Resenhas

Speak for the Dead

Speak for the Dead

Avaliação

9.0

Speak for the Dead, direto de Santa Rosa, Califórnia, lança o autointitulado, álbum de estreia um após o aclamado single “9 to Life”. Segundo a nota à imprensa, o disco “é sujo, rápido e tão alto que deixaria o próprio Lemmy surdo para sempre”. Escrito, ensaiado e gravado em ritmo alucinante, o álbum transborda frescor, espontaneidade e energia bruta.  Esta estreia chega lapidando um som que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, esse novo disco é a prova de que a banda encara o rock como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado.

A jornada começa com “Whatever It Takes…”, uma abertura rápida e explosiva: riffs secos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sem massagem, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra. Formada por músicos veteranos, incluindo ex-membros do Thought Vomit, X-Method, Resilience e Hatchet, Speak for the Dead pode ser considerado uma novata na indústria da música, no entanto, a sofisticação de suas músicas mostra que tem um conhecimento muito além daqueles novatos.

Logo depois, “The World We Know” mantém o peso, agora com grooves e muitos momentos de pré-tensão: baixo pulsante, vocais que exploram nuances entre o agressivo e limpo, lembrando como a escola do punk e thrash metal podem se cruzar. Estamos na segunda faixa mas já é notável que os vocais irão carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição marcante.

A sonoridade em geral mescla peso do rock’n’roll entre os anos 70 e 80, com um apelo do thrash metal e atitude punk resultando em músicas que equilibram agressividade contida com passagens introspectivas. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional. A voz é talvez o elemento mais reconhecível: dramática, carregada e sempre colocada em primeiro plano, com um tom de urgência e tirada do amargo.

“Fighting in the Pit” entrega mais raiva e velocidade, traz um ambiente denso na introdução com baixo ardente e depois nos joga em um thrash mais moderno, riffs intencionalmente para cima, que sugerem momentos de êxtase, e tudo isso sem perder a veia punk rock que a banda não esconde. Essa faixa coloca a banda no que chamo de New Wave of Thrash Metal.

Enquanto “Rearview Riot” explode em um metal pesado com uma base rítmica sólida e riffs fortes, essa batida é ótima para curtir um show, com muito mosh. A música perfeita para isso. A instrumentação traz algo mais metalizado, uma energia diferente de todo o disco, até sermos surpreendidos com a potência vocal, e um refrão que com certeza fará o público do show cantar junto, como os bons hist do Metallica. “Headwound” mantém a rapidez do metal, trazendo modernidade ao mesmo tempo que reflete o oldschool, com a pegada do metal mas muita energia do punk, principalmente nos vocais raivosos em dupla.

Na sequência, “Take Back the Streets” chega com uma pegada agressiva do punk e thrash metal, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderoso, a faixa ideal que msotra a combinação perfeitamente elementos de motorcharge, d-beat e thrash. Como a própria banda definiu: “Equilibram o sombrio com o inspirador, fazendo você sentir medo do futuro e, ao mesmo tempo, estar pronto para lutar até a morte por ele, enquanto abordam questões sociopolíticas e existenciais, mantendo-se inequivocamente anti-autoritários do começo ao fim”.

“Lights Out” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com aquela vibe do rock’n’roll dos anos 70, que iria fazer Lemmy se apaixonar. Essa faixa também conta com os riffs ardentes, baixo pulsante e bateria pesada, com vocais diferenciados e aquele refrão em hino. Chegando a “Dread”, o clima fica robusto e cheio de inspiração de bandas como DRI, Discharge e mais. Os riffs/bateria rápidos se misturam, quase sempre ancoradas em afinações mais graves.

Em “Eternal Night” somos novamente jogados ao peso e densidade, com riffs e vocais de energia única e uma construção que quase beira o progressivo. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho thrash metal dos anos 80, com energia para entrar em um mosh. A faixa prepara o terreno para os atos finais, mas trazendo ousadia com uma batida constante, com riffs e vocais inspirados no Slayer.

O fechamento fica com a faixa-título, que entrega um final que soa como uma explosão de sentimentos, um som com mais melodia, vocais graves, rapidez, e um pitada de hardcore. A faixa perfeita para dar nome ao disco, uma obra de arte que vai encantar desde os fãs mais tradicionais do estilo até os que abraçam bandas novas.

No entanto, é importante notar que Speak for the Dead não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de punk/thrash metal. O grupo pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som que, embora bem executado e fiel às raízes do gênero, não oferece inovação. Mas é inegável o as influências de alto padrão, além do talento nato dos músicos, que apostaram na receita clássica do estilo, sem cometer erros.

Para aqueles que são fãs de bandas americana como Motorhead, Slayer, Metallica, DRI, Power Trip oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais que impõe presença, vibe nostálgica e pedrada uma atrás da outra. Para os apreciadores do estilo, ‘ Speak for the Dead’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero  entregando hits que conquistam.