Resenhas

Humans

Kinsley

Avaliação

8.0

A banda americana Kinsley lançou o novo EP ‘Humans’, representando a poderosa conclusão da ambiciosa série de EPs de Kinsley, que sucede “Angels”, “Demons” e “Ghosts”. Uma obra curta, porém intensamente perturbadora, tem inspiração conceitual em “Memórias, Sonhos, Reflexões”, de Carl Jung, emprestando títulos de músicas da jornada retrospectiva do psicólogo por sua própria vida. O novo disco chega lapidando um som que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, o EP é a prova de que a banda encara o  metal como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado.

Formada por Adam Staley e Christopher Neil Adkins em 2016, e que posteriormente recebeu Christopher Jones em 2021, Kinsley entrega um EP de 3 faixas que explora temas profundos como perda, traição, autodestruição, saúde mental, envelhecimento e mortalidade, equilibrados com nostalgia, paternidade, dever e redenção — incorporando uma dinâmica musical que transita intencionalmente do pesado ao leve, do ousado ao belo, representando a dualidade da existência humana, segundo informaram em nota à imprensa.

A abertura com “Memories” é um convite para o mundo pesado e sombrio de Kinsley, com riffs pesados, tons assombrosos e vocais melódicos intensos. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som do rock progressivo mas mesclando com vocais e melodia melódicos que remetem ao rock dos anos 90, como o grunge, mas também há elemntos de post hardcore, suavemente identificado após a audição atenta.

Atente-se ao detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas, que criam enfatizam ainda mais a densidade do som, com quebras típicas do metal moderno. Outro detalhe interessante é a introdução da faixa, como se fosse um tom mais robótico, que á primeira vista nos faz imaginas ser algo mais audacioso de metal moderno, e em seguida nos surpreende com muita nostalgia.

A seguinte, “Dreams” continua a densidade, mas agora sim sentimos todo o peso do grunge, que explode com riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para embarcar nessa viagem conceitual – em uma tempestade sonora. Essa faixa é ótima, com mudanças de ambiente e melodia pesada e técnica.

É uma faixa dilacerante, com uma introdução pesada e vocais angustiados e melódicos mesclado a um tom sutil mas agressivo, com variações rítmicas e um trabalho de solo mais melódico, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável. A quebra de clima vem com os riffs que já são marca registrada do som e que tornam a faixa mais melódica. É a faixa que mais gostei, pois remtee a uma banda que gosto muito: Katatonia.

Encerrando o EP, após as memórias e sonhos, chega o momento da reflexão. Em “Reflections” a banda entrega linhas guitarras memoráveis em uma introdução sombria que expressa todo sentimento e explode melancolia, ao mesmo tempo que é sombrio. A música arrastam o ouvinte em uma viagem com vocais angustiados e potentes mas com toda beleza agridoce que Kinsley consegue fazer, além de uma imensidão da banda que soube utilizar a técnica clássica mas incorporar tons modernos. Aqui a banda está mais forte do que nunca para expressar sua dor e dilui as fronteiras entre narrativa e virtuosismo musical.

A faixa soa como o colapso final: refletindo todas as etapas concluídas. Há breakdown característico do metal moderno, bateria pesada e potente que toca na alma, e todo um jogo de instrumentação ´que é técnico ao mesmo tempo que é sincero, algo raro de encontrar nos artistas mais atuais. Kinsley é fortemente influenciado por artistas de metal do passado e do presente, criando um estilo de composição único, oferecendo algo para todos os tipos de ouvintes. Aqui há quebras de bateria, um som muito mais pesado e com toda modernidade do progressivo, lembrando tons de Gojira e Mastodon.

É importante notar que Kinsley se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de metal. A banda não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado e fiel às raízes do gênero, mas que oferece grandes surpresas ou inovação.

Para aqueles que são fãs do estilo mais tradicional, a banda oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais melódicos e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de um com influências que inova, ‘Humans’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero mas explorando novos territórios sonoros. Vulnerável e autobiográfico,o EP se apresenta como uma obra de arte completa e carregada de emoção, que complementa uma visão artística maior.