Flávio Farias, Autor em Headbangers News Site brasileiro sobre heavy metal editado totalmente em português. Thu, 11 Jun 2026 22:52:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.2.9 https://www.headbangersnews.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cropped-Logo-HBN-32x32.png Flávio Farias, Autor em Headbangers News 32 32 Memory Remains: Rush – 14 anos de “Clockwork Angels” e o ato final de Neil Peart https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-rush-14-anos-de-clockwork-angels-e-o-ato-final-de-neil-peart/ Fri, 12 Jun 2026 14:00:00 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101964 Há 14 anos, em 12 de junho de 2012, o Rush, que essa semana fez o primeiro show depois de 11 anos, lançava “Clockwork Angels“, o 20° álbum do maior power-trio da história da música, e que é tema do nosso Memory Remains desta sexta-feira, dia dos namorados. O álbum foi concebido em meio a […]

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Há 14 anos, em 12 de junho de 2012, o Rush, que essa semana fez o primeiro show depois de 11 anos, lançava “Clockwork Angels“, o 20° álbum do maior power-trio da história da música, e que é tema do nosso Memory Remains desta sexta-feira, dia dos namorados.

O álbum foi concebido em meio a turnê que a banda estava realizando em comemoração aos 30 anos do clássico álbum “Moving Pictures“. As gravações começaram no ano de 2010 e perduraram até 2011. Foram utilizados dois estúdios: o Blackbird Studio, em Nashville e também o Revolution Recording, em Toronto. Na produção, atuou Nick Raskulinecz. Ainda em 2010, no primeiro dia do mês de junho, a banda apresentou dois singles e as disponibilizou para download: “Caravan” e “BU2B2“.

Sobre ter motivação para seguir compondo material e gravando álbuns, o saudoso baterista Neil Peart deu a seguinte declaração. Aspas para a lenda das baquetas:

“Sem dúvidas, nesse momento, depois de estarmos juntos há quase 38 anos, alcançamos nossos ‘anos maduros’. Chegamos quentes e suados de trabalho”.

Sobre o álbum, Alex Lifeson também deu o seu ponto de vista sobre o processo de gravação:

“Foi um longo projeto. Nós lançamos algumas canções antes da última turnê e essa é a primeira vez que fizemos algo assim, gravando algumas músicas de um disco que ainda não foi lançado. Foi divertido lançar essas músicas, trabalhar nelas e tocá-las e dar uma espiada em como o projeto seria”.

O processo de composição era o mesmo com o qual a banda já estava habituada a trabalhar: Geddy Lee e Alex Lifeson trabalhavam nas músicas, enquanto que Neil Peart se encarregava de escrever as letras. E para “Clockwork Angels“, ele se inspirou nos escritores Júlio Verne e H.G. Wells, e conta a história de um jovem que viaja por um mundo de alquimia, sonhos e ficção. A capa traz um relógio e cada hora representa um símbolo alquímico. Os ponteiros indicam que são 9:12 PM, ou seja, 21:12, uma óbvia referência ao clássico álbum “2112“.

O álbum possui datas de lançamento distintas: no dia 8 de junho, o álbum foi lançado na Austrália. No dia 11, a revista britânica Classic Rock lançou uma edição chamada “fanpack”, que além do álbum, foi também disponibilizado um livro com 132 páginas. Em 12 de junho, o play foi lançado no restante do mundo e a exceção foi, claro, o Brasil. Por aqui, o álbum foi lançado um pouco tardiamente, em 28 de junho.

Dando play em “Clockwork Angels“, temos um típico álbum do Rush, com uma sutil diferença, a falta de uma guitarra base enquanto Alex Lifeson faz os solos, o que no caso da banda não faz a menor diferença, tendo em vista que um dos maiores baixistas da história da música estava ali para segurar a onda e poucas são as bandas que conseguem tal façanha. O play é pesado e em alguns momentos o peso lembra o que eles fizeram em “Counterparts“, de 1993.

Clockwork Angels” teve um excelente desempenho nos charts: 1° no Canadá, 2° na “Billboard 200“, 4° na Noruega e Finlândia, 8° na Suécia, 11° na Alemanha e nos Países Baixos, 16° na Escócia, 21° na Suíça e no Reino Unido, 27° no Japão, 32° na Hungria, 33° na Itália, 55° na Bélgica, 57° na Itália, 58° na Espanha e 173° na França. Foi ainda certificado com Disco de Ouro no Canadá. Lembrando que em 2012, as vendas de discos físicos já havia caído de forma vertiginosa, e nos dias atuais, as pessoas perderam o interesse em escutar um álbum inteiro. Mas a recepção, tanto da crítica quanto do público, foi excelente.

O álbum é dedicado ao fotógrafo canadense Andrew MacNaughtan, que trabalhou em todos os álbuns do Rush desde a coletânea “Chronicles“, lançada em 1990. Inclusive, ele fez a fotografia de “Clockwork Angels” e faleceu antes do lançamento do play, em 24 de janeiro de 2012, vítima de uma parada cardíaca. Ele tinha apenas 47 anos. Por todo o tempo à serviço da banda, ele já era considerado praticamente um membro do Rush e iria filmar os shows daquela turnê, que se tornou o CD/ DVD “Clockwork Angels Tour“.

O último capítulo da clássica formação do Rush em estúdio foi com chave de ouro, um belo álbum, feito por uma banda que jamais entregou um álbum abaixo da média, mesmo ali pelos anos 1980, onde eles meio que abandonaram o Rock Progressivo e investiram maciçamente nos sintetizadores. Em 2018, Alex Lifeson anunciou que a banda não mais lançaria álbuns e nem tampouco faria shows. Ninguém sabia, mas Neil Peart já não conseguia mais exercer a sua função como baterista, estava com câncer e o público só descobriu isso com a notícia do seu falecimento, em 10 de janeiro de 2020.

Felizmente, Geddy Lee e Alex Lifeson tomaram a sábia decisão de voltar com o Rush. Trouxeram a competente baterista alemã Anika Nilles, que no primeiro show já mostrou ser capaz de honrar o legado de Neil Peart. O Rush vai visitar diversos países e o Brasil já tem um encontro marcado com a banda: em janeiro de 2027, será a vez dos fãs brasileiros matarem as saudades de ver esses monstros no palco, o que não acontece por aqui desde 2011. É uma felicidade inenarrável ter o Rush de volta!

Clockwork Angels – Rush

Data de lançamento – 12/06/2012

Gravadora – Anthem 

 

Faixas:

01 – Caravan

02 – BU2B

03 – Clockwork Angels

04 – The Anarchist

05 – Carnies

06 – Halo Effect 

07 – Seven Cities of Gold

08 – The Wreckers

09 – Headlong Flight

10 – BU2B2

11 – Wish Them Well 

12 – The Garden

 

Formação:

Geddy Lee – baixo/ vocal / teclado

Alex Lifeson – guitarra/ violão/ teclado

Neil Peart – bateria/ percussão

 

Participação especial:

Jason Sindermann – piano em “The Garden

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Memory Remains: Crypta – 5 anos de “Echoes of the Soul” e a nova empreitada de Fernanda Lira e Luana Dametto https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-crypta-5-anos-de-echoes-of-the-soul-e-a-nova-empreitada-de-fernanda-lira-e-luana-dametto/ Thu, 11 Jun 2026 17:20:41 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101936 Há 5 anos, em 11 de junho de 2021, a Crypta lançava “Echoes of the Soul“, o álbum de estreia da banda feminina brasileira mais bem-sucedida do Heavy Metal, e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira, dia de abertura da Copa do Mundo. Como não ligamos para este torneio, vamos prestar nossa […]

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Há 5 anos, em 11 de junho de 2021, a Crypta lançava “Echoes of the Soul“, o álbum de estreia da banda feminina brasileira mais bem-sucedida do Heavy Metal, e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira, dia de abertura da Copa do Mundo. Como não ligamos para este torneio, vamos prestar nossa homenagem à maior banda feminina de Metal deste Brasil.

A Crypta foi formada ainda no ano de 2019, quando Fernanda Lira e Luana Dametto ainda estavam fazendo parte da Nervosa. Em 2020, o mundo ficou boquiaberto com o anúncio das duas, pois a Nervosa atravessava um ótimo momento, tendo sido uma das atrações do Rock in Rio de 2019, quando tocaram no Palco Sunset. A banda estava escalada para tocar no icônico Wacken Open Air do ano de 2020, mas a pandemia de COVID-19 acabou adiando os planos. Foi então que ambas aproveitaram que o relacionamento dentro da Nervosa não estava bom e anunciaram a nova banda.

Elas recrutaram uma dupla de guitarristas: a neerlandesa Sonia Anubis, que tinha uma passagem marcante pela banda Burning Witches e também a mineira Tainá Bergamaschi, que havia tocado na Hagbard. Então tínhamos uma banda de Death Metal 100% feminina, o que não era uma novidade, a não ser pelo fato de ser uma banda internacional, porém, com sede no Brasil.

No anúncio, Fernanda e Luana disseram que a nova banda teria uma pegada mais Death Metal, estilo com o qual ambas eram mais identificadas, e que a Crypta, por ser uma banda primordialmente de Thrash Metal, era praticamente inviável. Em 16 de junho de 2020, a banda anuncia um contrato com a Napalm Records, e no mesmo ano, a banda lança o primeiro single: a música “From the Ashes“, que conta a história de Fênix, da mitologia grega. Deu tão certo que a música se tornou um clássico da banda e a música é sempre a última a ser tocada nas apresentações ao vivo.

O próximo passo era entrar no estúdio para gravar o álbum de estreia: isso aconteceu no mês de janeiro de 2021, quando as quatro foram para o Family Mob Studio, de propriedade do ex-baterista do Sepultura, Jean Dolabella e do ex-guitarrista do Desalmado, Estevam Romera. A produção ficou sob responsabilidade de Thiago Vakka, enquanto que a masterização foi feita pelo renomado Jens Borgen. A arte de capa foi assinada por Wes Benscoter, que já havia trabalhado em álbuns do Slayer, Kreator e Black Sabbath.

Bolacha rolando, as meninas nos presentearam com um excelente álbum de Death Metal. São dez faixas, cada uma mais poderosa que a outra, e a duração do play é de 41 minutos. Os destaques ficam para a já citada “From the Ashes“, “Starvation“, “Death Arcana” (que na primeira turnê, era a música que abria as apresentações da banda), “Under the Black Wings“, “Kali” e “Blood Stained Heritage“, sem desmerecer as que não foram citadas. É uma estreia com o pé na porta.

E melhor do que a sonoridade da banda, é o posicionamento delas, o que mostra que elas aprenderam a aula principal do Rock, que é a de contestar, ainda incomoda aquela turma que defende aqueles que não respeitam o resultado das eleições e tenta aplicar um golpe de Estado. Mas como a Fernanda Lira já confessou em entrevista para este redator que vos escreve, os haters são ótimos para o algoritmo das redes sociais. E ela utiliza bem a internet para divulgar seu belo trabalho.

Como o álbum foi lançado no meio da Pandemia, e estávamos ainda em lockdown, precisamos aguardar a flexibilização do distanciamento social, embora o governo anterior fizesse pouco caso, ignorasse que era um problema que todo o planeta enfrentava, e até mesmo fazia piadas, ridicularizando aqueles que morriam sem ar. Mas tão logo a vida foi voltando ao normal (N. do R: graças à vacina), todos nós pudemos ver as meninas em ação. Foram diversos shows dentro e fora do Brasil, com destaque para as participações em Wacken e no Rock in Rio (2022), Summer Breeze Brasil (2023) e elas também foram a banda de abertura do Incantation, durante sua turnê pelo Brasil, também em 2023.

Infelizmente, em 2022, a guitarrista Sonia Anubis anunciou que estava saindo de forma amigável da banda. Ela ficaria com a Cobra Spell, banda que ela formou nos Países Baixos. Para o seu lugar, foi recrutada a guitarrista Jéssica Di Falchi, que gravou o álbum posterior, “Shades of Sorrow“, e hoje integra o Korzus. Atualmente, o posto de segunda guitarrista está sendo ocupado pela estadunidense Victoria Villareal.

Era só o começo de uma bela caminhada de uma banda que faria história. E a prova de que sim, as mulheres também podem ter espaço em um meio tão machista como o Rock/ Metal. Claro que existem aqueles que desdenham das meninas por puro sadismo, só porque, no entender destes, elas teriam que ser contra as minorias, apoiar dublê de humorista que acha legal fazer piada com alguém pela cor de sua pele ou pela deficiência física. Elas não concordam com isso e embora não abordem estes temas em suas letras, elas são muito politizadas. E claro, estão do lado certo da história.

Hoje é dia de comemorar esse grande álbum. O fã que fala mal das meninas por má vontade, deveria sentir orgulho dobrado, primeiro por ser uma banda brasileira, depois por serem mulheres, buscando o seu espaço na cena. E o Metal fica muito mais bonito com as mulheres em ação, não é mesmo, caro leitor? “Echoes of the Soul” envelhece muito bem, obrigado. E tem o selo de Made in Brazil. Goste você ou não. Em breve, a Crypta estará gravando seu terceiro álbum. Estamos aguardando.

Echoes of the Soul – Crypta 

Data de lançamento – 11/06/2021

Gravadora – Napalm Records 

 

Faixas:

01 – Awakening

02 – Starvation

03 – Possessed

04 – Death Arcana

05 – Shadow Within

06 – Under the Black Wings 

07 – Kali

08 – Blood Stained Heritage

09 – Dark Night of the Soul 

10 – From the Ashes

 

Formação:

  • Fernanda Lira – baixo/ vocal
  • Luana Dametto – bateria
  • Sonia Anubis – guitarra
  • Tainá Bergamaschi – guitarra

 

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Memory Remains: Nevermore – 16 anos de “The Obsidian Conspiracy” e a separação quase definitiva da banda https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-nevermore-16-anos-de-the-obsidian-conspiracy-e-a-separacao-quase-definitiva-da-banda/ Mon, 08 Jun 2026 18:18:11 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101782 Há 16 anos, em 8 de junho de 2010, o Nevermore lançava “The Obsidian Conspiracy”, o sétimo, e até o atual momento, último álbum lançado pela banda, que retornou aos palcos esse ano, e é tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira. O álbum foi lançado em datas e locais diferentes: na Áustria, Austrália, Alemanha […]

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Há 16 anos, em 8 de junho de 2010, o Nevermore lançava “The Obsidian Conspiracy”, o sétimo, e até o atual momento, último álbum lançado pela banda, que retornou aos palcos esse ano, e é tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira.

O álbum foi lançado em datas e locais diferentes: na Áustria, Austrália, Alemanha e Suíça, o álbum foi lançado em 28 de maio; já na Dinamarca, França, Grécia, Noruega, Portugal e Reino Unido, o álbum saiu no dia 31 de maio. No Brasil, foi lançado em 6 de junho. Estamos respeitando a data de hoje por ser referente ao lançamento nos Estados Unidos.

Em 2010, o Nevermore completava cinco anos sem lançar álbuns, o último havia sido “This Godless Endeavor“, e a turnê perdurou até o ano de 2007, quando a banda tirou férias, mas não sem antes gravar uma apresentação em Bochum, Alemanha, que virou o CD/DVD “The Year of the Voyager“, lançado em 2008.

Enquanto o álbum ao vivo era lançado, a banda curtia merecidas férias. O guitarrista Jeff Loomis gravou seu primeiro álbum solo, “Zero Order Phase“, e saía em turnê. Warrel Dane gravou também o seu disco solo, “Praises to the War Machine“, que contou com participação de Loomis. Chris Broderick aceitou o convite de Dave Mustaine e trocou o Nevermore pelo Megadeth, onde ficou até 2014, quando deu o lugar para Kiko Loureiro. Van Williams e Jim Sheppard ficaram descansando.

A banda já estava passando por problemas de relacionamento, que seria de conhecimento público em 2011, quando Van Williams e Jeff Loomis saíram, colocando a banda em hiato. E a demora imensa em lançar um álbum novo, deu espaço para as especulações. Mas em 2009, eles se reuniram, sem um segundo guitarrista, em quarteto como foi em praticamente todos os álbuns anteriores.

Com uma mudança na produção, a banda resolveu trocar Andy Sneap por Peter Wichers, que havia ficado conhecido pelos trabalhos com o Soilwork, e tinha produzido o já citado álbum solo de Warrel Dane. Mas ao contrário da besteira que fizeram em “Enemies of Reality“, quando deixaram Andy Sneap de fora e depois chamou o mago às pressas, ele ficou responsável pela mixagem e masterização do álbum.

A banda fez uso de alguns diferentes estúdios para a gravação de nosso homenageado: a maior parte do que escutamos em “The Obsidian Conspiracy” foi registrado no Wichers Studio, na Carolina do Norte. A bateria e algumas partes de vocais e baixo foram gravadas no Robert Lang Studios, em Seattle. Outros vocais e baixo foram gravadas no Cadillac Limo. O Nevermore ficou no estúdio entre os meses de agosto e outubro de 2009.

