Se houvesse uma competição para definir a banda que mais trabalhou durante a pandemia, o título seria dado ao Lamb of God. O quinteto de Richmond acaba de lançar seu segundo álbum de estúdio e lançou um disco ao vivo, sem a presença do público, durante o lockdown. Omens chega para manter o LOG como a banda mais ativa deste período sombrio da humanidade.
Em apenas dois anos, eles retornam com “Omens“, o 9° álbum desde que eles trocaram o nome de Burn Priest para Lamb of God. A produção foi mais uma vez assinada por Josh Wilbur, que trabalha com a banda desde “Sacrament“. As sessões de gravações ocorreram no antigo A&M Studios, hoje rebatizado Henson Recording Studios, em Los Angeles. A bolacha saiu pela Nuclear Blast lá na gringa e terá versão brasileira pela Shinigami.
Em “Omens” nós encontramos os velhos elementos usados pelo Lamb of God, como o Groove, o peso, os riffs precisos da dupla Mark Morton e Willie Adler, além da técnica sempre apurada dos demais músicos. Mas eles de certa forma resgataram algo que faz muita falta na sonoridade nas canções de alguns tempos pra cá: a agressividade. Podemos ver isso em canções como “Vanishing” e “Ditch“, por exemplo, que faz a banda soar novamente como nos velhos tempos. Aliás, essa música já está indicada ao Grammy e se vencer, o fará com toda justiça, já que é o ponto alto do play.
Tal qual o antecessor, “Omens” também traz alguns convidados, que desta vez atuaram somente na faixa título: são eles Ernie C, Juan Garcia, Wes Eisold, Tob Morse e Sara Taylor. Todos atuaram com vocal de apoio na música, que é bem raivosa. Falando nisso, a banda em seu release descreve o play como o mais raivoso da discografia. Do ponto de vista das letras, eu concordo com as afirmações feitas por Randy Blythe, porque o Lamb of God já fez álbuns com músicas muito mais raivosas. Mas isso não tira os méritos do álbum em momento algum.
São 40 minutos bastante intensos, o segundo álbum mais curto da banda, perdendo para “As the Palaces Burn“, que tem 37. A produção beira a perfeição e o fã do Lamb of God decerto não vai ficar decepcionado com o que encontrará aqui em “Omens“. Tem até solo de guitarra, item que quase não dá as caras mas músicas da banda e ele aparece na ótima “Denial Mechanism“. Eles mudaram a sua forma de fazer música. Não é o melhor álbum da banda, mas também passa muito longe de ser o pior, se é que o Lamb of God tem um pior álbum em sua história.