Na cena metálica brasileira dos anos 80, algumas bandas ganharam uma certa notoriedade por terem seus álbuns lançados por aqui. Na era pré internet, lançamentos nacionais eram muito bem vindos dado ao preço proibitivo dos discos importados e esse foi o caso do Savage Grace que, com seu álbum “After The Fall From Grace”, conseguiu vários admiradores por essas paragens. Após esse lançamento, saiu o EP “Ride Into The Night” no ano de 1987 e sumiram.
Ensaiaram uma volta em 1991 com uma demo e em 2010 com o EP “The Lost Grace” mas, só agora em 2023, voltam com um álbum: “Sign Of The Cross”, lançado pela gravadora Massacre Records e edição nacional da Hellion Records.
Após todos esses anos de hiato e uma formação quase totalmente nova, o ouvinte não deve esperar uma “continuação dos anos 80”, apesar que alguns temas lembrarem muito aquele período, especialmente pelo ótimo trabalho do guitarrista Christian Logue (único membro da formação original).
As duas faixas de abertura são empolgantes, “Barbarians at the Gate” e “Automoton” são verdadeiros clássicos para qualquer um que viveu aquele período. Furiosas e velozes com seus riffs cataclismicos e vocais gritados são nostalgia pura.
Essas canções e “Slave of Desire” deveriam dar o tom de todo o álbum, só que existem momentos destoantes como em “Stealin My Heart Away”. Não que a música seja ruim, mas se aproxima muito do terreno hard rock onde a banda não domina por completo e isso confunde um pouco o ouvinte, além de diminuir a energia exalada.
Com um saldo positivo, o grande mérito desse álbum é apresentar o Savage Grace para uma nova geração de headbangers – que não demorem tanto tempo para lançar material novo.
Formação:
Christian Logue: guitarras
Gabriel Colón: vocais
Marcus Dotta: bateria
Fabio Carito: baixo
Tracklist:
Barbarians At The Gate
Automoton
Sign Of The Cross
Rendezvous
Stealin’ My Heart Away
Slave Of Desire
Land Beyond The Walls
Star Crossed Lovers
Branded
Helsinki Nights (Bonus Track)