O saudoso vocalista Warrel Dane comentou sobre o que os fãs deveriam aguardar no novo álbum do Nevermore depois de tanto tempo sem um disco novo. Vamos dar aspas ao grandioso frontman:

“Estas músicas estão cheias de uma raiva recém-descoberta, tanto na letra quanto na música. Jeff Loomis criou alguns riffs novos incríveis que, sem dúvida, agradarão tanto aos fãs antigos quanto aos novos. Além disso, acho que a combinação de Peter e Andy (produção e mixagem) resultará em algo muito, muito especial.”

Loomis também disse como optou em dar um maior espaço para que Warrel Dane pudesse ter maior liberdade na hora de incluir seus vocais, e nós também vamos deixar a declaração do guitarrista abaixo:

“Acho que com o novo Nevermore, ainda soa como a banda, mas acho que estou dando ao Warrel um pouco mais de espaço desta vez para mais vocais, em vez de todas aquelas notas complexas e tudo mais. Então, desta vez, há um pouco mais de liberdade musical para ele realmente poder fazer o que quiser vocalmente. Então, veremos o que acontece. Com certeza será um álbum interessante para nós.”

O Nevermore havia escrito um total de treze canções, mas Peter Wichers os ajudou a dar uma polida, tanto na quantidade de canções, quanto no tempo das músicas. Loomis queria incluir músicas com 7 ou 8 minutos, mas ele conta que foi desencorajado pelo produtor, que queria dar às músicas uma sonoridade simplista e despojada. Apesar de ter reduzido o tempo total do álbum, a banda gravou ainda dois covers: “Crystal Ship“, do The Doors, e “Temptation“, do The Tea Party, que entraram em uma versão expandida lançada pela Century Media tempos depois.

Dando play na bolacha, temos o Nevermore soando bem diferente em alguns momentos do álbum, mas algumas características da banda como os arranjos complexos e o peso visceral continuaram a marcar presença. “The Obsidian Conspiracy” tem dez faixas e duração de 45 minutos, com destaques para faixas como “The Termination Proclamation“, “Your Poison Throne“, “Moonrise (Through Mirrors of Death)“, “And Maiden Spoke“, “The Blue Marble and the New Soul“, ‘Without Morals“, “She Comes in Colors“, e a faixa-título, que dão ao álbum um tom diferente dos demais, mas ainda assim, tão bom quanto os outros.

Apesar de muito bem recebido pela crítica especializada, “The Obsidian Conspiracy” não caiu no gosto dos fãs, sendo este o álbum menos querido pelos seguidores da banda. Ainda assim, figurou em algumas paradas musicais pelo mundo: 3° na Grécia, 13° na Alemanha, 27° na Hungria, 34° na Áustria, 35° na Finlândia, 40° na Suiça, 41° na Suécia, 69° nos Países Baixos, 87° na Bélgica, 94° no Canadá, 108° na França, e 132° na “Billboard 200“, sendo este o primeiro álbum da banda a figurar na parada de sucesso mais badalada.

O Nevermore precisava de um segundo guitarrista para sair em turnê, e o húngaro Attila Vöros foi o escolhido. Mas a turnê foi bem breve e em 2011, Jeff Loomis e Van Williams expuseram os problemas, e deixaram a banda. E sua legião de fãs de repente se viu órfã. Durante alguns anos, os fãs viram a possibilidade de um retorno, o que não acabou acontecendo pois Loomis passou a integrar o Arch Enemy, o que o deixava sem tempo para ter uma outra banda. Dane morreu desejando esse retorno, mas ao menos ele conseguiu voltar a ter contato tanto com Jeff quanto com Van. Uma pena que o tempo não permitiu com que a formação clássica da banda retornasse.

Em 2025, Jeff e Van recrutaram o vocalista turco Berzan Önen, o baixista também turco, Semir Özerkan, além do jovem guitarrista estadunidense Jack Cattol, que era um bebê quando a banda havia lançado “Enemies of Reality“. Este ano, a banda realizou seus primeiros shows com a nova formação, e dois shows aconteceram em São Paulo no mês de abril deste ano, um pelo Bangers Open Air e outro show, dois dias depois do festival. Nesta última apresentação, eles incluíram “Moonrise (Through Mirrors of Death)“, além de “Next in Line“, que não era tocada desde 2006.

Hoje é dia de celebrarmos mais um ano do lançamento deste “The Obsidian Conspiracy“, ao mesmo tempo que podemos celebrar o retorno de uma banda que estava fazendo muita falta na cena. É claro que, sem comparações, apesar do talento de Berzan Önen, Warrel Dane era incomparável. Mas o Nevermore promete honrar o legado deixado pelo seu principal letrista.

The Obsidian Conspiracy – Nevermore 

Data de lançamento – 08/06/2010

Gravadora – Century Media 

 

Faixas:

01 – The Termination Proclamation

02 – Your Poison Throne

03 – Moonrise (Through Mirrors of Death)

04 – And the Maiden Spoke

05 – Emptiness Unobstructed

06 – The Blue Marble and the New Soul

07 – Without Morals

08 – The Day You Built the Wall

09 – She Comes in Colors 

10 – The Obsidian Conspiracy

 

Formação:

  • Warrel Dane – vocal
  • Jeff Loomis – guitarra
  • Jim Sheppard – baixo
  • Van Williams – bateria

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Memory Remains: Metallica – 30 anos de “Load” e a surpreendente mudança no som e no visual https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-metallica-30-anos-de-load-e-a-surpreendente-mudanca-no-som-e-no-visual/ Thu, 04 Jun 2026 10:55:05 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101634 Há 30 anos, em 4 de junho de 1996, o Metallica lançava o disco mais controverso de sua carreira até então, porque depois eles iriam lançar discos questionáveis como “Reload” e “St. Anger” que só não arruinaram a carreira porque se tratava do Metallica. O Memory Remains desta quinta-feira vai tratar de um disco que […]

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Há 30 anos, em 4 de junho de 1996, o Metallica lançava o disco mais controverso de sua carreira até então, porque depois eles iriam lançar discos questionáveis como “Reload” e “St. Anger” que só não arruinaram a carreira porque se tratava do Metallica. O Memory Remains desta quinta-feira vai tratar de um disco que é uma dádiva, se comparado a esses outros dois citados: “Load“, o sexto álbum da discografia da mais bem sucedida dentre todas as bandas de Heavy Metal.

Na segunda metade dos anos 1990 o mundo aguardava com imensa ansiedade por um novo disco do Metallica. O sucessor do álbum preto, que fez um sucesso estrondoso e colocou a banda definitivamente entre as maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos, era cercado de expectativa e todos se perguntavam como seria o Metallica mainstream. Rápido como em “Master of Puppets” ou seria mantida a sonoridade limpa e mais radiofônica como no antecessor? A banda surpreendeu a todos. Para o bem e para o mal.

O radicalismo se deu tanto na som quanto no visual. Todos cortaram seus cabelos e mudaram suas vestimentas. Talvez influenciadas pelas bandas de Grunge e Post- Grunge que faziam sucesso na época. E gerou diversas acusações dos fãs, que a banda havia se vendido, que eles não eram mais como antigamente. Mas para escutar “Load“, temos que tirar da cabeça que se trata do Metallica Thrash Metal, porque sim, é um belo álbum de Hard Rock. Mas a crise que afetou a criatividade de quase todas as bandas de Heavy Metal nos anos 1990, também atingiu o quarteto.

Após a longa turnê, os caras se reuniram em Sausalito, Califórnia, mais precisamente no The Plant. Bob Rock foi novamente contratado para a produção, mas desta vez ele não está a sozinho: James Hetfield e Lars Ulrich atuaram na co-produção. Eles ficaram trancafiados entre maio de 1995 e fevereiro de 1996, em regime de sigilo, com direito a alguns poucos shows, incluindo uma como headliner no famoso Monsters of Rock. A pequena agenda de shows recebeu o nome de “Escape From the Studio Tour” (turnê de fuga do estúdio, em  tradução livre).

Um álbum bastante longo, são 78 minutos que mostra uma nova faceta do Metallica. Na verdade, foi a continuação do divisor de águas iniciado cinco anos antes com o já citado “Black Album“. Era um caminho sem volta. O quarteto havia se tornado mainstream e abandonado os cabelos longos e o Heavy Metal. Ao contrário do que dizem os haters, “Load” é sim um baita disco de Rock e se fosse lançado por qualquer outra banda, seria mais elogiado. Sim, dá saudade de escutar um novo disco de Thrash Metal do Metallica, mas eles optaram por seguir outro caminho. A maioria dos fãs têm uma rejeição enorme, mas temos bons momentos, principalmente na primeira metade do álbum, com boas músicas como “Ain’t my Bitch“, “2×4“, “The House Jack Built“, “Until It Sleeps” e “Hero of the Day”, além de uma bela balada na parte final, “Mama Said“, uma ode de James Hetfield à sua mãe.

À época, o pessoal pegou pesado nas críticas. Desde a mudança no visual e no som, passando pela capa que retrata uma mistura bem estranha entre sangue e esperma, até mesmo acusações fortes que hoje não têm o menor sentido, sobre a orientação sexual de Lars Ulrich e Kirk Hammet. Coisas absurdas, que parecem não ter afetado a banda, que segue na ativa arrebatando multidões por onde quer que estejam e recentemente até passou pelo Brasil, com direito a um parto durante a apresentação de Curitiba, em 2023.

Load” vendeu bastante, é bem verdade que muitos revoltados devem ter quebrado os discos quando perceberam que não havia mais Thrash Metal ali. Foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido, Platina na Alemanha, triplo Platina na Finlândia e cinco vezes platina nos Estados Unidos. Nos charts, poucas aparições: alcançou o topo da “Billboard 200” e nas paradas britânicas. Na Finlândia, alcançou a 43ª posição. Os singles “Ain’t my Bitch” e “Until It Sleeps” alcançaram o topo na “Billboard“.

Load” é o sexto álbum com o maior número de músicas lembradas nas apresentações ao vivo da banda, sendo o primeiro da fase pós-Black Album com mais músicas tocadas ao vivo. As músicas mais tocadas são “King Nothing“, “Until it Sleeps“, “Ain’t my Bitch” e “Bleeding me“. A primeira das citadas, foi tocada na apresentação mais recente da banda, que aconteceu na noite de ontem, em Bolgona, Itália.

De lá pra cá, a banda seguiu lançando álbuns que em nada lembram os áureos momentos, mas o que mais impressiona é que o Metallica segue sendo uma máquina de ganhar dinheiro. “Load” é um álbum que merece uma chance, caso você tenha ainda algum tipo de preconceito com ele. O Metallica segue em plena atividade, lançando álbuns e fazendo shows. Vamos celebrar o mais novo trintão do Rock.

 

Load – Metallica
Data de lançamento – 04/06/1996
Gravadora – Elektra

Faixas:
01 – Ain’t my Bitch
02 – 2×4
03 – The House Jack Built
04 – Until It Sleeps
05 – King Nothing
06 – Hero of the Day
07 – Bleeding me
08 – Cure
09 – Poor Twisted me
10 – Wasting my Hate
11 – Mama Said
12 – Thorn Within
13 – Ronnie
14 – The Outlaw Torn

Formação:

  • James Hetfield – vocal/ guitarra/ violão
  • Lars Ultich – bateria
  • Kirk Hammet – guitarra
  • Jason Newsted – baixo

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Memory Remains: Queen – 40 anos de “A Kind of Magic” e a última turnê da banda https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-queen-40-anos-de-a-kind-of-magic-e-a-ultima-turne-da-banda/ Tue, 02 Jun 2026 10:00:36 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101522 Há 40 anos, em 2 de junho de 1986, o Queen lançava “A Kind of Magic“, o 12° álbum da carreira da banda britânica e que é tema do nosso Memory Remains desta terça-feira. Vamos contar a história deste play para você, caro leitor. Existem duas datas de lançamento para o álbum. A de hoje, […]

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Há 40 anos, em 2 de junho de 1986, o Queen lançava “A Kind of Magic“, o 12° álbum da carreira da banda britânica e que é tema do nosso Memory Remains desta terça-feira. Vamos contar a história deste play para você, caro leitor.

Existem duas datas de lançamento para o álbum. A de hoje, refere-se ao lançamento na terra natal da banda, o Reino Unido, pela EMI. Nos Estados Unidos, o álbum foi lançado no dia 3 e a responsável pelo lançamento na terra do Tio Sam foi a Capitol.

Este é o primeiro álbum que o Queen lançou após a apresentação histórica realizada no festival Live-Aid, em 13 de julho de 1985, no estádio de Wembley. O festival foi idealizado por Bob Geldof para ajudar a acabar com a fome na Etiópia. Uma atitude nobre e que nos dias de hoje, certamente seria criticada pela grande quantidade de “fãs” elitistas que existem (e que não entenderam o Rock).

Em 1985, Freddie Mercury havia lançado seu álbum solo, “Mr. Bad Guy“, que obteve uma aceitação mediana por parte do público. O Queen havia acabado de concluir a turnê para divulgar seu álbum “The Works” e eles planejavam tirar um período de férias para descansar e depois gravar o novo álbum, que tinha previsão de sair em 1987. O Queen recusou a primeira oferta de Bob Geldof, mas após alguma insistência, eles concordaram.

Havia o receio dentro da banda de que o público não visse a apresentação com bons olhos, uma vez que a moral do Queen estava em baixa. A razão? Eles haviam tocado na África do Sul, que passava pelo apartheid, quando boa parte do mundo boicotava o país pela discriminação racial que o governo de lá fazia com os negros. Então eles apostaram em fazer um Medley, com seis de seus grandes sucessos em vinte minutos, fazendo com que a performance de Freddie Mercury e companhia seja eternamente lembrada como a mais icônica daquele festival, que aconteceu concomitante em diversas partes do mundo.

As gravações ocorreram em quatro estúdios diferentes, entre os meses de setembro de 1985 e abril de 1986: o Musicland Studios, em Munique, o Mountain Studios, em Montreux, Suiça, o Townhouse Studios, em Londres, além do icônico Abbey Road, que foi utilizado para gravar as partes orquestradas. Quando John Deacon se juntou aos companheiros no estúdio, eles já haviam escrito “One Vision“, que acabou se tornando um dos hits do álbum. Enquanto isso, o diretor Russell Mulcahy, um grande fã do Queen, enviou um convite para que a banda escrevesse a trilha sonora do filme “Highlander“, o que foi aceito pelo quarteto. Então, eles começaram a escrever não apenas uma trilha sonora, mas um álbum inteiro, a ideia foi evoluindo, eles foram escrevendo as letras e músicas, tornando-as mais longas e independentes do filme.

Pela primeira vez a banda registrou de maneira profissional, o seu tempo durante a gravação do álbum. Dois cineastas austríacos trabalharam nesta empreitada, que foi parte do documentário feito pela banda, batizado “The Magic Years“. Foi a única vez que eles registraram em vídeo, o período passado dentro do estúdio. Este foi também o primeiro álbum do Queen a ser gravado utilizando a tecnologia digital, já que os álbuns anteriores foram todos gravados no sistema analógico.

O nosso aniversariante tem 9 faixas e duração relativamente curta, são breves 40 minutos. Sete faixas foram lançadas como singles. Os grandes destaques ficam por conta da faixa-título, “One Year of Love“, “Princess of the Universe“, além da já citada “One Vision“. O álbum obteve boa receptividade, tanto por parte da crítica quanto por parte do público.

O álbum figurou em algumas paradas de sucesso pelo mundo: foi 1° na Argentina e no Reino Unido, 2° nos Países Baixos, 3° na Áustria, 4° na Alemanha e na Suiça, 5° na Noruega, 6° na França, 9° na Nova Zelândia e na Noruega, 10° na Finlândia, 12° na Austrália, 13° na Itália, 25° no Japão, 46° na “Billboard 200” e 50° no Canadá. Em 2022, “A Kind of Magic” voltou a figurar em uma parada de sucesso, com o 42° posto na Polônia. Foi certificado com Disco de Ouro no Brasil (veja só caro leitor, o Brasil premiou um artista do Rock, coisa rara), França, Itália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Iugoslávia, 3 vezes Ouro na Alemanha, Platina na Áustria e Espanha, Duplo Platina na Suiça e Reino Unido e Triplo Platina na Polônia.

A banda fez uma pequena turnê, pela Europa. Foram apenas 21 apresentações, uma delas, incluiu uma passagem pela Hungria, que na época era parte da cortina de ferro, o bloco de países que viviam sob a influência soviética. Na época, o mundo estava dividido entre o capitalismo (países ocidentais) e o comunismo (países da Europa oriental). Em 1987, Freddie Mercury foi diagnosticado como portador do vírus HIV e por estar com a saúde debilitada, comunicou aos seus companheiros que não pretendia mais fazer grandes turnês pelo mundo. Então, na prática, “A Kind of Magic” foi o último álbum do Queen a contar com uma turnê se divulgação.

Embora ainda esteja em atividade nos dias atuais, o Queen não conta mais com Freddie Mercury, que nos deixou em 1991 e o baixista John Deacon, que se aposentou da música em 1997 e leva uma vida sossegada na Inglaterra. Adam Lambert é o substituto de Freddie Mercury e em 2015, os brasileiros tiveram a chance de ver o atual vocalista, quando o Queen se apresentou na edição daquele ano do Rock in Rio. Hoje é dia de comemorar esse belo álbum que chega aos 40, com um corpinho de 20. Eu ouço gente morta!

A Kind of Magic – Queen 

Data de lançamento – 02/06/1986

Gravadoras – EMI/ Capitol

 

Faixas:

01 – One Vision

02 – A Kind of Magic

03 – One Year of Love

04 – Pain Is So Close to Pleasure

05 – Friends Will Be Friends

06 – Who Wants to Live Forever

07 – Gimme the Prize (Kurgan’s Theme)

08 – Don’t Lose Your Head

09 – Princes of the Universe

 

Formação:

  • Freddie Mercury – vocal/ piano/ teclado
  • Brian May – guitarra
  • John Deacon – baixo/ guitarra base em “Pain Is So Close to Pleasure” e “Don’t Lose Your Head”
  • Roger Taylor – bateria/ bateria eletrônica em “One Vision“/ teclados em “A Kind of Magic” e “Don’t Lose Your Head

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Memory Remains: Sodom – 27 anos de “Code Red” e o retorno triunfal ao Thrash Metal https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-sodom-27-anos-de-code-red-e-o-retorno-triunfal-ao-thrash-metal/ Sun, 31 May 2026 11:00:27 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101381 Há 27 anos, em 31 de maio de 1999, o Sodom lançava “Code Red”, o álbum de número nove dos alemães e que é assunto do nosso Memory Remains deste domingo. Com “Code Red“, o Sodom voltou às raízes Thrash Metal que consagrou a banda como uma das quatro gigantes da vertente alemã. Os álbuns […]

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Há 27 anos, em 31 de maio de 1999, o Sodom lançava “Code Red”, o álbum de número nove dos alemães e que é assunto do nosso Memory Remains deste domingo.

Com “Code Red“, o Sodom voltou às raízes Thrash Metal que consagrou a banda como uma das quatro gigantes da vertente alemã. Os álbuns anteriores não estavam agradando aqueles que se tornaram fãs da banda por álbuns como os clássicos “Persecution Mania” ou “Agent Orange“, por exemplo. Então o trio tratou de resgatar a sua sonoridade.

Precisamos entrar no contexto histórico da década: se a década de 1980 foi o auge para o Heavy Metal de uma maneira geral, principalmente no Thrash Metal, com o surgimento da cena da Bay Area, em San Francisco e de outras bandas mundo afora, a década de 1990 foi bem diferente. O Heavy Metal entrou em uma decadência, as bandas de Thrash Metal daquela época, cada uma à sua maneira, foram buscando novas alternativas, que no futuro as provaram más escolhas por todas, e felizmente, elas retornaram ao caminho que lhes garantiram sua base fiel de fãs. Com o Sodom também não foi diferente.

É bem verdade que tivemos exceções na década de 1990: Sepultura, Pantera e Machine Head foram as bandas que se aproveitaram e fizeram muito barulho (e sucesso) nesta época, com todo o esforço da MTV em dizer que o Heavy Metal estava morto, ainda que os fãs e os grandes festivais dissessem exatamente o contrário. As demais bandas começaram, aos poucos, a virar esse jogo no final da década de 1990: o Sodom foi uma das primeiras, com o nosso aniversariante do dia.

Então o trio se reuniu em dois estúdios para registrar este “Code Red“: o Spider House Studio, localizado na cidade de Lūtte e também o Real Sound Studios, que fica na cidade de Gelsenkirchen, Alemanha. As sessões ocorreram durante o mês de fevereiro de 1999. Em março, eles retornaram aí Spider House Studio para fazer a mixagem. E a masterização aconteceu no estúdio DMS. A produção foi assinada por Harry Johns, que trabalhou com o Ratos de Porão nos álbuns “Brasil” e “Anarkophobia“.

A bolacha tem 13 canções e 40 minutos de duração. O Thrash Metal aqui é dar gosto e deixa o fã orgulhoso de ver o Sodom retomando o caminho que nunca deveria ter abandonado. A faixa título traz riffs matadores. Outros destaques são as faixas “What Hell Can Create“, “Liquidation“, “The Vice of Killing” e “Book Burning“. Sim, temos muita coisa com Groove aqui e até uma pegada mais Punk, como na faixa “Addicted to Abstinence“, mas já dava pra perceber que os caras apostavam na sua bola de segurança.

Na época, o álbum ganhou uma versão brasileira, lançada em parceria pelos selos Rock Brigade Records/ Laser Company. Lá fora, há outras versões do álbum que foram lançadas, em CD duplo. Algumas trazem um tributo ao Sodom chamado “Homage to the Gods” e uma outra versão com um CD bônus, onde Tom Angelripper traz seu projeto paralelo chamado Onkel e o álbum “Inch glaub’ nicht an den Weinnachtsmann“.

No ano seguinte, o Sodom tirou uma pausa e voltou em 2001, ainda mais poderoso, com o álbum “M-16“, pela SPV/ Steamhammer. Mas esse é um assunto para outro dia, pois hoje é dia de celebrar mais um aniversário deste álbum, que marca o retorno triunfal do Sodom ao Thrash Metal. Felizmente, a banda segue em plena atividade, tendo lançado no ano passado o excelente álbum “The Arsonist“. Longa vida ao Sodom.

Code Red – Sodom

Data de lançamento – 31/05/1999

Gravadora – Drakkar Records

 

Faixas:

01 – Intro

02 – Code Red

03 – What Hell Can Create

04 – Tombstone

05 – Liquidation

06 – Spiritual Demise

07 – Warlike Conspiracy

08 – Cowardice

09 – The Vice of Killing

10 – Visual Buggery

11 – Book Burning

12 – The Wolf and the Lamb

13 – Addicted to Abstinence

 

Formação:

  • Tom Angelripper – baixo/ vocal
  • Bernamann – guitarra
  • Bobby – bateria/ percussão

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Memory Remains: Iron Maiden – 26 anos de “Brave New World” e os retornos de Bruce Dickinson e Adrian Smith https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-iron-maiden-26-anos-de-brave-new-world-e-os-retornos-de-bruce-dickinson-e-adrian-smith/ Fri, 29 May 2026 10:00:32 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101284 Há 26 anos, em 29 de maio de 2000, o Iron Maiden lançava “Brave New World“, o álbum de número doze na discografia da Donzela de ferro, que é assunto do nosso Memory Remains desta sexta-feira. Vamos contar algumas histórias acerca deste belo álbum. “Brave New World” não se trata de um álbum qualquer. Ele […]

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Há 26 anos, em 29 de maio de 2000, o Iron Maiden lançava “Brave New World“, o álbum de número doze na discografia da Donzela de ferro, que é assunto do nosso Memory Remains desta sexta-feira. Vamos contar algumas histórias acerca deste belo álbum.

Brave New World” não se trata de um álbum qualquer. Ele marca o retorno de Bruce Dickinson nos vocais, após uma passagem um tanto quanto injusta de Blaze Bayley, que gravou dois álbuns com a donzela na década anterior. E também temos o retorno, bem menos badalado, do guitarrista Adrian Smith, que se juntava a Dave Murray e Janick Gears, este último que havia assumido o lugar do próprio Adrian, em 1990.

Com a demissão de Blaze Bayley logo depois do lançamento de “Virtual XI”, foi anunciado o retorno de Bruce, que deixou o mundo boquiaberto, ainda mais pelo fato de que o frontman estava em sua carreira solo muito bem-sucedida, e naquele momento, estava no ápice. Ainda assim, ele resolveu deixar tudo de lado e apostou na bola de segurança.

Algumas das músicas presentes aqui foram compostas ainda na época de Blaze e que por alguma razão não foram incluídas no álbum “Virtual XI”. As músicas são “The Nomad”, “The Mercenary” e “Dream of Mirrors”, esta última, inclusive, com participação do ex-vocalista na composição, porém, ele não foi creditado.

Steve Harris afirmou em entrevistas que “Blood Brothers” teve seu processo de composição iniciado também no final da década de 1990, não ficando pronta em tempo de ser incluída no álbum derradeiro de Blaze Bayley na banda.

Assim sendo, o agora sexteto se reuniu no “Guillaume Tell Studios”, em Paris, com a masterização feita no “Sterling Sound”, em Nova Iorque. E o mandatário da banda, Steve Harris assinou a produção da bolacha, cuja capa teve participação de Derek Riggs. Era a última vez que o artista colaboraria com a Donzela.

Dando play em nosso aniversariante, a sensação é de que o Iron Maiden voltava a fazer um álbum condizente com a sua carreira. Muitos consideram “Seventh Son of a Seventh Son“, lançado doze anos antes, o último grande álbum da banda em anos. As músicas são excelentes e a voz de Bruce Dickinson realmente faz toda a diferença, ainda que Blaze Bayley tenha feito um trabalho honesto em seus anos de Donzela. Temos dez músicas, duração de 67 minutos, e destaques para “The Wicker Man“, “Ghost of the Navigator“, “Blood Brothers“, “Dream of Mirrors” e a faixa-título.

A recepção de “Brave New World” foi ótima, conforme esperado, tanto pela crítica especializada quanto pelos fãs. Estes, por sua vez, cessariam a chatice que protagonizaram com Blaze Bayley e terminariam também, as constantes comparações. E isso também se refletiu no desempenho da banda nos charts ao redor do mundo: 1º lugar na Suécia, 2º na Finlândia, 3º na Alemanha e na Itália, 4º na Noruega, 7º no Reino Unido, 9º na Suíça, 10º na Áustria e 39º na famosa “Billboard 200”. O álbum vendeu mais de 300 mil cópias somente nos Estados Unidos, até o ano de 2008.

Durante a turnê, o Iron Maiden realizou uma apresentação na terceira edição do Rock in Rio, em 2001, que voltava a acontecer na capital fluminense depois de mais de uma década, e virou o álbum ao vivo “Rock in Rio“, lançado em 2002. O festival voltou a acontecer no mesmo terreno onde havia acontecido a primeira edição do festival. Anos mais tarde, o terreno virou a Vila Olímpica, que abrigou os atletas que competiram nos Jogos do Rio-2016, e hoje é um grande condomínio habitacional.

Brave New World” é o décimo álbum do Iron Maiden com mais músicas lembradas nas apresentações da banda. As músicas mais tocadas são “Blood Brothers“, “The Wicker Man” e “Brave New World“, que não são tocadas há algum tempo já, a primeira citada foi tocada pela última vez em 2022, durante uma apresentação em Tampa, Flórida. Mas tudo pode acontecer, pois na atual turnê da banda, o Iron Maiden voltou a tocar a música “Infinite Dreams“, que não era tocada há 38 anos.

Enfim, um ótimo álbum, que se faz necessário na coleção de qualquer fã do Iron Maiden e que vai envelhecendo bem, obrigado. Desejamos uma longa vida à Donzela de Ferro. Hoje é dia de celebrarmos esse belo disco enquanto aguardamos mais uma apresentação deste sexteto que se reuniu a partir deste play e que ficou junta até o final de 2024, quando Nicko McBrain se viu obrigado a sair da banda por problemas de saúde. Longa vida ao Iron Maiden.

Brave New World – Iron Maiden

Data de lançamento: 29/05/2000

Gravadora: EMI

 

Faixas:

01 – The Wickerman

02 – Ghost of Navigator

03 – Brave New World

04 – Blood Brothers

05 – The Mercenary

06 – Dream of Mirrors

07 – The Fallen Angel

08 – The Nomad

09 – Out of the Silent Planet

10 – The Thin Line Between Love and Hate

 

Formação:

  • Bruce Dickinson – vocal
  • Steve Harris – baixo
  • Dave Murray – guitarra
  • Adrian Smith – guitarra
  • Janick Gears – guitarra
  • Nicko McBrain – bateria

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Memory Remains: Slayer – 30 anos de “Undisputed Attitude” e a aula de punk rock ao mainstream https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-slayer-30-anos-de-undisputed-attitude-e-a-aula-de-punk-rock-ao-mainstream/ Thu, 28 May 2026 19:35:37 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101272 Há 30 anos, em 28 de maio de 1996, o Slayer lançava “Undisputed Attitude”, primeiro e único disco de covers que os reis do Thrash Metal lançaram em toda a sua carreira e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira. O Slayer havia gravado o excelente “Divine Intervention” (1994), que rendeu ao grupo […]

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Há 30 anos, em 28 de maio de 1996, o Slayer lançava “Undisputed Attitude”, primeiro e único disco de covers que os reis do Thrash Metal lançaram em toda a sua carreira e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira.

O Slayer havia gravado o excelente “Divine Intervention” (1994), que rendeu ao grupo turnês em todos os cantos do mundo, inclusive no Brasil, onde a banda tocou na primeira edição do Monsters of Rock tupiniquim, ao lado de gente como Black Sabbath, Kiss, Suicidal Tendencies, além das bandas nacionais que emergiam naquela época, como Raimundos, Angra, Dr. Sin e os veteranos do Viper. Mas o Heavy Metal já não era o estilo que vendia e dava visibilidade, embora tivesse (e ainda tenha) uma base muito solidificada de fãs.

Era a época em que a mídia tentava “matar” o Metal ao mesmo tempo que apresentava bandas como Green Day e o The Offspring como expoentes do Punk. Nada contra estas duas bandas, que eu até admiro alguns dos trabalhos realizados ainda naquela época, porém, nem de longe aquilo era verdadeiramente Punk. Pensando nisso, Tom Araya, Jeff Hanneman, Kerry King e Paul Bostaph se juntaram e na companhia do produtor Dave Sardy, a banda entrou no “Capitol Studio“, em Los Angeles, para gravar esta verdadeira pérola. Uma banda de Thrash Metal tendo que ensinar o que era Punk Rock. E o tiro foi certeiro, pois a banda optou por deixar de fora os nomes mais conhecidos como Ramones, Sex Pistols, Dead Kennedys ou Agnostic Front, por exemplo, apostando em nomes como Verbal Abuse, D.I., Dr. Know, mas também abrindo espaço para bandas conhecidas no cenário como Minor Threat, TSOL, D.R.I. e The Stooges. Dave Sardy assinou a produção, com a própria banda também colaborando neste sentido.

Em pouco mais de 32 minutos, o disco mostra toda a raiva que a banda procurou (e conseguiu, com êxito) passar. Na do lançamento, Tom Araya concedeu uma entrevista para a revista “Rock Brigade” onde ele dizia que estava furioso em ver bandas que não tinham nenhuma atitude sendo chamadas de Punk e que por isso, resolveram lançar este tributo, e a explicação justifica o título escolhido para o play.

“Undisputed Attitude” nos traz quatorze petardos, sendo treze covers, e a música “Gemini” é autoral e meio que destoa do restante do álbum, por não soar Punk Rock como as outras. Os destaques ficam por conta de músicas como “Desintegration/ Free Money”, “Leeches/ Verbal Abuse”, “Abolish Government/ Superficial Love”, “Ddamm”, “Guilty of Being White”, “I Hate You”, “Filler/ I Don’t Hear It”, “Spiritual Law”, “Mr. Freeze” e “I’m Gonna Be Your God”.

Uma curiosidade sobre as músicas “Can’t Stand You” e “Ddamm”, elas eram originalmente pertencentes ao projeto Punk de Jeff Hanneman, Dave Lombardo e Rocky George (Suicidal Tendencies), chamado Pap Smear. A versão japonesa do álbum conta com duas músicas a mais: “Sick Boy“, do G.B.H., e “Memories of Tomorrow“, do Suicidal Tendencies.

Sobre a música “Guilty of Being White“, do Minorias Threat, apesar de a música ser impecável e a versão do Slayer ter ficado matadora, a letra gerou controvérsias, já que dá margem para interpretações de que a banda tenha sido racista, o que foi negado pelo vocalista Ian Mackayne, que se sentiu ofendido por muitos entenderem que a letra dava esse tipo de interpretação. A verdade é que mesmo sendo uma referência no Punk Rock no sistema “Do It Yourself” e ter inspirado o movimento Straight Edge com a música homônima, certamente não é a melhor forma de se abordar um tema tão sensível como a causa negra.

O álbum teve um bom desempenho pelos charts: 16° na Austrália, 20° na Suécia, 22° na Nova Zelândia, 27° na Finlândia, 31° no Reino Unido, 33° nos Países Baixos, 34° na “Billboard 200“, 38° na Bélgica, 40° no Canadá, 43° na França e Austrália e 43° na Alemanha. Emplacou o clip de “I Hate You” na MTV, a mesma que quis matar o Heavy Metal, mas que desta vez veiculava um vídeo da banda de Metal tocando Punk.

Oficialmente, o Slayer encerrou suas atividades em 2019 com uma turnê pelo Globo, mas a banda se reúne ocasionalmente para alguns shows. Este ano, inclusive, o Brasil receberá uma apresentação da banda, que será em São Paulo. Eles vão tocar o álbum “Reign In Blood” na íntegra, e é provável que eles não incluam nenhuma faixa de nosso aniversariante, a última vez que eles tocaram foi em 2019 quando “Gemini” foi lembrada. Hoje é dia de celebrar esse baita álbum que envelhece muito bem.

Undisputed Attitude – Slayer 

Data de lançamento – 28/05/1996

Gravadora – American 

 

Faixas:

01 – Desintegration/Free Money

02 – Verbal Abuse/Leeches

03 – Abolish Government/Superficial Love

04 – Can’t Understand You

05 – Ddamm

06 – Guilty of Being White

07 – I Hate You

08 – Filler/I Don’t Hear You

09 – Spiritual Law

10 – Mr. Freeze

11 – Violent Pacification

12 – Richard Hung Himself

13 – I’m Gonna Be Your God

14 – Gemini

 

Formação:

  • Tom Araya – baixo/vocal
  • Kerry King – guitarra
  • Jeff Hanneman – guitarra
  • Paul Bostaph – bateria

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Memory Remains: Ratos de Porão – 20 anos de “Homem Inimigo do Homem” e a estreia de Juninho https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-ratos-de-porao-20-anos-de-homem-inimigo-do-homem-e-a-estreia-de-juninho/ Thu, 28 May 2026 11:00:08 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101269 Há 20 anos, em algum dia do mês de maio de 2006, o Ratos de Porão lançava “Homem Inimigo do Homem“, o décimo-primeiro álbum da discografia desta adorável banda antifascista, e que é tema do nosso Memory Remains desta quarta-feira. O álbum encerra um hiato de quatro anos sem lançamentos. A principal razão para este […]

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Há 20 anos, em algum dia do mês de maio de 2006, o Ratos de Porão lançava “Homem Inimigo do Homem“, o décimo-primeiro álbum da discografia desta adorável banda antifascista, e que é tema do nosso Memory Remains desta quarta-feira.

O álbum encerra um hiato de quatro anos sem lançamentos. A principal razão para este longo período sem álbuns foi a saúde de João Gordo. Ele já havia sido internado no ano de 2000, que inclusive, inspirou a letra de “Obesidade Mórbida Constitucional”, que saiu no EP “Guerra Civil Canibal“. Em 2004, ele sofreu uma disritmia cardíaca, e passou por uma cirurgia de redução estomacal, o que deixou o Ratos de Porão em compasso de espera.

Outra marca em “Homem Inimigo do Homem” é a estreia do baixista Juninho. Ele havia entrado em 2003, e está no posto até os dias atuais. O curioso é que desde então, o Ratos de Porão gravou somente três discos de estúdio, mas esta formação tem se mantido estável desde então, sendo a mais duradoura da história da banda. Este também foi o único disco do quarteto a ser lançado pelo selo Deckdisc.

Assim que o frontman se recuperou, a banda se reuniu novamente e eles começaram os trabalhos para o sucessor do ótimo “Onisciente Coletivo“. Eles gravaram o álbum no estúdio Suntrip, na capital paulistana, durante o mês de março de 2006. Mixagem e masterização aconteceram no Mosh Studios, também em São Paulo. A produção foi assinada por Daniel Ganjaman e Bernardo Pacheco. A produção seria feita por Billy Anderson, que já havia trabalhado com a banda nos álbuns “Carniceria Tropical” (1997) e “Sistemados Pelo Crucifa” (2000), mas ele acabou dando um cano, deixando os brasileiros na mão na hora de gravar. João Gordo explicou o descaso do produtor, em entrevista para a Folha de São Paulo na época. Aspas para ele:

“Depois de combinar tudo, parou de responder os e-mails. Botamos o Jello [Biafra, dos Dead Kennedys] para entrar em contato com ele. Fomos achá-lo na Argentina, produzindo o disco de uma banda stoner, Los Natas. Aí, ele deu uma de joão-sem-braço: ‘Pô, vocês sumiram…'”

Na questão lírica, o Ratos como sempre, não decepciona. Escutar um disco da banda é como ler um livro de história em forma de Crossover Thrash, pois eles costumam registrar os fatos acontecidos na época. Foi assim quando eles criticaram o Plano Cruzado no álbum “Brasil” (1989), os ataques dos Estados Unidos para tomar controle do petróleo no Oriente Médio, em “Onisciente Coletivo“, e mais recentemente, as manifestações de 2013, cantadas no álbum “Século Sinistro” e a homenagem às avessas ao desastroso governo de Jair Bolsonaro (2019-2023), cantadas em “Necropolitica“.

Então, a banda adotou assuntos da época, como a pedofilia na igreja católica, em “Pedofilia Santa“, críticas aos playboys fãs de Emocore em “O Equivocado“, além de críticas aos escândalos do mensalão do primeiro governo de Luis Inácio Lula da Silva, em “Quem te Viu…“, que prova ao fã alienado que chama o vocalista de “comunista e que se beneficia da Lei Rouanet”, sem nem saber o que significa a lei. Assuntos ainda atuais como “PMS de Satã“, que parece escrita sob medida para a polícia de Tarcísio de Freitas ou “Expresso da Escravidão“, que pode ser ofertada aos deputados da extrema-direita que estão fazendo de tudo para vetar a aprovação do fim da escala 6×1.

Dando play na bolacha, temos o Ratos de Porão soando ainda mais brutal e pesado do que antes. Temos doze petardos em breves 30 minutos de duração. Difícil escolher a melhor música contida aqui, mas podemos destacar “Pedofilia Santa“, “Covardia de Plantão“, “Expresso da Escravidão“, “O Equivocado“, “DNA da Pilantragem“, “PMS de Satã“, “Quem te Viu…” e “Lucidez“. É certamente o trabalho mais relevante da banda desde “Anarkophobia” (1991), e não é que os outros não sejam bons, pelo contrário, mas aqui eles subiram demais o próprio sarrafo.

A aceitação ao álbum foi a melhor possível, tanto por parte dos fãs quanto dos críticos. Algumas músicas são lembradas nas apresentações da banda, como “Expresso da Escravidão“, “Testemunhas do Apocalipse” e “Pedofilia Santa“. O Ratos caiu na estrada, e ainda que tenha lançado poucos discos de estúdio, a banda se aventurou em álbuns ao vivo, splits, EPs e compilações.

Vamos celebrar os vinte anos deste álbum que envelhece muito bem, obrigado. Felizmente, ainda existem bandas preocupadas com o social e que não abaixa a cabeça para o que a classe dominante tenta determinar ao proletariado. Eles têm consciência de classe e não se esqueceram de suas raízes humildes. Por mais bandas como o Ratos de Porão. Estamos no aguardo do novo álbum de estúdio, ainda sem previsão de lançamento.

Homem Inimigo do Homem – Ratos de Porão 

Data de lançamento – maio de 2006

Gravadora – Deckdisc

 

Faixas:

01 – Pedofilia Santa

02 – Covardia de Plantão

03 – Expresso da Escravidão

04 – O Equivocado

05 – Otário Involuntário

06 – H.I.D.H.

07 – Testemunhas do Apocalipse

08 – Ao Pé da Forca 

09 – DNA da Pilantragem

10 – PMs de Satã

11 – Quem te Viu… 

12 – Lucidez

 

Formação:

  • João Gordo – vocal
  • Jão – guitarra/ vocal em “Quem te Viu…
  • Juninho – baixo
  • Boka – bateria

 

Participação especial:

  • Daniel Discarga – vocal em “Otário Involuntário

 

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Memory Remains: The Beatles – 59 anos de “Sgt. Peppers Lonely Hearts Band Club” e o projeto da banda fictícia https://www.headbangersnews.com.br/noticias/memory-remains-the-beatles-59-anos-de-sgt-peppers-lonely-hearts-band-club-e-o-projeto-da-banda-ficticia/ Tue, 26 May 2026 23:22:22 +0000 https://www.headbangersnews.com.br/?post_type=noticias&p=101247 Há 59 anos, em 26 de maio de 1967, o The Beatles lançava “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Band Club“, ou somente Sgt. Pepper’s, ou aportuguesando, Sargento Pimenta, cujo nome batiza um bloco carnavalesco no Rio de Janeiro que desfila tocando músicas da banda em ritmo de samba. O oitavo álbum da banda de Rock mais […]

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Há 59 anos, em 26 de maio de 1967, o The Beatles lançava “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Band Club“, ou somente Sgt. Pepper’s, ou aportuguesando, Sargento Pimenta, cujo nome batiza um bloco carnavalesco no Rio de Janeiro que desfila tocando músicas da banda em ritmo de samba. O oitavo álbum da banda de Rock mais famosa de todos os tempos é tema do nosso Memory Remains desta terça-feira.

