Resenhas

Shadow Realms

Firespawn

10

Firespawn é uma banda relativamente nova no cenário do metal extremo, porém traz veteranos de longa data no line up. Formada em 2014 em Estocolmo (Suécia) a banda conta com nomes que estão ou já passaram por bandas como Entombed, Necrophobic, Unleashed, Six Feet Under e Dark Funeral. E como já era de se esperar de referências como essa, não poderia sair algo ruim. 'Shadow Realms' é o álbum de estreia da banda que, em minha humilde opinião, foi o que melhor aconteceu de novo no Death Metal pra esta década, e o álbum é de uma excelência incrível do começo ao fim, lançado em Novembro de 2015 pela Century Media e aqui em terras tupiniquins teve sua versão lançada em Agosto de 2020 pela Extreme Sound Records.

A primeira faixa, “The Imperor”, inicia de forma obliterante e violenta, o álbum inteiro consegue dar uma aula de como fazer um som brutal, energizante e visceral, é uma verdadeira canção de batalha! A ambientação e profundidade sonora são contagiantes e infernais.

Logo em seguida temos “Imperial Burning”, um pequeno respiro, já que ao ouvir a faixa anterior você aparentemente já “entrou no Inferno”. “Imperial Burning” fala sobre medo, e agônia e toda a sensação que esse sentimento proporciona, tal como o que a causa.

Chegamos na faixa que, sinceramente, representa esse álbum e o vende. “Lucifer Has Spoken”… Bom o titulo já diz tudo! O filho da aurora negra se levanta do seu trono, e te abraça com essa canção, os solos expressivos e aterrorizantes com um refrão simples “Lúcifer falou”, mostram a que veio Firespawn.

E quando você ja estava se calmando com as levadas das duas últimas faixas “Spirit Of The Black Tide” te joga no moshpit novamente. Pesada, rápida, e cortante… Sério, se você não se levantar e sair correndo com a injeção de adrenalina que esse som te traz, nada será capaz de te levantar, pois essa faixa tem o poder de fazer até mortos saltarem dos túmulos. Em sua letra a canção fala sobre mais um dos integrantes do “Reino das Sombras”, os demônios, ou a “Falange de Seres Malditos”,os decendentes de Lilith.

“Contemplate Death” é a faixa seguinte, um instrumental com violões, arpeggios, o mais interessante dessa canção é a forma como é construída, soando lindamente macabra… Realmente é como contemplar a morte, o descanso eterno poético, ou o seu padecer decadente! Essa canção é essa ambiguidade.

“All Hail” fala sobre sobre os seguidores do Bolsonaro, os Minions – é brincadeira,ok?  “All Hail” é a segunda faixa que vende este álbum, ela fala justamente daqueles que servem ao diabo e usa da imposição de que todos irão saldar o Senhor do caos, seja pelo bem ou pelo mal.

Em “Ruination” já conseguimos reparar um padrão interessante para esse disco, a faixa é pesada e rápida, lembrando o tempo de “Imperial Burning”, a banda usa de forma inteligente o álbum como um regulador de ânimos, inicia-se brutal e em seguida duas faixas mais lentas, novamente uma faixa pesada e rápida. “Ruination” tem uma letra que pode fazer muitos identificarem com a piada citada acima pois até agora faltava somente um elemento pra completar a iconografia do inferno, temos Lúcifer, temos os Demônios, temos o Reino de Fogo… E aqui temos o pecador, descrito como o quebra-ossos de botas militares, tirano, autoridade violenta livre de moralidade.

“Necromance” possui a levada de “All Hail” seguindo aquela matemática que eu citei aqui, a faixa como todas as outras é brutal e bem ambientada, é interessante como Petrov tem uma voz putrefata porém é audível e clara. Nessa canção conta-se a história de um necrófilo, aqui poeticamente mudado para “Necromancer” (Necromancer na cultura da magia são os magos que praticam magia através dos mortos, ou seja ele usa dos mortos para suas vontades).

“Shadow Realms” é a faixa titulo do álbum, e se estivesse em um LP seria considerada Lado B, mas mesmo assim, sua velocidade e presença são com certeza merecedoras de uma faixa titulo, rápida e agoniante. Acredito que essa faixa é onde Matte Modin pede arrego nos shows ao vivo, pois são 3min de bateria eletrizante e frenética. A música, em suma, fala sobre ser consumido pelo reino das sombras ou seja, invocar o mal.

“Ginnunga” é a penúltima faixa e relata uma batalha de Ginnunga (Ginnunga é na Mitologia Nórdica o imenso vazio que precede a criação do Universo) ou seja a batalha do vazio, seria uma analogia para você lutar contra seus instintos.

Enfim chegamos em “Infernal Eternal”, a faixa que encerra odisco, de um começo fenomenal, dilacerante e uma quebra no solo surpreendente, é uma faixa curta de pouco mais de 2 minutos, mas minutos de pura raiva, talvez “Ginnunga” e “Infernal Eternal” sejam as faixas mais cheias de analogias do álbum, e isso é super interessante pois são analogias com sentimentos internos, ou entrando no contexto do álbum… Nossos “infernos pessoais” e o que nos leva a cometer o pecado (ato que nos leva ao inferno). “Infernal Eterna”l encerra de forma abrupta e nos deixa com gosto de sangue na boca.

Definitivamente esse é disco pra quem gosta de death metal dilacerante, apegado a velha escola sabendo dosar técnicas virtuosas e qualidade de composição tanto nas letra quanto no arranjo. Indicado para fãs de Vader, Entombed, Necrophobic  e Dismember.

Faixas:

1. The Emperor
2. Imperial Burning
3. Lucifer Has Spoken
4. Spirit Of The Black Tide
5. Contemplate Death
6. All Hail
7. Ruination
8. Necromance
9. Shadow Reams
10. Ginnunga
11. Infernal Eternal

Formação:

Lars .G Petrov – Vocal (ex- Entombed, Ex- Comen , Entombed AD, Ex-Morbid)
Fredrik Folkare – Guitarras ( Unleashed, Ex-Fireborn, Ex-Necrophobic)
Alex Impaler – Baixo (Ex-Necrophobic, Ex-Fireborn)
Victor Brandt – Guitarras (Dimmu Borgir, Ex-Entombed, Ex-Satyricon)
Matte Modin – Bateria (Skineater,Necrophobic,Ex-Dark Funeral, Ex-Sarcasm, Ex-Fireborn)

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