Resenhas

Whoosh!

Deep Purple

8.0

Whoosh! é o 21º álbum e o 5º com a atual formação do Deep Purple que esta reunida desde 2002 e conta com Ian Gillan (vocal), Ian Paice (bateria), Roger Glover (baixo) Steve Morse (guitarra) e Don Airey (teclado). A produção, assim como nos dois últimos álbuns, ficou a cargo de Bob Ezrin. Segundo Ian Gillan, o título foi escolhido por suas “qualidades onomatopaicas” e “descreve a natureza transitória da humanidade na Terra”. Whoosh! foi lançando mundialmente pela earMUSIC e no Brasil pela Shinigami Records.

Quando uma banda como o Deep Purple lança um álbum novo o maior desafio é ouvi-lo e tentar esquecer que a banda em questão lançou clássicos imortais como “Machine Head”, “In Rock” ou “Burn”.

Com mais de 51 minutos de duração, Whoosh! é um álbum longo para os padrões atuais onde uma parte dos “consumidores de música” não ouvem um álbum inteiro. Longo, mas em nenhum momento cansativo. A produção de Bob Ezrin soube acrescentar um toque de modernidade ao som característico do Deep Purple com canções mais diretas – apenas duas passam de 5 minutos.

O que define o álbum é a falta de compromisso. A impressão que passa é que os músicos estavam em casa e, de repente, alguém pensou “vamos reunir o pessoal, tocar um pouco e ver no que dá”. Ou como canta Ian Gillan na primeira frase de Throw The Bones – faixa que abre o álbum e uma das melhores – “I Don’t Know What Lies Ahed” (Eu não sei o que vem pela frente).

E o que “vem pela frente” é tudo aquilo que consagrou o Deep Purple em seus mais de 50 anos de carreira. Temos canções bem “anos 70” como Drop The Weapon e We’re All The Same In The Dark, um rock ‘n’ roll com um refrão grudento em What The What, hard rocks como a faixa que abre o álbum e todo aquele instrumental que só músicos brilhantes conseguem e da sempre marcante interpretação de Ian Gillan.

Dentre as minhas favoritas eu cito The Long Way Round onde a banda tem uma performance excepcional, Nothing At All com suas passagens belíssimas e Man Alive com uma letra que fala sobre a extinção da humanidade e Gillan declama “And so, the earth was cleansed” (E assim, a terra foi purificada).

Outra coisa que me chamou a atenção foi que a faixa instrumental que supostamente encerraria o álbum, And The Adress, trata-se da regravação da musica que abre o 1º álbum, “Shades Of Deep Purple”, lançado no ano de 1968. “Supostamente” porque a ultima faixa, Dancing In My Sleep, está creditada como bônus track.

O Deep Purple é uma banda que não precisa provar mais nada. Seus integrantes – já na casa dos 70 anos – poderiam estar aproveitando de uma merecida aposentadoria. E mesmo assim nos brindam com um ótimo álbum como Whoosh!

Em minha opinião trata-se do melhor álbum com esta formação e um dos melhores lançamentos deste caótico ano de 2020.

Faixas:

1. Throw My Bones
2. Drop the Weapon
3. We’re All the Same in the Dark
4. Nothing at All
5. No Need to Shout
6. Step by Step
7. What the What
8. The Long Way Round
9. The Power of the Moon
10. Remission Possible
11. Man Alive
12. And the Address
13. Dancing in My Sleep

Formação:
Ian Gillan (vocais)
Steve Morse (guitarra)
Roger Glover (baixo)
Don Airey (teclados)
Ian Paice (bateria)

 

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