Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
Com produção da Liberation, o Dream Theater se apresentou no último sábado, 9 de maio, na Vibra São Paulo, dentro da 40th Anniversary Tour Parasomnia 2026. A turnê brasileira conta com seis apresentações e passou por Porto Alegre, Curitiba e Brasília antes de chegar à capital paulista. Depois de São Paulo, o giro ainda segue para o Rio de Janeiro, com show neste domingo, 10 de maio, e será encerrado em Belo Horizonte, no dia 12.
A turnê combina dois movimentos importantes na trajetória recente da banda: a celebração de quatro décadas de atividade e a apresentação integral de Parasomnia, décimo sexto álbum de estúdio do grupo, lançado em 2025. O formato da noite seguiu a proposta An Evening With Dream Theater, com cerca de três horas de duração e divisão em blocos. A primeira parte foi dedicada ao álbum novo, enquanto a segunda reuniu faixas de diferentes momentos da carreira. O encerramento ficou reservado para a execução completa de A Change of Seasons, peça lançada originalmente em 1995 e que ocupa um lugar central na memória dos fãs do grupo.
Antes da abertura dos portões, o público que chegava ao Vibra São Paulo encontrou uma movimentação diferente na área externa da casa. Quem assumiu esse aquecimento foi o Mindflow, banda paulistana de rock progressivo, que se apresentou do lado de fora do espaço. A escolha criou uma conexão direta com a proposta da noite, sobretudo por se tratar de uma banda ligada ao mesmo campo musical do progressivo, com composições técnicas e estruturas que dialogam com o público do Dream Theater.
A presença do Mindflow também trazia um elemento de bastidor relevante. Pensado, baterista que construiu seu nome com a banda, atualmente atua em diferentes frentes ligadas ao Megadeth, acumulando funções como coordenador de produção e assistente pessoal de Dave Mustaine, além de encarnar Vic Rattlehead e assinar como produtor e corroteirista da série de vídeos dedicada ao mascote do grupo. É uma trajetória que ajuda a situar a abertura dentro de uma rede mais ampla da música pesada, em que performance, produção artística e produção executiva frequentemente se cruzam.
Desta vez, o Dream Theater não encontrou uma casa esgotada, algo que chama atenção considerando o histórico da banda em São Paulo e a relação consolidada com o público brasileiro. O Vibra recebeu menos público do que em outras passagens do grupo pela cidade, mas a resposta da plateia foi consistente ao longo da apresentação. A audiência acompanhou com atenção as mudanças de dinâmica, os longos trechos instrumentais e as citações musicais inseridas no repertório, mantendo uma participação animada durante toda a noite.
Fundado nos anos 1980, o Dream Theater se consolidou como um dos principais nomes do metal progressivo ao combinar virtuosismo, peso, composições longas e uma abordagem técnica de arranjo. A formação atual, com James LaBrie, John Petrucci, John Myung, Jordan Rudess e Mike Portnoy, também tem peso histórico para o público. O retorno de Portnoy à banda segue sendo um ponto central dessa fase, tanto pela presença musical quanto pela relação direta com uma das formações mais reconhecidas do grupo.
A primeira parte do show foi dedicada a Parasomnia. O álbum trabalha a partir de um conceito ligado a distúrbios do sono, como sonambulismo, paralisia do sono e pesadelos, e essa proposta apareceu também na construção visual da apresentação. Telões, iluminação e introduções cinematográficas ajudaram a organizar o bloco como uma narrativa contínua, e não apenas como uma sequência de faixas recentes.
“In the Arms of Morpheus” abriu o percurso, seguida por “Night Terror”, “A Broken Man”, “Dead Asleep”, “Midnight Messiah”, “Are We Dreaming?”, “Bend the Clock” e “The Shadow Man Incident”. A decisão de tocar um álbum novo na íntegra costuma envolver risco, principalmente para uma banda com uma discografia extensa e com muitos clássicos aguardados. No caso de Parasomnia, o bloco funcionou pela coesão do material e pela execução precisa da banda, que sustentou a primeira parte sem depender exclusivamente da expectativa nostálgica do público.
A performance foi marcada por alto nível técnico e bom alinhamento entre os músicos. John Petrucci manteve a combinação de peso, controle melódico e precisão nos solos. John Myung, discreto em cena, sustentou a base harmônica com a regularidade que caracteriza sua atuação. Jordan Rudess alternou passagens atmosféricas e momentos de maior protagonismo nos teclados, enquanto Mike Portnoy teve papel central na condução rítmica e na comunicação com a plateia.
James LaBrie também apresentou bom desempenho. O repertório do Dream Theater é vocalmente exigente e atravessa fases muito distintas da carreira, mas a apresentação em São Paulo mostrou um vocalista seguro, trabalhando bem dentro das condições atuais da voz. A execução evitou a sensação de esforço excessivo e contribuiu para a estabilidade do show.
Após o intervalo, a segunda parte abriu com “False Awakening Suite”, seguida por “The Enemy Inside” e “A Rite of Passage”. Nesse momento, o repertório passou a operar em outra lógica: menos conceitual e mais retrospectiva, recuperando diferentes momentos da trajetória da banda. “The Enemy Inside” funcionou bem ao vivo pelo equilíbrio entre peso, refrão direto e estrutura progressiva, enquanto “A Rite of Passage” reforçou uma fase mais moderna do grupo.
O repertório também passou por Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, com “Through My Words” e “Fatal Tragedy”, recebidas com forte resposta da plateia. São faixas que ocupam um lugar importante na história do Dream Theater e no imaginário dos fãs, especialmente pela associação com um dos álbuns mais celebrados da discografia. A recepção mostrou como determinadas músicas funcionam como pontos de reconhecimento coletivo dentro do show.
“The Dark Eternal Night” trouxe uma camada mais pesada à segunda parte, enquanto “Peruvian Skies” abriu espaço para citações a “Nothing Else Matters”, “Wish You Were Here” e “Wherever I May Roam”. Esses trechos funcionaram como referências rápidas dentro da apresentação, reconhecidas de imediato pelo público. “Take the Time”, em versão abreviada e com citação a “Tom Sawyer”, do Rush, encerrou o bloco principal retomando uma fase fundamental dos anos 1990 da banda.
O bis foi dedicado a A Change of Seasons, executada na íntegra. Antes da música, o telão exibiu um trecho de Sociedade dos Poetas Mortos, com a referência à expressão “carpe diem”. A escolha contextualizou a faixa sem precisar de explicações adicionais, já que a composição trabalha justamente com a passagem do tempo, os ciclos da vida e a ideia de aproveitar o presente.
Dividida em sete partes, de “The Crimson Sunrise” a “The Crimson Sunset”, A Change of Seasons exige uma escuta contínua e concentra muitos dos elementos que definem o Dream Theater: alternância de climas, mudanças de andamento, longas passagens instrumentais e construção narrativa. Ao vivo, a execução funcionou como síntese da proposta da turnê, ao unir celebração histórica, repertório extenso e demonstração técnica.
O encerramento com “Singin’ in the Rain” manteve o uso de referências cinematográficas que atravessou a apresentação, funcionando como saída leve depois de um bis longo e denso. Ao fim, o Dream Theater entregou um show de grande duração, execução precisa e repertório bem organizado, ainda que diante de um público menor do que o habitual em São Paulo.
A apresentação no Vibra São Paulo mostrou uma banda tecnicamente alinhada, com bom desempenho vocal de LaBrie, presença forte de Portnoy e repertório estruturado para equilibrar material novo, clássicos e celebração histórica. Em uma turnê brasileira de seis datas, que ainda segue para Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o Dream Theater reafirma sua capacidade de sustentar uma noite longa sem depender apenas da memória afetiva dos fãs, usando Parasomnia como eixo atual e A Change of Seasons como marco de sua própria trajetória.
Galeria do show
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News
- Dream Theater durante show na Vibra SP neste sábado, 09 de Maio de 2026. Foto: Jaqueline Souza/Headbangers News













