Resenhas

In Spirit

Lana Crow

Avaliação

9.0

Lana Crow chega com seu novo álbum, ‘In Spirit’, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de pop rock, indie e atmosferas eletronicas melancólicas, com sintetizadores e orquestração que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 7 faixas mergulha na poesia romântica, na música emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. E este álbum é mais um passo firme na jornada sonora de Lana Crow , que adiciona um toque pessoal a cada faixa,  explorando o conceitual da jornada humana, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.

A abertura com a apropriada “I Do”  já mostra suas origens enigmáticas. Um classic rock sombrio com sentimento profundo, muito semelhante a sons de ethereal rock que vão de Cocteau Twins a The Birthday Massacre. Logo na primeira faixa, a artista transmite sua lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte. Lana Crow é uma cantora e compositora britânica cuja música serve como um “diário musical” de resiliência, reinvenção e honestidade radical. Focado em música emocionalmente intensa,  o disco molda a sensibilidade cinematográfica da música: as canções se desenrolam como cenas encenadas, com paisagens intensas, conferindo aos discos um apelo narrativo distinto.

Segundo o release, o disco marca seu projeto mais introspectivo e conceitualmente ambicioso até o momento, centrado na constatação de que nosso verdadeiro propósito é aprender a viver “em espírito”, a transcender o ruído da vida moderna e retornar a um estado de clareza e paz interior. Em “Orwellian Times” temos guitarra de pop rock, linhas de violão e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais despojado e dançante, típico de temas adolescentes. Os vocais descolados e inspirados nos anos 2000 trazem uma autenticidade difícil de ignorar, como um estudo de personagem. É a faixa mais comercial do álbum, perfeita para as rádios, em uma mistura de Lana Del Rey e Avril Lavigne.

“No Secret” continua com o clima juvenil de desabafos, inspirados no pop rock dos anos 2000. Mas aqui há um resgata uma pegada old school do rock sombrio, com vocais fortes e marcantes, e sintetizadores sonhadores dando um toque especial com bateria melancólica, um hit de primeira linha, dignos de trilhas sonoras de filmes românticos.

O disco tem variações de sentimento, na “So Done”, o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação, explorando som mais soturno, onde os riffs característicos do rock dos anos 90 se destaca com uma linha minimalista e poderosa com uma orquestração profunda. A artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados nos hits da época, entre trip hop, indie e New Age, com vocais angelicais.

Em seguida, “Unknow the “Known” original” é a faixa mais pesada do disco, começando com riffs pesados e cheios do espírito grunge, mantendo o clima introspectivo com instrumentos simples mas cortantes, criando um clima mágico e melancólico – reforçando que o disco foi construído em torno de forte dinâmica e estruturas de música não convencionais. Há muita influência do Hole aqui.

Já “What Brings You Back” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera sonhadora e reflexiva, com linhas de violão, sintetizadores e vocais de arrepiar. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte. Aqui há muita profundida na letra, a artista canta com força, mostrando que fala sobre uma experiência vivida, e dividindo suas histórias com o ouvinte  – o que deixa a audição mais intensa e nos faz prestar atenção, Lana Crow tem o dom de prender o ouvinte. A ousadia nessa obra é fundamental para o DNA do projeto, permitindo que cada lançamento soe como um novo capítulo, em vez de uma repetição de uma fórmula fixa.

Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos uma faixa-título. Aqui, Lana Crow nos leva de volta ao rock, elegante e nostálgico, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo – mas não tire conclusões até ouvir a faixa inteira. É uma prece sombria, marcada por um som ressonador que parece invocar algo ancestral com vocais maravilhosos que carregam este disco de um jeito melancólico mas satisfatório, mas com instrumental perfeito.

Lana Crow entrega uma obra que mistura ousadia, melancolia e experimentação, tudo com um toque totalmente nostálgico que só eles sabem fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez, pois foi criado fora de tendências e algoritmos, com a intenção de que os ouvintes o vivenciem como um ciclo emocional completo.