Resenhas

Shadows Of The Eclipse

Ungoliath

Avaliação

8.0

Ungoliath, um projeto solo de Blackened death metal old school originária de de Berlim, Alemanha, emerge com seu  álbum de estreia ‘Shadows of the Eclipse’, trazendo uma sonoridade crua e direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional do gênero. Idealizada sob a orientação do fundador Bane, a banda entrega uma performance densa e brutal em todas as oito faixas do álbum. Com este disco, o Ungoliath prova mais uma vez que a solidão pode dar origem a vastos mundos imersivos, sombrios, envolventes e inegavelmente autênticos.

A abertura de mais de 8 minutos com “Sealed In Fire, Crowned In Dusk” é um convite para o mundo pesado e sombrio de Ungoliath, com riffs pesados e vocais guturais agudos intensos, vindos da escola do Blackened death metal, mas muito enraizado no espírito do Black Metal dos anos 90, fortemente influenciado por Mayhem, Darkthrone, Emperor e mais.

“Threnody Of The Fallen Sphere” mantém o ritmo cadenciado e grave, enquanto explora destemidamente novos territórios sonoros, emulando algumas características do som gordo e distorcido do Death Metal mas mantendo os vocais típicos do black metal.

Segundo nota à imprensa, Ungoliath embarcou em uma jornada de exploração musical, conduzindo os ouvintes ao mundo enigmático de Tendalied. Apesar de ser um projeto solo,  sua música transcende as fronteiras tradicionais, criando uma paisagem sonora introspectiva e poderosa, o que pode ser visto perfeitamente em “Cry Of The Broken Realm”, que abaixa o tom e traz uma introdução mística, para dar espaço aos riffs mais rápidos que você ia ouvir hoje. Os riffs em perfeita harmonia com a melodia relaxante, surpreende com os vocais mais calmos e melódicos, lembrando vagamente Behemoth, mantendo o peso do black metal.

Em “Shadows Of The Eclipse”, a pancadaria volta com tom agressivo característico do projeto one man band. Detalhe interessante é o de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a violência do som. A profundidade atmosférica, intensidade emocional e composição madura faz de Ungoliath um artista a ser observado e mantido no radar dos fãs do estilo.

“The Cosmic Bind” continua a brutalidade, cm seus riffs rápidos e o som sombrio e obscuro bem característico – um artista ótimo para o lineup do Inferno Festival. Enquanto,”Rise From Ruins” volta com o órgão, instrumento celestial, que mantem o clima pagão, sombrio e misterioso, dando caminho para bateria bem composta, os riffs técnicos e o clima mais melódico – uma das canções que mais gostei.

Preparando o ouvinte para os ritos finais, “Stormbound Elegy” vem com um ritmo que explode de agressividade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça, com rapidez e toda técnica da segunda onda do black metal, puramente noruegues. Essa faixa é a aquela que descreve perfeitamente suas influência clássicas e oldschool.

Para encerrar, “Born Through Ashes” entrega uma faixa dilacerante, com vocais marcantes, utilizado em todo o disco com tom mais graves e roucos, que adicionam profundidade e agressividade – nesse disco não é usado s famosos vocais  gritos agudos. A faixa se apresenta como um encerramento épico, afinal é a faixa mais complexa e diferente do disco, com variações rítmicas e um trabalho de solo mais melódico, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável.

No entanto, é importante notar que Ungoliath não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de black metal. O artsta pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som que, embora bem executado e fiel às raízes do gênero, não oferece grandes surpresas ou inovação.

Para aqueles que são fãs de bandas como Emperor e principalmente Mayhem, Immortal, Ungoliath oferece exatamente o que se espera: riffs rápidos, vocais guturais roucos e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de black metal clássico, ‘Shadows Of The Eclipse’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero sem explorar novos territórios sonoros.