O Calligram é uma banda formada no Reino Unido, com membros de diferentes partes do mundo: são dois brasileiros, dois britânicos e o vocalista é italiano, que escreve e canta as músicas em… Bingo! Italiano. A sonoridade da banda é um Black Metal misturado com toques de Hardcore. Com essa verdadeira salada musical (e de nacionalidades também), os caras chegaram ao segundo álbum, Position | Momentum. Se o resultado é bom? No primeiro álbum foi acima da expectativa, vejamos agora.
Lançado em 14 de julho via Prosthetic Records, apenas em vinil, e nas plataformas digitais. Não houve lançamento em terras brasileiras, e a tiragem foi de apenas 300 cópias. “Position | Momentum” mantém a formação original e que obteve bom retorno da crítica com seu disco de estreia, “The Eye is a First Circle“.
Produzido, gravado e mixado no Parlour Studios, em Kettering, no Reino Unido, durante o mês de julho de 2022, sob a produção de Ross Russell, o mesmo que trabalhou recentemente no álbum do Memoriam e que também já trabalhou com os brasileiros do Claustrofobia. A masterização foi feita em Manchester, no Fader Mastering.
O destaque negativo fica por conta da capa, que é muito feia por sinal. Uma imagem longe de ser nítida e de difícil compreensão sobre o que a banda pretendia retratar ali. A única coisa que conseguimos identificar é a logotipo da banda, que assim como todas as bandas do Metal Negro, são impossíveis de ler. Obra da artista Deborah Sheedy. Bom, assim como em “The Eye is a First Circle“, as capas do Calligram estão longe de ser obras de arte, mas não vamos julgar o livro (ops, o disco) pela capa, não é mesmo?
A produção deixou as músicas sujas, o que é uma característica comum do Metal mais extremo. Particularmente não me agrada muito, dá a impressão de desleixo, mas se não for assim, não é Black Metal, certo? As músicas têm qualidade e executar da maneira que esses caras fazem, não é fácil. E é para poucos. Tal como no antecessor, eles incluíram a mesma quantidade de músicas, 8, mas “Position | Momentum” é um pouco mais extenso, são 40 minutos.
Os destaques são: “Sul Dolore“, a faixa de abertura, começa esporrenta e no meio os caras mudam abruptamente o andamento, que fica arrastado e sombrio, como o Black Metal deve ser. O vocalista Matteo Rizzardo em transe, berrando como se estivesse tomando um choque elétrico em uma sessão de tortura. “Frantumi in Itinere” é rápida, ríspida, brutal e perfeita para ser a trilha sonora do fim do mundo. As guitarras dão o brilho nesta faixa. “Eschilo“, a melhor disparada do play, com riffs mortais de guitarra, em uma rara aparição delas com um timbre menos sujo.
O resultado final é bastante satisfatório e a banda conseguiu manter o mesmo resultado que teve com seu debut album. “Position | Momentum” não é um álbum para ouvidos sensíveis. Mas vai agradar tanto ao fã mais true quanto o fã que admira um Black Metal mais moderno e aberto a outras influências.