, não oferece grandes surpresas ou inovação. Mas é inegável o investimento para produzir um disco de alto padrão, além do talento nato do músico, que apostaram na receita clássica do rock.

Para aqueles que são fãs do puro rock oldschool, Dead Skin Project oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais que impõe presença e vibe nostálgica. Para os apreciadores ‘Secret Wars’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero sem explorar novos territórios sonoros.