Gravado em meio a uma jornada que atravessou fronteiras, ‘Eternal War’ apresenta o Eternal Katastrophy em sua forma mais agressiva. O álbum, lançado em 18 de outubro pela Slam Dank Records, reúne 7 faixas e pouco mais de 32 minutos de death metal marcado por vocais extremos, guitarras ásperas e bateria de execução contundente. Formado em Luanda, Angola, o grupo absorve referências de Sepultura, Napalm Death e Morbid Angel, mas também carrega elementos de sua própria trajetória no underground africano. Há uma sonoridade que privilegia a força dos riffs e a velocidade, com passagens que deixam transparecer a experiência adquirida nos palcos. A proposta não busca suavizar o impacto: o disco mantém uma abordagem intensa e direta, com uma produção que permite perceber o peso de cada instrumento.
A caminhada dos nossos irmãos do Eternal Katastrophy também passa pelo Wacken Metal Battle: em 2023, o grupo conquistou o terceiro lugar na etapa da África Subsaariana e, em 2025, venceu a seletiva angolana, chegando à final africana na África do Sul. No mesmo ano, também foi atração principal do evento The Eternal Darkness, na Cidade do Cabo. Agora, vamos à obra de arte ‘Eternal War’.
A abertura com a faixa-título é um convite para o mundo pesado e sombrio de Eternal Katastrophy, com riffs pesados e vocais guturais intensos que estabelecem o tom do trabalho, com uma sonoridade direta e pesada. Na sequência, “Lixeiro Obscuro” apresenta o lado mais sombrio da banda, sendo um dos destaques que ganhou um videoclipe totalmente animado antes da chegada do álbum. A faixa dá continuidade ao repertório com uma abordagem que alterna agressividade e passagens de maior elaboração instrumental.
Seguindo com “Cinzas”, uma faixa de mais de 6 minutos, que mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som gordo e distorcido do Death Metal mas com raízes e temática dos povo originários, lembrando muito a autenticidade e ousadia do Sepultura. Principalmente pelo língua portuguesa, que faz do Eternal Katastrophy ser uma grande aposta para os fãs no Brasil. A gravação aconteceu no Paradigm Audio, na Cidade do Cabo, África do Sul, com Jethro Harris responsável pela captação, mixagem e masterização. A experiência fora de Angola representa outro capítulo importante para uma banda que construiu sua trajetória no underground e que agora busca alcançar públicos em outros territórios.
Em “Inverso”, outra faixa longa, abaixa o tom mas mantém a agressividade característica do grupo, continua. Detalhe interessante é o detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a violência do som. Os vocais mesclam influências do death e black metal, e novamente, com versos em português “foda-se o inverso, foda-se o real”, onde a banda tem mais o estilo das bandas brasileiras, e isso é uma honra para nós. O refrão cantado em coro, com esse clima melódico, faz da música uma das melhores do disco, perfeita para cantar em coro em um show! Eu adorei, e irei apresentar para todos.
A segunda metade começa com “Sanguinário”, seguida por “Sick”, antes de “The Silence Is Better” encerrar o álbum. Essa sequência mantém a intensidade característica do grupo, que não procura suavizar a abordagem para tornar suas composições mais acessíveis. As letras, segundo o vocalista e guitarrista Gedeão Cláudio Soque, partem principalmente das experiências pessoais dos integrantes e de suas observações sobre o mundo.
O final com “The Silence Is Better” entrega uma faixa dilacerante e se apresenta como um encerramento épico, afinal é a faixa mais agressiva, que mescla os vocais e tem influências dos maiores nomes do estilo mais pesado do metal. Com variações rítmicas, rapidez e um trabalho de solo mais melódico, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável.
‘Eternal War’ tem como principal mérito apresentar uma banda que conhece suas raízes e não tenta esconder as dificuldades de construir uma carreira independente em um cenário ainda pouco representado internacionalmente. Mais do que uma demonstração de brutalidade, o disco documenta a persistência de músicos angolanos que procuram levar sua produção para além das fronteiras locais.