Resenhas

Way of Perdition

The Damnnation

8.5

Temos o debut álbum das meninas do The Damnnation mostrando que um país extremamente machista pode mostrar que as nossas garotas podem fazer um som bom, pesado e técnico. A banda é um Power-Trio capitaneado pela já conhecida vocalista/ guitarrista Renata Petrelli, que tem passagem pelo Sinaya e nos presenteia com Way of Perdition, o disco de estreia, a ser lançado no próximo dia 6 de maio

Formada em 2019, em um mundo pré-pandemia, o The Damnnation reúne além da já citada Renata Petrelli, a baixista Aline Dutchi, também com passagem pelo Sinaya, e a baterista Luana Diniz. Antes do debut, elas lançaram dois singles e um EP. “Way of Perdition” será lançado no exterior via Souseller Records em CD, LP e nas plataformas digitais. No Brasil, o play será lançado pela Xaninho Discos, selo que tem feito um trabalho digno de aplausos pelo Metal, tanto no apoio às bandas nacionais, quanto trazendo materiais das bandas gringas para o Brasil.

Contando com produção de Rogério Oliveira, o mesmo que já havia trabalhado no EP “Parasite“, a banda utilizou do “Flight Studio“, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, enquanto que a mixagem aconteceu no “Project Zero Studio“, em Nijlen, na Bélgica, pelo renomado Martin Furia, guitarrista do Destruction e que também trabalhou anteriormente com Eskröta, Nervosa e Bark. A arte da capa é de Alcides Burn e as fotografias são de responsabilidade da nossa companheira Jéssica Marinho, da HEADBANGERS NEWS. Vamos navegar pelas dez faixas presentes aqui.

Before the Drowing” é uma excelente faixa de abertura onde temos a banda executando um Thrash/Death com excelência, em uma música que mistura um clima épico com peso e brutalidade. Ótimo cartão de visitas. A faixa título mantém o nível em altitude de cruzeiro, com uma pegada mais melódica, porém sem perder o peso. Aqui, as meninas não passam nem perto do drama das bandas que não tem uma segunda guitarra, pois a baixista Aline Dutchi não deixa a peteca cair enquanto Renata Petrelli executa um belo solo.

Into the Sun” é a faixa número três e tem uma pegada a lá Carcass da fase Death ‘n’ Roll, como se o trio londrino tivesse recrutado uma mulher para o vocal. “This Pain Won’t Last” é bem pesada e alterna momentos mais arrastados com outros mais rápidos e um belo solo ao final.

Grief of Death” traz um clima épico em sua introdução e ótimos riffs de Renata, uma guitarrista muito acima da média. A segunda metade do play abre com “Randon Words“, onde as garotas destilam mais peso ainda em uma música mais arrastada, com boas melodias, principalmente no solo, que não fica a dever em nada para outros guitarristas badalados da cena.

Slaves of Society” tem os primeiros riffs da introdução que lembram bastantes os da música “Trumpets of Jericho“, de Bruce Dickinson, mas as semelhanças terminam na intro, pois a música aqui é muito mais brutal e mais pesada, a mais intensa de todo o play. O solo tem influências de Prog Metal. ‘Rotten Soul” é a faixa número oito é uma composição mais complexa, bem trampada e excelentes riffs, arrastados em grande parte de sua extensão, além de mais um belo solo.

No Hope Inside” é a mais curta do play, com menos de três minutos e é uma bela canção, onde as moças misturam peso e uma certa dose de melodia, enquanto que “The Greed” começa bem rápida e aos poucos essa velocidade vai dando lugar a andamentos mais arrastados, com direito a riffs que lembram demais a “Lycanthropy“, do Six Feet Under. Aqui, quem se destaca é Aline Dutchi, com belas linhas de baixo. Uma ótima escolha para fechamento do álbum.

36 minutos depois temos um grande play e a certeza cada vez mais absoluta de que o Brasil segue um celeiro dos bons de bandas pesadas. Um cenário musical lastimável, onde o Metal está longe de ser o estilo mais popular, ironicamente produz pérolas inestimáveis.  A banda esbanja qualidade e para desespero dos machistas de plantão, é mais uma banda feminina a brilhar. As músicas no geral possuem ótimas estruturas e aos poucos elas irão aprimorando ainda mais a sonoridade. Elas têm um futuro brilhante pela frente. Por mais bandas femininas na cena. O The Damnnation vai só mantendo o legado vivo com uma estreia bem acima da média. E com o selo “Made in Brazil”.

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