Depois de cinco longos anos e uma pandemia no meio, os poloneses do Decapitated retornam com Cancer Culture, o oitavo full-lenght, que saiu em 27 de maio. O álbum é mais um lançamento da Nuclear Blast, que chega ao Brasil via Shinigami, outro selo que tem contribuído de forma significativa para a música pesada em terras tupiniquins.
Para conceber “Culture Cancer“, este Power-trio contou com participações de gente com o naipe de Robb Flynn e Tatiana Shmayluk, o que com certeza deu um up na sonoridade do disco. Para quem não conhece, o Decapitated tem na sua formação o guitarrista/ baixista Vogg, que também acumula a função de guitarrista no Machine Head, além do vocalista Rasta e do baterista James Stewart, ambos com passagens pelo Vader. Aliás, este álbum marca a estreia do batera, que está na banda desde 2019.
A produção é assinada por Vogg, que é o faz tudo na banda. A produção merece um destaque especial, pois deixou o material impecável, com todos os instrumentos audíveis. A mixagem ficou a cargo de David Castillo, a masterizacão foi feita por Ted Jensen e a arte da capa é assinada pelo artista italiano Fabio Timpanaro. Vamos colocar a bolacha para rolar e conferir as dez canções contidas aqui.
A faixa de abertura, “From the Nothingness With Love” é uma breve introdução que serve de ponte para a faixa título, que alterna o Death Metal dos bons com partes mais atmosféricas. Belos riffs, muito peso e técnica ao extremo são alguns dos predicados que encontramos por aqui. Em “Just a Cigarette“, temos o Death Metal infusionado a outras vertentes como o Sludge e até mesmo partes mais core, dando uma sonoridade mais moderna para a banda.
“No Cure” é rápida, brutal , ríspida e extrema, sendo capaz de provocar um moshpit insano. É o grande destaque do play, sem sombra de dúvidas. A quebra no andamento, mesmo que por alguns segundos, engana quem acha que os caras irão afinar e isso eles não fazem. Os blastbeats ao final comprovam isso.
“Hello Death“, a faixa número cinco é a que mais explora outras vertentes. Aqui temos Death Metal, partes mais modernas e atmosféricas, flertes com o Progressive Metal, além da participação da vocalista Tatiana Shmayluk, que colocou seu vocal limpo. Uma salada musical que ficou bem interessante. “Iconoclast“, abre a metade final do play e conta com participação do líder do Machine Head, Robb Flynn, que faz parte do vocal, além de ter escrito a letra. A música é pesada e agressiva, mais puxada para o Deathcore, com inclusão de partes mais atmosféricas.
“Suicidal Space Programme” é bem Old-school. Veloz, pesada, durante boa parte de sua extensão, com direito a partes mais grooveadas no meio, além de riffs intrincados, que vão duelando com a bateria ultra pesada de James Stewart. Ótimo momento do play. “Locked” é a mais curta do disco e em pouco mais de um minuto eles dão o seu recado com relação a esse vírus maldito que insiste em matar pessoas e o que impressiona é como tem gente que acha bobagem. Musicalmente, é um Death Metal para ninguém botar defeito.
“Hours as Battlegrounds” é uma mistura de guitarras bem pesadas tocadas em ritmo mais puxado para o Doom com outras partes mais experimentais. No meio disso tudo, um belo solo, onde conseguimos perceber cada nota executada. “Last Super” tem riffs épicos em sua intro, que descambam para o Death Metal violento, com uma brusca mudança no andamento ali pelo meio, onde os caras colocam um pouco de Progressivo, voltando à quebradeira ao final.
Em 37 minutos temos um belo álbum, onde os caras reúnem peso, brutalidade, velocidade, técnica e uma boa capacidade de colocar variações nas músicas. Eles honraram a tradição da Polônia em despontar boas bandas no cenário. Altamente recomendado para quem gosta de som extremo sem abrir mão da virtuose.