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Draconian retorna a São Paulo com nova fase e Emma Ruth Rundle faz estreia no Brasil

Draconian retorna a São Paulo com nova fase e Emma Ruth Rundle faz estreia no Brasil

18 de maio de 2026


Crédito das fotos: Tamires Lopes/Headbangers News

Após uma apresentação sold out em 2023, o Draconian voltou a São Paulo no sábado, 16 de maio de 2026, para show único no Brasil. A apresentação aconteceu no Carioca Club, em Pinheiros, e integrou o início da turnê de divulgação de In Somnolent Ruin, oitavo álbum de estúdio da banda sueca, lançado em 8 de maio pela Napalm Records. A realização foi da Mirror/AM e da Powerline.

A noite teve como convidada especial Emma Ruth Rundle, em sua primeira passagem pelo país. A artista norte-americana abriu a programação com uma apresentação centrada em voz e guitarra, em formato mais contido e atmosférico. Sua sonoridade, associada ao dark folk, ao ambient, ao post-rock e a aproximações com o sludge e o doom, funcionou como uma introdução coerente para o show principal, ainda que em uma linguagem diferente da adotada pelo Draconian.

Emma iniciou com “Living With the Black Dog” e “Arms I Know So Well”, estabelecendo desde o começo uma performance marcada por economia de elementos e intensidade emocional. Em seguida, “Citadel” e “Blooms of Oblivion” reforçaram o caráter mais sombrio e introspectivo de seu repertório. A apresentação ainda incluiu duas músicas novas, ainda não identificadas, antes de chegar a “Darkhorse” e “Marked for Death”, uma das composições mais reconhecidas de sua trajetória solo.

A performance exigiu uma escuta mais atenta do público. Sem grandes recursos cênicos ou uma proposta de impacto imediato, a cantora construiu sua apresentação a partir de dinâmicas discretas, repetições, distorções e variações vocais. Em alguns momentos, o contraste entre a delicadeza das melodias e a densidade da guitarra aproximou sua apresentação do universo do metal extremo por outro caminho, menos ligado ao peso direto e mais próximo da tensão.

Na sequência, o Draconian subiu ao palco com a formação composta por Lisa Johansson, Anders Jacobsson, Johan Ericson, Daniel Arvidsson, Niklas Nord e Daniel Johansson. O retorno de Lisa, vocalista original da banda, segue como um dos elementos centrais desta nova fase. Sua presença reforça a ligação com o período clássico do grupo e recupera uma dinâmica vocal que marcou parte importante da discografia do Draconian.

O repertório deixou claro que a banda estava interessada em apresentar seu momento atual. A abertura com “I Welcome Thy Arrow”, tocada ao vivo pela primeira vez, já indicou a centralidade de In Somnolent Ruin na turnê. O novo álbum apareceu ainda em faixas como “The Face of God”, “Asteria Beneath the Tranquil Sea”, “Cold Heavens”, “Misanthrope River” e “Claw Marks on the Throne”, todas também em estreia ao vivo. Para um show único no Brasil, foi uma escolha significativa: mais do que revisitar a discografia, o Draconian apresentou ao público paulista um novo ciclo em tempo real.

Ainda assim, o set não ignorou fases anteriores. “The Wretched Tide” e “The Last Hour of Ancient Sunlight”, ambas tocadas pela primeira vez desde 2019, recuperaram momentos importantes da trajetória recente da banda. “Heavy Lies the Crown”, “A Scenery of Loss”, “Lustrous Heart” e “Seasons Apart” ajudaram a costurar diferentes períodos do repertório, enquanto “Heaven Laid in Tears (Angels’ Lament)” e “The Sethian” trouxeram uma conexão mais direta com a fase clássica do grupo.

Ao vivo, a relação entre os vocais limpos de Lisa e os guturais de Anders Jacobsson segue sendo o principal eixo da banda. O contraste entre as duas vozes organiza as músicas e sustenta boa parte da identidade do grupo, que trabalha com andamentos lentos, guitarras densas, teclados de ambientação sombria e letras voltadas a temas como perda, introspecção, espiritualidade e existência.

O Draconian é uma banda que depende menos de variações bruscas e mais da construção gradual de atmosfera. Essa característica apareceu de forma clara no Carioca Club. As músicas se desenvolveram em estruturas longas, com riffs repetitivos, melodias melancólicas e uma execução que privilegiou peso, clima e continuidade. Para o público acostumado ao gothic/doom metal, esse tipo de abordagem faz parte da proposta. Para quem espera uma apresentação mais dinâmica, o show pode soar menos imediato, mas é justamente na insistência e na densidade que a banda estabelece sua força.

A recepção do público mostrou que a banda mantém uma base fiel em São Paulo. A participação não se deu por grande movimentação, mas por atenção constante, acompanhamento das melodias e resposta mais intensa em trechos conhecidos. Em shows de doom metal, essa relação costuma ser menos expansiva e mais concentrada, algo que se confirmou ao longo da apresentação.

O contexto de In Somnolent Ruin também deu peso à noite. O álbum chega seis anos depois de Under a Godless Veil e marca o primeiro registro de estúdio com Lisa Johansson desde seu retorno oficial ao grupo. A apresentação em São Paulo, portanto, não funcionou apenas como reencontro com o público brasileiro, mas também como apresentação de um novo ciclo da banda.

A escolha de Emma Ruth Rundle como abertura foi acertada porque ampliou o campo de leitura da noite sem descaracterizar a proposta. Sua apresentação trouxe uma melancolia mais intimista, enquanto o Draconian levou esse universo para uma escala mais pesada e estruturada dentro do gothic/doom. A transição entre as duas atrações fez sentido justamente porque ambas trabalham com densidade, ainda que por meios diferentes.

No fim, o show no Carioca Club reafirmou o lugar do Draconian como um dos nomes relevantes do gothic/doom metal contemporâneo. Com nova formação, novo álbum e a volta de Lisa Johansson, a banda mostrou consistência em uma fase de retomada. Emma Ruth Rundle, por sua vez, fez uma estreia brasileira sólida e coerente com o perfil da noite. Foi uma apresentação menos voltada ao impacto imediato e mais à construção de atmosfera, em uma casa cheia de um público que parecia saber exatamente o que foi buscar.

SETLIST EMMA RUTH RUNDLE:

Living With the Black Dog

Arms I Know So Well

Citadel

Blooms of Oblivion

Unknown (New song)

Unknown (New song)

Darkhorse

Marked for Death

SETLIST DRACONIAN:

I Welcome Thy Arrow (Live debut)

The Wretched Tide (First time live since 2019)

The Last Hour of Ancient Sunlight (First time live since 2019)

Heavy Lies the Crown

A Scenery of Loss

The Face of God (Live debut)

Asteria Beneath the Tranquil Sea (Live debut)

Cold Heavens (Live debut)

Lustrous Heart

Misanthrope River (Live debut)

Heaven Laid in Tears (Angels’ Lament)

Claw Marks on the Throne (Live debut)

Seasons Apart

The Sethian

Galeria do show