Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
Na noite de quinta-feira, 15 de outubro, o The Gathering voltou a São Paulo para celebrar os 30 anos de Mandylion. A Audio estava cheia para receber a formação clássica da banda, com Anneke van Giersbergen nos vocais. O clima era de expectativa, mas também de reencontro. Para boa parte do público, aquelas músicas fazem parte de uma história que começou nos anos 1990 e continuou sendo ouvida, revisitada e compartilhada desde então.
Lançado em 1995, Mandylion foi um disco importante não apenas para a trajetória do The Gathering, mas também para uma geração que acompanhava as transformações do metal naquela década. A combinação entre guitarras pesadas, teclados atmosféricos e a voz marcante de Anneke ajudou a banda a construir uma sonoridade própria, difícil de encaixar em uma classificação única.
No palco, o repertório manteve esse equilíbrio entre peso, melancolia e delicadeza. A banda apresentou faixas centrais de Mandylion, como “Eléanor”, “Fear the Sea”, “In Motion #1”, “In Motion #2”, “Leaves”, “Sand and Mercury” e “Strange Machines”. O setlist também passou por outros momentos da fase de Anneke, com músicas como “On Most Surfaces (Inuït)”, “Probably Built in the Fifties”, “Analog Park”, “Broken Glass” e “Waking Hour”.
“Strange Machines” foi recebida com a empolgação esperada, mas o show não viveu apenas de seus momentos mais conhecidos. As músicas longas e contemplativas também prenderam a atenção da plateia. Em “Leaves” e “Sand and Mercury”, por exemplo, o público acompanhou cada mudança de intensidade, alternando canto, silêncio e aplausos.
A interação da plateia ajudava a contar a história daquela noite. Muitos dos presentes conheceram o The Gathering nos anos 1990 ou no início dos anos 2000. Décadas depois, voltaram para ouvir as mesmas músicas, agora a partir de outro momento da vida. Havia camisetas antigas, olhares emocionados e grupos de amigos comentando lembranças antes do início do show. Os celulares apareceram, naturalmente, mas não dominaram a experiência. Na maior parte do tempo, as pessoas estavam concentradas no palco.
Essa relação entre banda e público talvez explique por que a apresentação teve um caráter tão especial. Não era apenas a comemoração do aniversário de um disco. Era a oportunidade de rever uma formação que marcou a história do grupo e de escutar ao vivo músicas que acompanharam diferentes períodos da vida de quem estava ali.
É difícil separar essa fase do The Gathering da presença de Anneke van Giersbergen. Ela continua sendo a alma do grupo, tanto pela voz quanto pela forma como se relaciona com o público. O alcance e a clareza vocal permanecem impressionantes, especialmente na passagem das partes mais delicadas para os momentos de maior intensidade.
Seu carisma, porém, não depende apenas da performance. Anneke sorri, conversa, agradece e observa os outros músicos com uma alegria que parece genuína. Em vários momentos, demonstrava estar tão contente com o reencontro quanto a própria plateia. Essa proximidade elimina a distância entre o palco e o público e torna sua presença ainda mais forte.
Anneke também sabe conduzir a atenção sem tentar ocupá-la o tempo inteiro. Quando não está cantando, acompanha os colegas, dança discretamente e reage às músicas. São pequenos gestos, mas eles ajudam a entender por que a ligação dos fãs com ela permanece tão intensa. Sua presença dá rosto e movimento às canções que muitas pessoas carregam há décadas.
O restante da banda mostrou a segurança esperada de músicos que conhecem profundamente aquele repertório. As guitarras de René Rutten e Jelmer Wiersma mantiveram o peso das gravações, enquanto os teclados de Frank Boeijen recuperaram as atmosferas que definem boa parte da identidade do grupo. Hugo Prinsen Geerligs e Hans Rutten completaram a formação com uma base rítmica precisa, sem excessos.
Ao final do show, a sensação era de que o público não tinha ido à Audio apenas para recordar o passado. Aquelas músicas continuam presentes e ainda encontram espaço na vida de quem as descobriu tantos anos atrás. Ouvi-las novamente, com a formação clássica reunida, permitiu perceber o que mudou desde então e o que ainda permanece.
O show do The Gathering foi, acima de tudo, um reencontro. Com a banda, com os amigos, com as músicas e com uma época que continua viva na memória de muita gente. No centro do palco, Anneke sorria para uma casa cheia que, três décadas depois, ainda sabia cantar cada verso.
Setlist
Mandylion
Eléanor
Fear the Sea
In Motion #1
On Most Surfaces (Inuït)
Broken Glass
Waking Hour
Probably Built in the Fifties
Analog Park
In Motion #2
Leaves
Sand and Mercury
Strange Machines
Travel
Saturnine
Galeria do show
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News
- The Gathering In Concert no Audio em São Paulo / SP, Quinta, 15 outubro 2026. Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News








