Resenhas

Torch

No Clue

Avaliação

7.0

No Clue, um projeto sueco de nu metal, emerge com seu EP ‘Torch’, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais moderno do gênero. No Clue, combina suas diversas influências em um som dinâmico e explosivo e entrega uma performance densa e agressiva em todas as 5 faixas do disco. Com uma combinação engenhosa de passagens metal e rock alternativo, cada faixa deste álbum mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, repleto de inquietação. Segundo comunicado à imprensa, “funde agressividade crua, grooves pesados ​​e intensidade carregada de emoção.”

O novo EP combina letras introspectivas com um instrumental que alterna entre impulsos nu metal, texturas alternativas e construções cinematográficas, criando um disco de faixas curtas, onde cada música funciona tanto como afirmação emocional quanto como explosão sonora.

E a banda já prova isso na abertura com “Torch”, a faixa que carrega o nome da obra, um convite para o mundo pesado e emotivo, com riffs pesados e melódicos e vocais intensos, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som melancólico mas agitado do metal alternativo, em especial o nu metal, que vem ganhando notoriedade em um revivel incrivel. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, com letras que exploram sentimentos – Aqui já notamos influência do Disturbed.

Em “Black Water” o tom agressivo característico do metal alternativo continua. Um ponto interessante é o detalhe de sentirmos como se fosse um CD de uma banda dos anos 2000, que pegamos para ouvir. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção característica na voz. Sem dúvidas, é a faixa mais comercial do disco, perfeito para rádios, podendo se tornar um hino. A faixa entrega riffs mais densos e melódicos, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional de Disturbed e até Machine Head, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo.

Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “Raise Your Horns”, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Aqui a band ajá traz uma influência do power metal, com os clássicos riffs rápidos, é perfeitamente mostrado aqui. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito que faz o público cantar junto, com um coro épico e agudos mais influenciados por Halloween e Blind Guardian.

“Fractured Faith” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardentes, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e a mais emotiva do álbum, mergulhando no terreno da introspecção noturna, refletindo sobre pensamentos que surgem longe da luz do dia. “Ghosts Of Summer” explode com uma base rítmica sólida e riffs fortes, peso e agressividade, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio de mosh, mas ainda assim mantendo o clima melódico, com letra que evoca lembranças de tempos passados.

Preparando os ritos finais, “Find My Way Back To You” continua a brutalidade mas com melancolia e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça. Aqui o clima muda para uma vibe mais metalcore dos anos 2000 e moderna, mudando todo o conceito. Os vocais dão uma nova textura, em uma tempestade sonora, mas mantendo a energia das bandas emo, mas algo que passeia entre Linkin Park e A Day to Remember. Essa música tem muita influencia, entrega riffs de guitarra memoráveis e vocais agressivos, onde somos surpreendidos com vocaismelódicos e guturais típicos do metalcore, a bateria segue o ritmo denso e potente, fervendo, junto com o baixo que marca forte presença que mantém o clima denso, para criar um som mais acessível e memorável.

Para encerrar, “Rise Like Fire” volta ao tom do nu metal, mas antes que nos acostumemos, ela entrega os hinos épicos do power metal, mas mantendo o som denso e sombrio, e a energia moderna. ‘Torch’ traz uma mistura mais distintas de dois estilos, com características bem notáveis, e mesmo que pareça estranho ler isso, misturar coisas distintas, o disco não é uma mistura sem propósito, são músicas diferentes, cada uma com sua influência, e é lega.

No entanto, é importante notar que No Clue não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de nu metal e quando o assunto é inovar, o grupo pisa no freio para criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, mas com a inovação e auxilio de Inteligência Artificial. Para aqueles que são fãs do estilo nu metal, a banda oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais melancólicos e fortes e uma atmosfera rebelde. Para os apreciadores de power metal, também é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero sem explorar novos territórios sonoros.