Resenha de Show

Symphony X agita o Rio de Janeiro na abertura da perna latino-americana de sua turnê de 25 anos

Daniela Barros/Headbangers News

A carente cena do Rio de Janeiro recebeu o Symphony X, na última quarta-feira, 27. O primeiro show da perna latino-americana de sua turnê comemorativa dos 25 anos de existência. O evento sofreu um atraso enorme devido ao fato do equipamento da banda ter ficado retido em Houston, chegando na capital fluminense poucas horas antes do início da apresentação, o que gerou filas enormes do lado de fora do Sacadura 154.

O público compareceu em um bom número, o que foi uma grande surpresa, uma vez que o evento foi em um dia de semana e também a poucos quilômetros dali, o estádio do Maracanã recebia o confronto entre Flamengo x Athlético/PR, pela Copa do Brasil. Não que o público seja necessariamente o mesmo para os dois acontecimentos, mas certamente alguns tiveram de escolher entre ver a banda de Michael Romeo e Russell Alen ou assistir a partida decisiva. O redator que vos escreve teve que fazer a escolha pela banda que não vinha ao Rio haviam 6 anos.

A banda de abertura estava prevista para subir ao palco às 19:45, mas com todo esse atraso, eles subiram às 21:00, horário previamente programado para o Symphony X. A casa foi enchendo aos poucos, enquanto o vocalista Rod Rossi, acompanhado da dupla do Angra, o baixista Felipe Andreolli e o guitarrista Marcelo Barbosa, que apresentaram um Prog/ Power Metal bem tocado, porém, aquém do que os integrantes do Angra são capazes de fazer em sua banda principal. Em um palco relativamente extenso, faltou presença de palco dos integrantes. Nos 35 minutos de apresentação, a pista foi enchendo. Alguns aplaudiram a apresentação razoável da banda, outros assistiam respeitosamente. O ponto alto foi o cover para Under a Glass Moon, do Dream Theater, mas o contrapeso foi a inclusão da música Pegasus Fantasy, que o vocalista gravou junto com Edu Falaschi para o Cavaleiros do Zodíaco. É claro que a galera mais nerd curtiu a referida música, mas convenhamos, ela é bisonha demais. E desnecessária. Eles mostraram ser mais do mesmo.

No intervalo das apresentações, a qualidade do som que saía dos PA’s melhorou assustadoramente, tendo Hangar 18 (Megadeth) e I’m Broken (Pantera), animando aos presentes, enquanto os roadies faziam os últimos ajustes no palco. Enquanto isso, o Sacadura 154 ficava cada vez mais abarrotado de gente. Até que o Symphony X subiu ao palco, uma hora depois do programado.

Os caras abriram o show com a poderosa Nevermore, cujo refrão, o público cantou em uníssono. Aliás, público que Russell Alen tinha na mão. O poderio da banda em cima do palco é extraordinário. E se a banda se abertura falhou na questão da presença de palco, isso sobrou com o Symphony X. O som estava bastante alto e se a bateria estava absurdamente maravilhoso, o mesmo não se pode dizer dos teclados, que parecem ter ficado retidos no aeroporto de Houston
Após as quatro primeiras canções, Russel comunicou se com o público. Ele estava bem humorado e feliz. Em “When All is Lost”, enfim o teclado se fez presente, ao menos nas partes em que há apenas ele (o teclado) acompanhando a voz de Alen. Ele, aliás, merece um destaque a parte, pois é um verdadeiro frontman. Sua performance foi irretocável. Principalmente quando brincou com a plateia, dizendo que ficaria excitado se ouvisse todos gritando quando ele solicitasse.

Ainda houve espaço para um pequeno solo do baterista Jason Rullo, que entrou no meio da música “Run With the Devil” e aí deu para sentir melhor o quão absurdo estava o som da bateria. E a Headbangers News acertou direitinho a sequência do setlist. Eles tocaram exatamente o que publicamos previamente. Após as 9 músicas iniciais e um breve intervalo, acrescido de mais conversa de Russell Alen com o público, eis o grand finale, com a poderosa e gigante “The Odissey”, que com mais de 24 minutos, encerrou a apresentação. O público gritava pedindo mais canções e Russell brincava mais com todos, dando a entender que tocaria mais uma, mas não o fez.

Em uma hora e meia de show, tivemos algumas percepções: o quão carente é o público carioca de boas bandas passando por aqui. O Symphony X fez um baita show, com todos os problemas que eles tiveram com o traslado se seu equipamento. Agora, uma falha gigantesca do quinteto foi na escolha do repertório, pois uma turnê vendida como comemorativa, que deveria abranger os 25 anos de atividades interruptas, concentrou seu setlist nos discos mais recentes. Do álbum mais relevante dos caras, “The Divine Wings of Reality”, apenas “Sea of Lies” entrou. Aí faltou um feeling da banda. Ao menos “Of Sins and Shadows” merecia entrar. Ou melhor, ainda que “The Odissey” seja uma música fantástica, em 24 minutos de encore, fora as pausas durante a execução, eles poderiam incluir mais umas quatro ou cinco canções, para justificar o título da tour. Fora isso, a apresentação foi corretíssima, os músicos são excelentes e Jason Rullo foi o cara, destruindo seu kit de bateria.

Enfim, uma noite que o fã carioca pôde sair de alma lavada depois de um show tão poderoso. E quem optou em não ir ao Maracanã, trocou a dor de cabeça pelo Flamengo ter empatado a partida, pelo êxtase causado por estes cinco gênios do Prog Metal. Que venham mais shows como esse para agitar um pouco mais a cidade maravilha purgatório da beleza e do caos, como bem definiu certa vez a cantora Fernanda Abreu.

 

* Crédito das fotos da galeria: Daniela Barros/Headbangers News

Setlist Symphony X:

Nevermore
Evolution (The Grand Design)
Serpent’s Kiss
Seas of Lies
Without You
When All is Lost
Kiss of Fire
Run With the Devil
Set the World on Fire (The Lie of Lies)

Encore:
The Odissey


Sacadura 154

Data: 27/07/22

Horário: 18h

Rua Sacadura Cabral, 154, Saúde