Resenhas

Turning Water into Wine

The Basement Rocks

7.0

Temos o disco de estreia do The Basement Rocks, um Power-Trio de Guarulhos, região metropolitana de SP. Na ativa desde o ano de 2003, a banda começou tocando versões covers de bandas clássicas, até que arregaçaram as mangas e lançaram o álbum de estreia, Turning Water into Wine, no 2020 de pandemia.

Na base do lema punk “Do It Yourself” (faça você mesmo), os caras criaram um home studio, gravaram as nove músicas que compõem este play e lançaram com a cara e a coragem, de forma independente. Ponto para os caras. O que se ouve aqui não tem nada de punk, é o bom e velho Rock and Roll. A própria banda assinou a produção.

Hold on” abre o trabalho e o que percebemos é uma banda apostando num Rock and Roll bem honesto, com uma pegada bem Southern. “Going Home” é a próxima e o Rock and Roll segue dando as caras. O detalhe que aqui os riffs lembram muito aos de outra banda paulistana: o Baranga.

The Truth You’ll Never Know” tem uma pegada bem AC/DC. Os riffs são limpos, limpos até demais. Isso tem um lado bom, pois se percebe a qualidade da banda, ou seja, eles não estão apenas fazendo barulhos sem quaisquer conexão. Mas em contrapartida, demonstra uma imperfeição, talvez da produção: faltam mais punch nas guitarras punch, o som não é pesado e isso prejudica o desenvolvimento da banda.

Por sorte, “Another Time” traz a banda apostando em uma balada, muito bonita por sinal. Uma música mais calma, com muita melodia e com aquele clima do velho oeste. Um solo cheio de feeling é o ponto alto desta canção. “Long Road” já mostra o retorno ao Rock and Roll e mudando o timbre da guitarra, o que melhora um pouco, mas ainda falta peso.

Wherever the Wind Blows” tem uma bela introdução e ela se desenvolve com fortes influências setentistas, sobretudo de Neil Young. Boa música, a mais longa do play, com mais de seis minutos. “How Long” mostra a banda abusando da competência, cada um em seu respectivo instrumento. É Rock and Roll sem frescura, só a única ressalva que faço, ainda que seja repetitivo: falta o danado do peso. Essas músicas ficariam ainda mais poderosas.

Just Another Fallen Star” fica no meio termo entre uma balada e uma música mais Rock and Roll e mostra boas idéias, que embora não comprometa, também não decola. “Keep Moving on” encerra o play de maneira bem honesta, novamente apostando no Southern Rock, mostrando bons riffs e um solo muito bem elaborado.

Após 43 minutos de puro Rock and Roll, ficamos com uma boa impressão do grupo. Os caras sabem o que estão fazendo e são bons em seus instrumentos. Minha única ressalva é na falta de peso. Óbvio que não estou aqui pedindo para que eles soem como Cannibal Corpse ou Deicide, pois nem de longe é a proposta musical do grupo. Mas a produção poderia caprichar e deixar as guitarras com um pouco mais de punch. Que nos próximos álbuns eles mantenham essas influências setentistas, mas que possam dar a sua cara ao som impondo mais peso nas composições.

Faixas:

01 – Hold on

02 – Going Home

03 – The Truth You’ll Never Know

04 – Another Time

05 – Long Road

06 – Wherever the Wind Blows

07 – How Long

08 – Just Another Fallen Star

09 – Keep Moving on

Formação:

Evandro Cardoso – vocal/ guitarra/ bateria

Paulo Ladeira – guitarra solo

Rodrigo Souza – baixo

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