Resenha de Show

Kiss se despede dos paulistas, mas será eterno!

Ricardo Matsukawa/Mercury Concerts

Ontem, dia 30 de abril de 2022, mais uma banda lendária se despediu dos palcos para nós brasileiros. O Kiss, o maior show do planeta, tocou seus maiores sucessos e emocionou o público paulistano.
Sou suspeito para falar, afinal o Kiss esteve presente em minha vida desde da minha tenra infância. Tenho muitas lembranças que envolvem o grupo e ontem foi a possibilidade de um fim de ciclo (apesar de suspeitar que esse não será o fim).
Me recordo de ser uma criança na casa da minha tia e de um já falecido primo meu ficar jogando “KISS: the Nightmare Child” no inesquecível DreamCast. Aquilo ficou na minha memória, remoendo e remoendo…. Esse foi só o começo de uma jornada com a maior banda de todos os tempos. Banda com a qual eu já chorei, sorri e hoje saúdo com a sensação de “dever cumprido”. Ter todo aquele fervor ao ver os caras maquiados com armaduras e brilho. Era algo de outro mundo! Algo que pra alguns parece tão bizarro, pode ser tão fantástico pra mim?

Enfim, o fato é que terei que fazer uma terapia depois desse espetáculo.

Como um bom fã, mas também um bom colaborador desse portal que você acessam, cheguei cedo, bem antes dos portões abrirem. Pude ver e sentir a energia que o Kiss exala como nenhuma outra banda. Pessoas maquiadas na fila e vários amigos todos alegres e contentes. Apesar da previsão de chuva para o horário do show.

Ao abrirem os portões – vou deixar meu agradecimento aos companheiros Gus (Portal RedeRock) e Márcio (@ConfereSó) que conheci ali na espera da abertura dos portões (que aventura meus amigos!) – adentramos e fomos explorar o local para poder descrever melhor do evento. Como era de se esperar, zero decepções. Era um “mundo” lá dentro, com estande de maquiagem, merchandising e tudo mais que você possa imaginar.

Então às 21h06, após as supostas aparições surpresa de Gene Simmons nos camarotes, as luzes se apagaram e o show começou. A celébre frase “You wanted the best, you got the best. The hottest band in the world… KISS” que era anunciada por J.R. Smalling (falecido) é hoje feita por um dos roadies de Paul. Logo ouvimos Detroit Rock City e o público vai ao delírio. Ela é seguida por I Love It Loud (com Gene e sua pirofagia), vindo depois Say Yeaah – a única do Sonic Boom tocada no setlist. Depois Cold Gin, então uma pausa para o solo de Tommy que utiliza as mesmas pirotecnias de Ace para “destruir os amplificadores do teto”.
Depos disso, em Lick It Up vem o já conhecido medley de “The Who” – Won’t Get Fooled Again” e então o único momento que saiu do script foi quando um grilo (“gigante” diga-se de passagem) pousou no microfone de Paul, que o batizou de “Dr. Love”, já emendando com a canção. Em uma apresentação desse nível, não é comum ter improvisos. O show segue uma coreografia e um planejamento e o line-up sofre mínimas alterações para tentar dar um tempero especial, mas esse momento ficou “exclusivo” para nós paulistanos.
Seguimos a apresentação com Tears Are Falling, Psycho Circus (a minha favorita pra quem prestou atenção na introdução do texto) e o solo de Eric Singer com direito a piscadela e beijinho para as câmeras de transmissão do telão finalizando com 1000,000 Years e as luzes se apagam
No apagar das luzes, surge a luz verde e então já sabemos o que irá acontecer. O Demônio irá aparecer e nós veremos a personificação do Deus do Trovão. Gene faz a sua performance clássica de cuspir sangue e inicia God of Thunder – desta vez sem “voar”. Creio que ser o mais velho da banda não o deixa muito mais seguro em realizar tal façanha. Seguimos com Love Gun e Paul “voa” em sua tirolesa para o meio do palco, claro que não antes de pedir para o público o chamá-lo. De lá ele canta I Was Made for Lovin You. É aí que os casais apaixonados presentes se beijam e se declaram lindamente. Então Paul volta para o palco para Black Diamond.
De repente um piano surge e todos da arquibancada acendem luzes brancas. É ali que Eric Singer começa famosa Beth, tão querida pelo público brasileiro. Esse é o momento onde muitos choram.
Chegamos na parte final do show onde Paul canta Do You Love Me? Canção que representa o amor “plástico” e superficial daqueles que visam só o dinheiro. Então fechamos com a magnífica Rock and Roll All Nite e temos a chuva de confete e papel, que me fez desabar. Chorando ali mesmo como um bebê. Afinal, será que veremos novamente essas lendas em terras brasileiras? Será que esse é o fim?
O Allianz Parque virou grande festa. Todos dançaram e gritaram. Os adultos viraram crianças. E as crianças puderam sentir o que seus pais sentiram quando contemplaram o maior e melhor show do planeta.

Ficou a certeza que o Kiss dava seu “adeus”, mas o que ficou foi um “até logo”. Portanto, sempre vai ficar o gostinho de quero mais. O que aconteceu na noite de ontem ficará marcado para sempre na minha mente e nas mentes dos fās mais novos. O Kiss será eterno!

Crédito das fotos: Ricardo Matsukawa/Mercury Concerts


Allianz Parque

Data: 30/04/22

Horário: 21h

Avenida Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca