Resenhas

Worm Infested

Cannibal Corpse

8.5

Quase 20 anos depois o EP Worm Infested foi finalmente lançado em terras brasileiras. E coube à Rock Brigade Records essa tarefa bondosa para com os fãs que admiram o trabalho deste quinteto de Buffalo, mas radicado em Tampa, Flórida, a capital mundial do Death Metal. Os caras não são de lançar os Extended Plays, tanto que este é o segundo de dois que os caras soltaram em mais de 30 anos de carreira. O primeiro foi o do maior clássico da banda, “Hammer Smashed Face”, onde a banda incluiu um cover para “Zero The Hero”, do Black Sabbath.

Muitos fãs, como este que vos escreve tinham apenas cópias em MP3 ou com o advento das plataformas digitais, se contentavam em escutar o play online. Mas fã que é fã quer ter a bolacha física e finalmente ela chegou em nossas mãos. Obviamente, serviu como um aperitivo para aqueles que aguardavam ansiosamente pelo mais recente petardo dos reis do Death Metal, o poderoso “Violence Unimagined”, lançado em abril deste ano e que dificilmente deixará de figurar nas listas dos melhores discos de 2021.

Lançado originalmente em 30 de junho de 2003 e em edição limitada, a bolacha contém apenas cinco faixas, sendo apenas duas inéditas, dois covers e uma faixa autoral já conhecida dos fãs, “The Undead Will Feast”, lançada originalmente no disco de estreia da banda, “Eaten Back to Life” (1990) e depois revisitada na versão japonesa do álbum “V.I.L.E.” (1996), que marcou a estreia do vocalista George Corpsegrinder Fischer. A versão para “No Remorse”, do Metallica, havia sido lançado como faixa escondida no disco anterior, “Gore Obsessed”, caso algum desavisado não tenha se atentado.

A produção foi assinada por Neil Kermon, à exceção de duas faixas: “Confessions”, cover do Possessed, que foi produzida por Collin Richardson e a conhecidíssima “The Undead Will Feast”, que teve a responsabilidade do mago Scott Burns. A banda já avançava a passos largos, rumo à um nível mais elevado em suas composições, dando ênfase à técnica, aliada a velha brutalidade, ainda que neste EP, a produção pareça ter propositalmente feito soar Old-School.

Bolacha rolando, o tempo é curto, são apenas 22 minutos e a abertura é brutal com a rápida e doentia “Systematic Elimination”, que tem o mesmo clima das músicas do álbum “V.I.L.E.”, porém, com muito mais técnica. A segunda faixa, que carrega o título do play, é uma das melhores músicas de sempre do Cannibal Corpse e é até uma aberração que esta nunca tenha entrado em um full-lenght e ela, juntamente com a primeira foi gravada nas sessões do álbum “Gore Obsessed”. Com vários andamentos diferentes, ela começa bem pesada e com um clima denso, vai ficando rápida e assim os caras vão incluindo outras mudanças na base. A letra fala sobre o desejo de um maníaco em fazer sexo com um cadáver de uma menina de treze anos. Parece bizarro e seria se fosse real, porém, o Cannibal Corpse apenas faz filmes de terror em forma de música e a pessoa que acha que a banda deve ser cancelada ou que leva esse tipo de letra a sério, com o perdão da palavra, caro leitor, é um (a) estúpido (a). Sempre será melhor uma banda que canta contos de terror do que aquelas que defendem xenofobia, caça aos animais ou presidente com tendências (N. do R: o termo foi um eufemismo, pois o cara é um fascista mesmo, genocida e responsável por quase 500 mil mortos) fascistas, cujo o nome dele é desnecessário dizer, vocês são inteligentes o suficiente para saber de quem estamos falando. Voltando a parte musical, a faixa é linda e o começo foi matador.

Terminadas as faixas inéditas, temos o belo cover para “Demon’s Night”, do nosso amado Accept. A versão ficou ótima e ela foi gravada durante as sessões do álbum “Gallery of Suicide” (1998). A velha conhecida “The Undead Will Feast” chega e como já citada no início do texto, ela foi regravada lá em 1996 para o álbum de estreia do frontman George Corpsegrinder Fischer, caracterizando a mesma formação que se manteve inalterada neste play e a diferença dela em relação ao álbum de estreia é o vocal que originalmente foi gravado por Chris Barnes, além da técnica mais apurada.

As duas faixas finais são os covers para “Confessions” (Possessed) e “No Remorse” (Metallica). A primeira ficou fantástica e foi gravada durante as sessões do álbum “Bloodthirst” (1999), já a segunda superou e muito a versão dos seus criadores. Sabemos que o Cannibal Corpse nos seus primordios era uma banda com tendências mais Thrash Metal e eles admitem isso, inclusive citando o álbum Beneath the Remains como influência, no encarte do disco “Eaten Back to Life”, que marcou o início da trajetória da banda. A música ficou bem mais pesada, mais bem executada e isso representou um ganho imenso. Não é minha intenção desmerecer o Metallica, até porque tudo que eles fizeram lá nos anos 1980 foi magnífico e essa música é linda do jeito que ela foi gravada, mas quando cai na mão de gente que domina muito melhor seus instrumentos, como esses caras aqui, a gente consegue perceber como eles conseguem melhorar o que já era perfeito.

Um disco rápido que você escuta em menos tempo do que degusta uma garrafa de vinho, mas que é certeiro. A curiosidade fica pelo fato de em 2005 o álbum ter suido banido da Alemanha, porém, no ano seguinte, a banda teve o direito de executar as músicas deste play ao vivo em solo germânico, porém, o álbum segue com venda proibida por lá. Nós brasileiros temos o privilégio de poder comprar essa bolacha. Vale a pena para o fã de Cannibal Corpse que coleciona tudo que os caras soltam. E vale a pena também para aquele cara que acha que Death Metal é apenas barulho desconexo. Esse precisa conhecer a mais técnica dentre as bandas mais brutais da cena.

Faixas:

01 – Systematic Elimination

02 – Worm Infested

03 – Demons Night

04 – The Undead Will Feast

05 – Confessions

06 – No Remorse

Formação:

George Corpsegrinder Fischer – vocal

Alex Webster – baixo

Jack Owen – guitarra

Pat O’brien – guitarra

Paul Mazurkiewicz – bateria

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Headbangers News e é de responsabilidade de seu autor.