Resenhas

The New Dark Ages

Gwar

8.5

Os loucos do Gwar estão de volta, com "The New Dark Ages", o 15° quinto álbum desta banda de Richmond, Virginia, que já já chega aos 40 anos interruptos de existência. O sucessor de "The Blood of Gods" veio cinco anos e uma pandemia depois e mostra o bom e velho Gwar de volta. Já era passada a hora de ver um disco de inéditas.

O conceito do álbum “The New Dark Ages” está ligado ao livro “GWAR In The Duoverse of Absurdity“, no qual a banda é sugada para um universo alternativo para lutar contra seus gêmeos malignos e o espectro da tecnologia desonesta. Nossos heróis passam por um caleidoscópio de heavy metal pesado e “rock-n-fucking roll“, construindo seus mitos hilários, apresentando novos personagens legais e catalogando o abandono infeliz da humanidade.

Por enquanto o álbum só está disponível nas plataformas digitais. O CD físico será lançado em 16 de julho, juntamente com o livro, enquanto que as versões em vinil e cassete serão lançadas somente em 15 de setembro, via Pit Records, lá no exterior e sem previsão de lançamento em terras tupiniquins. Como a espera foi longa, vamos direto ao ponto e passear pelas 14 faixas que os caras colocaram neste mais recente petardo, oficialmente lançado em 03 de junho.

A faixa título é bem Heavy, pesada na medida certa e abre bem o play, que prossegue com a pesada e densa “Blood Libel“. Os timbres escolhidos pela dupla de guitarristas está bem simples, porém, bem robusto. Muitas vezes a simplicidade faz toda diferença. Em “Beraeker Mode“, os caras buscaram inspiração na NWOBHM, principalmente no Judas Priest, com direito a dueto de guitarras. A música tem um andamento mais acelerado e é um dos grandes destaques do álbum.

Mother Fucker Liar“, a faixa que dá sequência é com certeza o ponto alto do disco, com ótimos riffs de guitarra, que duelam com a bateria poderosa, fazendo a música viajar pelo Hard ‘n’ Heavy. A melhor do play. “Unto the Breach” é bem pesada e arrastada, na linha do Danzig, quase um Doom Metal. O disco segue espetacularmente bom. “Completely Fucked” é outra bela música, um poderoso Heavy com pegada oitentista, que nos faz bater cabeça sem pensar no amanhã. E depois de escutar essa faixa, impossível não fazer um trocadilho com seu título. Está tudo completamente f… No bom sentido da palavra, claro.

The Cutter” é a faixa número sete e é um baita Crossover Thrash, onde a banda alterna partes rápidas com outras mais cadenciadas, ajudando a manter o elevado nível da obra. “Rise Again” começa um tanto quanto psicodélica, dando a impressão de que vai ser um ponto fora da curva, mas a música cresce a medida que se desenvolve e vira um baita Hard Rock.

The Beasts Will Eat Itself” mantém a banda navegando pelo Hard Rock, mas desta feita com pitadas de Southern Rock, bem interessante. Em “Venom of the Plapytus“, temos a banda fazendo uma mescla de estilos, desde o flerte com o Doom Metal nas estrofes, até o Punk Rock californiano no refrão, deixando as coisas bem interessantes. “Ratcatcher” faz a banda soar mais comercial, radiofônica. A música é certinha e vai agradar a quem está sendo iniciado no Rock.

A faixa de número onze é “Bored to Death” devolve as coisas para o Hard Rock, sendo uma das mais pesadas do disco, com riffs que se repetem à exaustão. Temos a trilogia final que começa com a intro chamada “Temple Assent (Death Whistie Suite)”, que mais se parece com trilha de filme de suspense. Em seguida, temos a complexa “Starving Gods (Death Whistie Suite), onde temos uma gama de elementos presentes aqui, como o Hard Rock, toques de Metal Progressivo e até mesmo um pouco das batidas tribais que o Sepultura costuma utilizar atualmente. E o final com “Deus Ex Monstrum (Death Whistie Suite)” traz dez minutos de puro experimentalismo, que incluem sons de filmes de terror, dedilhados de violão, batuques de percussão em uma viagem bem chata, que não vai pôr tudo a perder, pois as faixas anteriores são simplesmente mágicas. O ouvinte pode poupar dez minutos de sua vida e ficar com as faixas restantes.

O álbum é um tanto quanto extenso: 76 minutos, dos quais somente os dez últimos ficaram bem abaixo do que a banda é capaz de apresentar. No mais, temos uma banda louca, sem um estilo definido, fazendo um baita som, cada um dando conta do seu espaço, juntando tudo no liquidificador e resultando nessa maravilha que é esse “The New Dark Ages“, um título bem sugestivo para esses novos tempos escuros que vivemos, de negacionismo, celebração do ódio e o preconceito sendo destilado por toda a parte. Felizmente temos este quinteto maravilhoso que mostra que ainda vale a pena estar neste mundo, ainda que vivendo tempos difíceis. Os caras acertaram em cheio e passaram de ano com louvor.

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