Resenhas

When U Were Mine

Ratfink!

Avaliação

9.0

Ratfink! chega com seu segundo álbum ‘WHEN U WERE MINE’, trazendo o que sabem fazer de melhor: uma mistura visceral de rock alternativo, dreampop e sentimentalismo, com toques de misticismo que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 11 faixas mergulha em temas de humores sombrios e introspecção, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. E este álbum é mais um passo firme em sua jornada sonora. Gravado com emoção sincera e essência da música DIY, adicionam um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.

A abertura com “Won’t Wait Forever” já mostra suas origens enigmáticas. Um indie rock suave com sentimento profundo, apresentando vocais suaves, sintetizadores etéreos e letras com as quais o público irá se identificar. Logo na primeira faixa o duo Liv e Raph, amigos de escola, transmitem sua lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte. As 11 canções conta com técnicas e simplicidade que infundem o álbum com um som único e cativante que o diferencia.

Em “About Ya” temos o slide guitars e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais trabalho e emocionado. A magia nesse trabalho está na simplicidade em gravar no apartamento que a dupla divide em Melbourne, sem glamour ou investimentos altos, como a própria banda contou: “foi gravado com um microfone de cinquenta dólares, uma guitarra de cem dólares e um laptop que sempre parece estar debaixo d’água porque ele conseguiu derramar cerveja nele uma vez. Ele acha que isso deu um toque especial às faixas.”

Os vocais descolados e angelicais trazem uma autenticidade difícil de ignorar. O disco tem variações de sentimento, em “Stevie”, o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa mais animada e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação, com efeitos feitos pelo computador, riffs e uma melodia suave.

“Plastic Bits” resgata uma pegada old school do rock alternativo com um tom mais robusto e denso e riffs de guitarra mais pesados e vocais mais marcantes, cantados em duo e que convidam o ouvinte a cantar junto – sendo a música mais ocmercial do disco. Já “Euphoria” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com os vocais de Liv mais graves, de arrepiar – aqui ela mostrou sua versatilidade em deixar de lado os vocais etéreos. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte, sempre quente.

Na seguinte, “Keep Ya Dreams”, a dupla entrega um som mais soturno, onde o sintetizador se destaca com uma linha rápida e poderosa, exalando o rock alternativo dos anos 90, com uma mudança brusca. A banda dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante. “Gay Song” inicia com linhas de violão minimalistas.  Nesta é suave e bem sentimental, mas a faceta vocal de Liv é novamente colocada em evidência, perfurando o coração do ouvinte.

“Here Be Heroes” é  denso e melancólico, trazendo o synth anos 80 misturado com o alt rock dos anos 90, com um guitarra acústico, sintetizadores e toda angústia que se espera de uma faixa desse estilo, junto dos vocais sempre dividos da dupla, refletindo sobre amigos, relacionamentos, assumir a homossexualidade e o estado do mundo natural. “Marigolds” volta ao violão acústico, com um bedroom pop suave, vocais etéreos de, criando uma ambiente cinzento e introspectivo. Esta música é marcada por um violão ressonador que parece invocar algo ancestral.

A décima faixa, “Zoe (u got dis)” mistura o rock alternativo animado e cheio de nostalgia, uma combinação que funciona surpreendentemente bem, comriffs e sintetizadores criando batidas contagiantes, seguidos pelos vocais profundo de Liv e Raph – vocais maravilhosos que carregam este disco de um jeito depressivo mas satisfatório. A música chega preparando o terreno para o fechamento. Acho que é a faixa que mais gostei.

Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos “When U Were Mine”. Aqui, Ratfink! nos leva de volta ao básico com uma faixa acústica, elegante e nostálgica, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo, mostrando exatamente a energia de criar músicas em seu pRoprio quarto com pouc recurso – e todo o encantamento que isso possui. Ratfink! entrega uma obra que mistura peso, melancolia e experimentação, tudo com um toque místico que só eles sabem fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez.