Resenhas

Floodgates

Fear Disease

Avaliação

8.0

O Fear Disease está chegando com o seu álbum de estreia entre nós. Intitulado “Floodgates”, que com certeza vai abrir muitas portas para a banda com base em Bocholt, Bélgica. Com influências que vão do Death Metal ao Groove Metal, a banda aborda temos líricos como guerras antigas, perseguição de gangues no século XVIII e acontecimentos históricos do país de origem da banda, que tem a seguinte formação: Hans Paesen no vocal e guitarra base, Mathias Paesen na bateria, Jonas Parren na guitarra solo e Cas Hegge no baixo.

Então, vamos ao que interessa, abrindo temos “Kill Or Be Killed”, que já chega com uma baita energia e a rápida percepção de que os vocais de Hans Paesen lembram bastante os de Corpsegrinder do Cannibal Corpse. A faixa abre o disco já deixando uma ótimo impressão de que vem coisa boa pela frente. Logo na segunda faixa, as coisas ficam mais rápidas com “Downfall”, com um certa pegada Thrash, tem mais velocidade e conta com harmonias que engrandecem a faixa, inclusive com um ótimo solo de guitarra. A terceira faixa é “No Man’s Land”, que mantém o alto nível, com uma dobradinhas das guitarras introduzindo um riff encantador, mas o destaque é a bateria intensa, que não precisa ser rápida para ser pesada e satisfatória.

“Stalemate” é mais agressiva e conta com um refrão mais marcante, além de ter outra vez uma pegada mais Thrash. “Ardent Apostate” chega mais pesada e mid-tempo em sua abertura, mas logo vem com os dois pés no peito do ouvinte, trazendo velocidade em tudo, inclusive com o pedais duplos trabalhando mais intensamente aqui. Mas a faixa não se prende só a isso e tem bastante mudança de tempo, passando pelo Death, Thrash e Groove em seus quase seis minutos.

“Victimized” tem uma passagem mais sombria que parece ser o refrão da faixa, com sussurros somados a um Groove e guitarras mais limpas. Inclusive o solo mais melódico dá um tom épico para o final da faixa. E voltamos com velocidade em “Static”, que apresenta também um ponte mais melódica e atmosférica, antes de voltar com um Groove incrível ao final da música. “Scorpio” é Thrash total, veloz, agressiva e com refrão pegajoso. Ainda tem o breakdown antes da ponte que poderia ter um solo de guitarra, fora, isso, ótima.

Assim como a outra faixa mais longa, “White King Of Black Death” tem o andamento mid-tempo, com mudanças de velocidade ao decorrer da performance, muito bom o trabalho nos pedais duplos, também no groove dos riffs e no vocal, que casa muito bem com o estilo proposto. Encaminhando para o final, chegamos em “End Of All”, que fala sobre os horrores da primeira guerra mundial, musicalmente com uma pegada Death Metal, bastante agradável aos ouvintes do estilo, guturais mais agressivos e velocidade nos riffs.

Fechando o álbum temos “Bokkenrijders”, que aborda o terror espalhado na região belga, dois século atrás, pela gangue do mesmo nome. Conta com riffs pesados e mais trabalhados, lembra bastante Amon Amarth por mesclar bem o peso com a melodia. Fecha o álbum muito bem e deixa o ouvinte querendo mais.

Em geral, as músicas transmitem uma sensação agradável de peso, com riffs que rasgam os tímpanos como uma faca cortando carne e, ao mesmo tempo, melodias harmônicas que deixam o som mais melódico em momentos chave. Você percebe influências de bandas pilares para a formação de qualquer banda de música pesada, como Cannibal Corpse, Megadeth, Machine Head e Judas Priest, a última principalmente nos riffs.

Uma estreia impressionante pela ótima produção, você consegue perceber a mixagem bem definida, ouvindo com clareza todos os instrumentos e, por mais que se trate de uma banda europeia, onde supostamente seria mais fácil produzir algo bom, sabemos que nem todos levam isso a sério e muitas vezes entregam álbuns com produção porca, ou seja, há muito profissionalismo, o que é a chave para o sucesso. “Floodgates” chega com força e com um leque de influências que vai agradar bastante os primeiros ouvintes do Fear Disease.