O peso nos ouvidos hoje fica por conta de “Megatherium”, novo Debut the Outsound. Este álbum, composto por 10 faixas poderosas, vai te por uma viagem logo de cara. A primeira faixa, “Murder/Dream” é a combinação perfeita entre a brutalidade do heavy metal e a psicodelia do stoner rock e vai te jogar entre Alice in Chains e Melvins a todo tempo. É como se o som dos trovões se fundisse com o rugido de um leão em plena caçada. Essa é uma abertura épica que prepara o terreno para o que está por vir.
Em seguida, somos apresentados a “Venereal Charm”. O riff de guitarra arrebatadora que soa como riffs de Death Metal, aliado aos vocais rasgados e poderosos muito similares aos que Layne Staley ( Alice in Chains) executava, nos transporta diretamente para os dias áureos do grunge. É como se o Alice in Chains se assumisse Heavy Metal e estivesse liderando uma Jam Session com o Black Sabbath. É uma experiência sonora visceral que te faz querer balançar a cabeça e bater os pés no chão. Em “Nova”, não é diferente. Um verdadeiro furacão de lisergia e inventividade. Aqui, a influência de bandas como Nirvana e The Quill é evidente, com riffs pesados e altamente rítmicos que fazem você sentir ser levado pra frente e para o fundo diversas vezes. É como se estivéssemos sendo lançados ao espaço sideral e transportados novamente a todo tempo. Uma verdadeira brisa. Não podemos ficar sem citar o refrão que te faz cantar junto e gritar, acompanhado de um solo visceral que arrebata a qualquer um.
A quarta faixa, “Creme Brûlée”, nos presenteia com um riff de contrabaixo pesado e metálico e uma guitarra dissonante misteriosa que deságua em um riff destruidor e te tira do chão no exato instante que ela é executada. Os vocais melódicos flutuam sobre os riffs poderosos, criando um contraste envolvente similar ao que já citamos aqui, o eterno Layne Staley (o Deus tudo isso aqui é tão bom que eu preciso de um disco desses caras!). É uma obra prima atemporal, definitivamente.
Em seguida,”Crackdown” vem quebrando tudo, com uma pegada mais agressiva e incisiva, mas mais ancestral. Aqui, os vocais gritados dão lugar a um vocal mais limpo e recheado de interpretações que brincam com um “quase”drive, e as guitarras em um riff solado hipnótico nos lembram das raízes ancestrais do mediterraneo, mas com uma roupagem moderna e pesada do Metal Stoner do grupo. “Adeline” vem logo em seguida com uma bateria e baixo que intrigam o ouvinte a primeiro momento. Logo, embalados pelo chamado da guitarra entram em sintonia com o riff de acordes que lembram Jerry Cantrell em sua fase recente. Uma melodia envolvente e leve, que muda de pelo ao iniciar o refrão. Os vocais expressivos nos transportam para um lugar de êxtase e contemplação. É como se estivéssemos flutuando em um mar de emoções, com as ondas sonoras nos levando para alturas inimagináveis. Se não soubesse que The Outsound fosse o autor desta canção, eu com certeza colocaria no lugar de um novo som do Alice in Chains.
“Hardcore Daisy” é a sétima faixa desse disco, misteriosa e envolvente, essa canção é como a entrada em uma pirâmide egípcia, tudo aqui é ancestral. Os riffs pesados e melódicos, as batidas arrastadas e ritmadas são como um soco no estômago, te deixando apreensivo e segurando a respiração para o que vem a vir. Mais uma vez o solo aqui consegue ser tão explosivo que te fará rasgar sua barriga e tirar suas vísceras de tanto que esse solo vai invadir sua mente.
“Semi-dog” nos presenteia com um groove lento e muito bem espesso. A oitava faixa brinca com todos seus ouvintes, carregando licks e riffs que vão te colocar em uma paisagem caótica de um show dos anos 90. A guitarra e o baixo puxam você para um “questionário musical” cheio de perguntas e respostas dos instrumentos que vão te deixar com o cérebro em ritmo frenético, enquanto os vocais ecoam como um chamado ancestral. É uma faixa que te faz querer sair do corpo, deixando-se levar pela energia pulsante do ritmo.
“Freak Show” é uma verdadeira montanha-russa sonora. A alternância entre momentos de calmaria e explosões de distorção cria uma dinâmica única e surpreendente. A canção começa melancólica e repleta de sofrimento visceral, com uma guitarra limpa dedilhada a bateria e a voz suplicando a todo momento, até que a canção dá indícios de crescimento. Até esse momento chegar em seu trigésimo minuto de duração, nos levando por caminhos de lamento e raiva, peso e preenchimento. Senti forte influência de System of Down aqui, até o momento do solo que é algo, mais uma vez, único. Parece tirado das mãos de Tony Iommi.Curto porém Incrivelmente sentimental.
E finalmente, chegamos à última faixa, “Megatherium”. A faixa que dá nome ao álbum. Um encerramento épico e grandioso. Os riffs pesados, os solos ardentes nos transportam para um lugar de pura intensidade. O peso do contrabaixo desta canção é chave para nos fazer mergulhar de cabeça nessa viagem. Com um groove pesado, lúgubre mas envolvente esta é uma faixa que te faz querer pular, “moshar” e liberar todas as suas frustrações. Principalmente quando chegam os 3min30, onde o Breakdown e o solo entram e tudo vira um campo de arrebatamento. É o verdadeiro espírito do rock encarnado em forma de música, solos que são carregados de Bends que vão fundo na alma de qualquer fã… parece que estamos diante de um novo guitarrista dos Hall of Fame, definitivamente.
Capturar, transformar e inovar a essência do stoner rock e do heavy metal de forma única e avassaladora não é nada fácil, porém The Outsound, consegue – E COMO!!!- Essa façanha. A habilidade em criar paisagens sonoras lisérgicas e nervosas que são altamente viciantes é talvez o maior mérito desse álbum, não há faixas leves ou “respiros” aqui, apenas pura energia e poder musical. Um disco que só possui um defeito – não estar sendo ouvido por você insanamente!! E se você é fã de Soundgarden, Alice in Chains, Kyuss, The Quill e outros ícones do Stoner, este álbum é uma obrigação. Prepare-se para uma experiência sonora intensa, repleta de referências e nuances sonoras que te levarão ao limite. Abrace o poder do rock e deixe-se levar pela viagem alucinante de “Megatherium”.