Joey Rival, guitarrista, vocalista, artista de gravação, músico de estúdio e compositor, lança novo EP ‘Creative Destruction’. Segundo a nota é uma obra curta, porém intensamente perturbadora, sobre inteligência artificial, alienação criativa, perda de controle e a erosão gradual da autonomia humana. O novo disco chega lapidando um som que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, o EP é a prova de que o músico encara o metal como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado.
A abertura com “We Are The Dark ” é um convite para o mundo pesado e sombrio de Joey Rival, com riffs pesados, pianos assombrosos e vocais guturais intensos. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som gordo e distorcido do Death Metal, mas mesclando com vocais melódicos que remetem ao metal industrial – lembrando muito Marilyn Manson -, mas também vocais guturais leves do death metal moderno, e segundo o artista, “a criatividade é ofuscada por sistemas digitais”.
Atente-se ao detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a violência do som, com quebras típicas do metal moderno. Outro detalhe interessante é o tom dos pianos, como se fosse uma história de terror (como sugere até sugere o nome da música) e uma sonoridade que traz toques do som dos anos 90 mas com um tom teatral de Avatar.
“Welcome Death” continua a brutalidade, mas agora sim sentimos todo o peso do death metal, que explode de agressividade com riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça – puro suco do metal, uma tempestade sonora. Essa faixa é ótima, com mudanças de ambiente e melodia pesada e técnica que conecta vício, vozes interiores e autodestruição com a dependência de estímulos artificiais.
É uma faixa dilacerante, com uma introdução pesada e vocais sensuais melódicos mesclado a guturais agressivos, que se apresenta como um encerramento épico, afinal é a faixa mais complexa e diferente do EP, com variações rítmicas e um trabalho de solo mais melódico, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável. A quebra de clima (mas digo isso com tom de elogio e audácia) vem com os pianos que já são marca registrada do som e que tornam a faixa mais melódica.
Encerrando o EP, “No Way Out” entrega linhas de sintetizadores memoráveis em uma introdução sombria que expressa todo sentimento e explode melancolia, ao mesmo tempo que é sombrio como som do Rob Zombie, Death Star e Marilyn Manson. A música arrastam o ouvinte em uma viagem com vocais angustiados e potentes mas com toda beleza agridoce que Joey consegue fazer, além de uma imensidão do artista que soubeu utilizar a técnica clássica mas incorporar tons modernos. Aqui Joey está mais forte do que nunca para expressar sua dor e dilui as fronteiras entre narrativa e virtuosismo musical.
A faixa soa como o colapso final: um mundo onde entretenimento, conveniência e controle se tornaram uma prisão. Há breakdown característico do metal moderno, bateria pesada e potente que toca na alma, e todo um jogo de instrumentação ´que é técnico ao mesmo tempo que é sincero, algo raro de encontrar nos artistas mais atuais. Tendo participado de várias bandas e projetos autorais (Rival Order), além de bandas tributo e participações especiais em outros grupos, Joey é fortemente influenciado por artistas de metal do passado e do presente, criando um estilo de composição único, oferecendo algo para todos os tipos de ouvintes.
É importante notar que Joey Rival se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de death metal/metal moderno. O músico não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado e fiel às raízes do gênero, mas que oferece grandes surpresas ou inovação. Para aqueles que são fãs do estilo mais tradicional, o duo oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais guturais e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de um com influências que inova, ‘Creative Destruction’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero mas explorando novos territórios sonoros.