Resenhas

Visions Through Amber

Noctæra

Avaliação

8.5

Noctæra, direto da França, é uma dessas vozes que chegam para transformar ambientes. Sua banda emergiu na cena musical trazendo um som que mistura o folk cru, o pop e o rock, de maneira sofisticada, em canções que oscilam entre força e fragilidade, com toques orientais. Em ‘Visions Through Amber’, seu segundo álbum de dez faixas, Noctæra se entrega de forma madura, explorando camadas instrumentais ricas e sedutoras, que soam tanto nostálgicas quanto frescas.

A faixa-título, “Visions Through Amber”, é a porta de entrada perfeita para esse universo. A voz de Noctæra denomina de imediato,  aliada a linhas de violão suaves que guia a melodia, enquanto os pianos e violinos se entrelaçam suavemente. A execução vocal mescla o idioma francês e o inglês, é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativo. É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de emoção.

“A Little Peek” traz uma batida mais cadenciada, mas sem perder o charme. É uma faixa que aposta em nuances de folk pop, com instrumentos nada convencionais que dão o charme, e uma linha de baixo simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa.

“Comme Un Ailleurs” chega como um hit do disco, com uma percussão marcada e uma guitarra simples mas muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, Noctæra abusa do que chamamos de refrão hit, a canção tem levada e um refrão totalmente cativante. Aqui há mais intensidade, sonoridade marcante, com influências francesas e o toque oriental em destaque, além do rock sutil e o poder dos seus vocais. É uma faixa que tem um potencial tremendo, funcionando como uma injeção de ânimo.

Na canção “La Machine Qui Vibre” a artista multifacetada buscou um som mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva inspirada totalmente em tons orientais e um violino folk. A produção aqui é mais “espacial”, com silêncios bem posicionados e uma sensualidade sutil, deixando espaço para cada nota se expandir. É uma faixa que exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade, há uma sensação de relaxamento, dançar com o vento, se sentir livre.

A seguinte, “The Keep’s Keeper” faz jus ao nome, combinando camadas etéreas de teclado com uma linha de instrumentos de corda regionais e místicos, abafado e ligeiro. A voz de Noctæra brinca com os elementos de pop e folk da faixa que fica em nossa mente. Há um peso e energia completa do folk, com os vocais etéreos que já são a assinatura de Noctæra, uma sonoridade “de fada” ou “viking”, criando um estilo único e emocionalmente profundo.

“Lalasomnia” volta com uma energia renovada, mas mantendo o clima folk, onde os elementos de pop contemporâneo ganham protagonismo, em uma faixa que combina dança e coreografias. “Let’s Just Stay” traz um folk rock mais denso e relaxante, com instrumentação sutil e técnica, mas dando espaço para os vocais brilahrem – vocais mais voltados ao pop comercial, mas com toques sutis de rock – lembrando Amy Lee e Sharon den Adel.

“L’lnavouée” entrega um tom sombrio e misterioso, com batidas fortes e o peso tradicional do rock. Uma faixa perfeita para trilha sonora de filmes – é a faixa que mais gostei. Se preparando para o encerramento, “Nuits Crevées” cria uma sensação de liberdade, uma faixa que é pura nostalgia e liberdade. Uma vibe mais dançante, vocais cantados em francês trazendo a sensualidade e tom único da língua, com um dueto em vocais masculinos que deixam o tom mais sensual e apaixonante. Outra faixa que me encantou, é preciso ouvir para entender…

O álbum fecha com “Requiem For The Lonesome”, faixa que retorna ao Noir, criando uma atmosfera mais synth perfeita, mesclando com pianos sentimentais. É o fechamento ideal, carregado de presença e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é ‘Visions Through Amber’.