Resenhas

The Zealot Gene

Jethro Tull

9.5

Quando uma lendária banda com mais de 50 anos de atividade lança um novo álbum, a tentação de se comparar o novo material com a “fase áurea e amada” da referida banda é enorme. Procurando afastar esse pensamento e não esperar um novo “Songs From The Wood Part II” ou “Aqualung – The Legend Continues”, me dediquei de corpo e alma a apreciar “The Zealot Gene”, 22º. álbum de estúdio do Jethro Tull que teve seu lançamento pela gravadora Inside Out Music e edição nacional pela Hellion Records.

O ultimo álbum de estúdio do Jethro Tull, “The Christmas Album”, data de 2003. De lá pra cá lançamentos ao vivo, reedições com faixas bônus e alguns álbuns solo de Ian Anderson, sendo que os últimos, “TAAB2” de 2012 e “Homo Erraticus” de 2014, contam com a participação da formação que toca neste álbum.

Vendo assim, podemos concluir que “The Zealot Gene” é a continuação da obra de Mr. Ian Anderson.

Embora não seja um álbum conceitual, “The Zealot Gene” possui um tema que une as suas 12 canções: a Bíblia Sagrada, onde cada música possui um trecho deste livro que serviu de inspiração – o encarte do álbum informa qual.

“Mrs. Tibbets” fala de destruição em massa e Ian Anderson canta “e talvez se Pedro não tivesse se afastado / E se aquele Judas não roubasse nenhum beijo / e se, e se, Enola Gay?”. Com um instrumental bem característico do Jethro Tull, essa musica foi uma ótima escolha como faixa de abertura e é um dos grandes destaques do álbum.

Falando em destaques, eu poderia aqui citar praticamente todas as musicas já que o álbum possui um nível altíssimo de composições e, cada vez que ouço, me deparo com surpresas agradáveis que havia deixado passar.

Obvio que algumas canções me pegaram logo na primeira audição como a já citada “Mrs. Tíbbets”, a faixa título que fala do extremismo religioso e dos males que ele pode causar e da excepcional “Mine Is The Mountain” com uma letra acida que diz “então pense em mim com carinho, apesar da fúria / o desabafo, o delirante, o tom ameaçador / pois eu sou o pai, o poder e a glória / E agora, pelo amor de Deus, gentilmente me deixe em paz / A montanha é minha”.

E, apesar das letras terem me chamado muito a atenção, a parte instrumental chega a emocionar em alguns momentos com passagens belíssimas.

Com Ian Anderson como único musico remanescente da formação original e um time de músicos extremamente competentes, tudo que a banda fez na carreira está muito bem representado: um vocal característico (e hoje em dia mais suave, afinal estamos falando de um senhor de 74 anos) e sua flauta mágica, solos “viajantes” de guitarra e teclado, uma cozinha muito bem sincronizada…tudo muito bem encaixado como em um quebra cabeça.

“The Zealot Gene” é mais uma obra de arte na discografia irrepreensível do Jethro Tull.

Formação:

Ian Anderson: vocal, flauta, violão, bandolim

Florian Opahle: guitarra

David Goodier: baixo

John O’Hara: piano, teclados

Scott Hammond: bateria

Joe Parrish-James: guitarra (faixa 11)

 

Tracklist

Mrs. Tibbets
Jacob’s Tales
Mine Is The Mountain
The Zealot Gene
Shoshana Sleeping
Sad City Sisters
Barren Beth, Wild Desert John
The Betrayal Of Joshua Kynde
Where Did Saturday Go?
Three Loves, Three
In Brief Visitation
The Fisherman Of Ephesus

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