Resenhas

Welcome to Salem

Hexing

9.0

Se você acha que na Finlândia só existem bandas de Gothic Metal e de Melodic Death Metal, talvez seja melhor rever seus conceitos. Pois o Hexing pratica um Thrash Metal dos bons e nos brinda com seu debut album, Welcome to Salem, o qual iremos discorrer a partir das linhas abaixo.

O Hexing é um quinteto formado em 2021 na cidade de Espoo, localizada na costa sul da Finlândia, à oeste da capital Helsinque, sob o nome de Salem. Antes mesmo da primeira apresentação ao vivo, eles mudaram para o nome atual e lançaram seu álbum de estreia no último dia 20 de maio. A banda soltou um comunicado sobre o esperado primeiro álbum:

“Estamos super animados por finalmente poder lançar nosso álbum de estreia e começar a trabalhar com os discos do Wormholedeath. Tentamos misturar a energia e a crueza de muitas bandas de thrash metal da velha escola, como Exodus, Stone e Megadeth, com influências de vários subgêneros do metal, como o death metal. Muitas das músicas deste álbum apresentam riffs rápidos, quebras pesadas e muitos solos de guitarra.”

O álbum foi lançado pela WormHoleRecords e está disponível apenas na versão digital. A capa tem uma pegada meio Misfits e pode até não despertar muito interesse. Mas como o que nos interessa é o som, vamos apertar o play e passear pelas dez faixas contidas aqui.

A faixa título é um chute na porta, um belo Thrash Metal que nos remete ao Death Angel e Exodus  Pesada, brutal, agressiva, com riffs trabalhados. São menos de três minutos, mas os caras capricharam e fizeram um bom uso de cada segundo . Ótima impressão. “Shutdown Braun” é bem arrastada na intro, mas logo o andamento fica mais acelerado, trazendo mais influências do Thrash Metal oitentista. A impressão que temos é que esses caras são da Bay Area e não de um país nórdico. Que sonzeira.

Burn This City” pode fazer o ouvinte achar que se trata do Metallica revivendo os tempos de “Kill’em All“, pelo menos em seus riffs na introdução. A música se desenvolve com várias passagens alternadas e uma roupagem mais moderna ao Thrash Metal. “Death May Die” é a faixa número quatro e a brutalidade do quinteto segue em alta, com riffs que mostram as influências do Slayer fase “Show no Mercy“… Ou seja, os caras estão concentrados na Baía de San Francisco, ainda que separados por milhares de quilômetros de lá. Um belo solo, sem fritação é o ponto alto da faixa e um clima mais Progressivo dão o charme à música no seu final.

Em “Scream“, o espetáculo é por parte do baterista Ossy Kylliäinen, com viradas espetaculares logo no início. A dupla de guitarristas também não fica atrás, com riffs muito acima da média. A faixa que mais me chamou atenção no play, se é que dá para destacar alguma, tamanha a qualidade dos caras. Chega “Servants of Belial“, que abre a metade final do play e as influências do Exodus novamente se mostram bem explícitas, em uma música que é super convidativa para um moshpit tão destrutivo quanto a própria música. O solo, com melodias a lá “Fade to Black” é algo digno de nota máxima.

Whore of Babylon” é poderosa e combina a ira do Thrash Metal com seus riffs rápidos e potentes, com solos repletos de melodia. “Choose me or Choose Death” é aquele Thrash Metal mais trabalhado, com andamento nem tão rápido mas também não tão devagar, onde cabe a inserção de um belo solo, carregado de feeling.

Kill List” tem riffs hipnotizantes que vão se repetindo, combinados com uma bateria bate-estaca. A pegada aqui nos faz lembrar do Testament. E “Schizophrenia” é o ato final deste play e aqui temos um completo caos provocado por estes rapazes, que detonam tudo com mais um Thrash Metal que faz o ouvinte achar que está em alguma região da Califórnia.

São apenas 37 minutos de audição, mas que valem muito a pena. Ao final, você tem a sensação de que foi atropelado por uma carreta desgovernada e sequer consegue anotar a placa para “correr atrás do prejuízo”, que neste caso aqui é zero, pois temos uma banda coesa, pesada e fazendo um Thrash Metal com muita honestidade e competência. Super indicado para fãs das bandas da Bay Area. Eles conseguem deixar bem claras as suas influências sem parecer genéricas. A produção também é caprichada e reflete no produto final. Uma grata surpresa para um país que não costuma revelar bandas do estilo e séria candidata a revelação do ano

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