Resenhas

Suicidal Strain

Add Zedd

Avaliação

8.5

Add Zedd chega com seu novo álbum, Suicidal Strain’, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de pop rock, dream-pop e atmosferas eletrônicas melancólicas, com linhas de pianos e orquestração que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 14 faixas mergulha na poesia romântica, na música emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. E este álbum é mais um passo firme na jornada sonora de Add Zedd , idealizador do projeto, que adiciona um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.

A abertura com a apropriada “Hello”  já mostra suas origens enigmáticas. Um pop rock sombrio com sentimento profundo, muito semelhante a sons que vão de Cocteau Twins a Dead Can Dance. Logo na primeira faixa o artista transmite sua lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte. Add Zedd é um compositor e produtor independente focado em música emocionalmente intensa, onde o disco molda a sensibilidade cinematográfica da música: as canções se desenrolam como cenas encenadas, com paisagens intensas, conferindo aos discos um apelo narrativo distinto.

Toda a música foi composta, gravada, produzida, mixada e masterizada de forma independente em um estúdio caseiro. Em “Always Care” temos guitarra de blues, sintetizadores e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais sensual e dançante, típíco de bares de jazz mas cm pegada de bandas como Opeth e katatonia. Os vocais descolados e inspirados nos anos 90 trazem uma autenticidade difícil de ignorar. O disco tem variações de sentimento, na “Emotions – Part I”, o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação, em menos de um minmuto. Em seguida, “Breakdown” mantém o clima introspectivo mas com reverberação nas vozes, linhas de piano, bateria e outros instrumentos pouco convencionais, criando um clima mágico e claro – reforçando que o disco foi construído em torno de forte dinâmica e estruturas de música não convencionais.

Chegando na faixa-título, o piano já começa profundo e cortante, a canção toca na alma, e como o proprio artista disse, é uma música “emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo”. A faixa traz muitos elementos do rock, com uma pegada depressiva e envolvente. “Breathing by Spring” resgata uma pegada old school do rock alternativo sombrio, com vocais efortes e marcantes, e sintetizadores dando um toque especial com riffs pesados. “Don’t Touch” resgata o trip hop robusto e denso com riffs de guitarra despojados e sintetizadores misteriosos, um hit de primeira linha que lembra o Massive Atack ou Niin Inch Nails, dignos de trilhas sonoras de filmes de horror – uma faixa muito cinematográfica.

Já “With or Without You” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas de violão do folk, e vocais de arrepiar – mais ousado ainda é a mudança repentina de ambiete para os pianos depressivos e encantadores, mudando a intensidade da faixa. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte.

Na seguinte, “Togheter Blind”, explora som mais soturno, onde os riffs característicos do rock dos anos 90 se destaca com uma linha minimalista e poderosa. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados nos hits da época. ” Only One Way” inicia com violinos sonhadores e um tom orquestrado, outra faixa perfeita para trilhas sonoras. A ousadia nessa obra é fundamental para o DNA do projeto, permitindo que cada lançamento soe como um novo capítulo, em vez de uma repetição de uma fórmula fixa.

“Parting” tenta dar contraste à faixa anterior, mas mantém o clima assombroso e misterioso, prendendo o ouvinte e o convidado para desvendar todo esse mistério que o artista proporciona, em uma faixa totalmente isntrumental. “Raguel” é melancólico mas intensa, trazendo pianos mais suaves e toda angústia que se espera de uma faixa desse estilo, mas com bateria mais despojada, como uma declaração.

“Your Silence” é uma prece sombria, marcada por um som ressonador que parece invocar algo ancestral com vocais maravilhosos que carregam este disco de um jeito depressivo mas satisfatório. Essa faixa retorna ao cinzento, lembrando as faixas iniciais do álbum e preparando o terreno para o fechamento. Aqui sentimos a energia do inverno, com um instrumental mais acústico e que lembra tons etéreos de Lacrimosa, emocionante. Acho que é a faixa que mais gostei, com toda a escuridão e melancolia.

Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos uma faixa bônus de “No Emotion”. Aqui, Add Zedd nos leva de volta ao rock de garagem, elegante e nostálgico, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo – mas não tire conclusões até ouvir a faixa inteira. Add Zedd entrega uma obra que mistura ousadia, melancolia e experimentação, tudo com um toque místico que só eles sabem fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez, pois foi criado fora de tendências e algoritmos, com a intenção de que os ouvintes o vivenciem como um ciclo emocional completo.