O aniversariante tem duas datas de lançamento distintas: a de hoje refere-se ao lançamento em terras britânicas, pela gravadora Parlophone. O lançamento nos Estados Unidos via Capitol ocorreu uma semana depois, em 2 de junho. Escolhemos a data de hoje para celebrar. Esse é o primeiro álbum da banda a ser lançado com a ordem das faixas unificadas, já que cada selo colocava as músicas de maneira diferentes em suas próprias versões.

O álbum foi gravado em meio as tensões que a banda já atravessava. Em 1966, o quarteto já havia decidido a não mais fazer apresentações ao vivo. A turnê de divulgação do álbum anterior, “Revolver” foi bastante caótica, com direito a ameaça de morte aos integrantes da banda, recebida via carta; novas ameaças ao chegar nas Filipinas, pelo fato de eles não terem visitado a primeira dama. E no meio disso, diante do fato do público japonês ser muito comedido, eles perceberam o quanto a performance da banda no palco havia decaído. O leitor achou pouco? Ainda tinha mais, a banda encarou rejeição por parte do público estadunidense e muito disso se deve ao fato de John Lennon ter afirmado que a banda era mais famosa do que Jesus Cristo. A tour pela terra do Tio Sam teve shows com baixo número de presentes. Nenhuma música do álbum recém-lancado foi tocada nos shows, uma vez que a complexidade de reproduzir aqueles sons ao vivo era quase impossível de se realizar. John Lennon falou certa vez sobre aqueles shows. Aspas para ele:

“Era melhor enviar quatro bonecos de cera… e seria o bastante para satisfazer a multidão. Os concertos dos Beatles já não tinham nada a ver com música. Eram apenas malditos ritos tribais.”

Ao regressarem da turnê, eles resolveram dar uma pausa. George Harrisson ameaçou sair da banda, mas foi convencido a ficar sob a promessa de que eles não mais fariam shows ao vivo e ele foi descansar na Índia; Paul McCartney colaborou para a trilha sonora do filme “The Family Way“; Lennon atuou no filme “How I Won the War” e participou de eventos relacionados a arte, onde conheceu sua esposa Yoko Ono, enquanto que Ringo Starr passou mais tempo em casa com sua família.

Em dezembro de 1966, quando voltava de uma viagem para o Quênia, Paul McCartney teve uma ideia do que seria o embrião do conceito do vindouro álbum: era uma música, tocada por uma banda fictícia, uma vez que eles estavam fartos de ser o The Beatles. E em 1967, Paul deu a ideia de fazer um álbum inteiro sob essa banda criada por eles e que lhes daria maior liberdade de experimentos. Parecia louca, mas a ideia deu muito certo. Até o meio do processo de criação do álbum, não existia nem o nome Sgt. Pepper’s, como afirmou Sir. Paul McCartney certa vez:

“Porque não fazemos um álbum como se a banda de Pepper realmente existisse, como se o ‘sargento Pepper’ estivesse gravando? Gravaremos efeitos e tudo mais.” Eu amei a ideia, e, daquele momento em diante, foi como se Pepper tivesse vida própria.”

E “Sgt. Pepper’s” nasceu depois que a banda estadunidense Beach Boys lançou o icônico álbum “Pet Sounds“. E para compôr esse álbum, Brian Wilson, compositor e fundador da banda, se inspirou em um outro álbum do The Beatles, que era “Rubber Soul“. O lançamento do Beach Boys inspirou tanto Paul McCartney que ele quis repetir a expertise que os americanos utilizaram no modo como produziram o álbum. O produtor George Martin chegou a afirmar que “sem Pet Sounds, nunca teria existido Sgt. Pepper’s e que esse álbum foi uma tentativa de se igualar ao álbum lançado pelos americanos”.

Eles utilizaram de dois estúdios durante o período de gravação que foi de 6 de dezembro de 1966 a 21 de abril de 1967: o Abbey Road, claro foi um desses estúdios e o outro foi o Regent Sound Studios, ambos em Londres. Eles dispunham de um orçamento ilimitado, o que proporcionou horas e horas de sessões em ambos os estúdios. Então, no desejo de se conseguir o mesmo resultado que o Beach Boys alcançou com seu já citado álbum, os caras investiram em efeitos de estúdio que reverberassem tudo o que eles gravavam. Porém, a bateria gravada por Ringo Starr foi pouquíssimo utilizada, o que fez com que ele lamentasse e tivesse afirmado de que “a principal memória de que tinha em relação ao álbum era de que havia aprendido a jogar xadrez”. A banda passou 700 horas em estúdio e foi gasto um total de £25.000 para deixar tudo como nós escutamos no álbum hoje.

Musicalmente falando, temos 39 minutos em 13 canções, sendo que a faixa título se repete, no LP ela é registrada em ambos os lados. Trata-se de um disco de Rock com uma infinita gama de influências, que vão desde o pop até o Rock and Roll, passando pelo Blues, Jazz, música circense, música clássica ocidental, música clássica indiana, entre outros. Dentre os vários rótulos que o álbum recebeu, estavam os de Rock Progressivo, Art Rock e Rock Psicodélico. Algumas das músicas mais famosas do álbum com certeza são “Lucy in the Sky With Diamonds“, “With a Little Help From my Friends” e “A Day in the Life“.

Sgt. Pepper’s” está entre os 20 álbuns mais vendidos da história da música. E se a lista for restrita apenas ao Rock, eles sobem a 9ª posição, com mais de 32 milhões de cópias vendidas, 11 milhões somente nos Estados Unidos. Foi certificado com Disco de Ouro no Brasil (quem diria, só o The Beatles para conseguir essa façanha por essas terras), França e Itália; Platina na Alemanha, Duplo Platina na Argentina, Triplo Platina no Reino Unido, 4 vezes Platina na Austrália, 6 vezes Platina na Nova Zelândia e 11 vezes Platina nos Estados Unidos.

Nos charts, entre os anos de 1967 e 1968, foram poucos os países que o álbum ficou listado, porém, a posição foi a mesma: topo na Alemanha, Austrália, Canadá, na “Billboard 200” (onde reinou por quinze semanas consecutivas), Noruega, Reino Unido e Suécia. Em 1987, quase duas décadas após a separação da banda, o álbum retornou às paradas de sucesso, ficando em 2° nos Países Baixos e 3° no Japão e Reino Unido. Novo retorno, desta vez em 2009, quando ficou em 4° em Portugal, 5° no Reino Unido, 8° na Suécia, 9° na Itália e Finlândia, 12° na Nova Zelândia, 16° na Austrália, 20° no Brasil, Dinamarca e Japão, 22° na Bélgica e Espanha e 31° na Noruega. É um álbum que atravessou décadas fazendo sucesso e isso só mostra a importância que ele tem não só para o Rock, mas para a música de uma maneira geral.

Sgt. Pepper’s” é também o álbum número um na lista dos 200 Álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame. É também um dos dez álbuns da banda presentes na lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos, da revista Rolling Stone, além de ser um dos 4 que a banda emplacou no Top 10 da mesma lista. É um álbum que provocou todo esse tufão na música e que por isso merece todo o reconhecimento. Hoje é dia de celebração deste álbum. O The Beatles transformou o Rock no que o conhecemos hoje. O caro leitor pode até não gostar da banda, faz parte, mas se não fosse a existência de Lennon, McCartney, Ringo e Harrisson, nada do que a gente escuta hoje existiria.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Band Club – The Beatles
Data de lançamento – 26/05/1967
Gravadoras – Parlophone/ Capitol

Faixas:
01 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Band Club
02 – With a Little Help From my Friends
03 – Lucy in the Sky With Diamonds
04 – Getting Better
05 – Fixing a Hole
06 – She’s Leaving Home
07 – Being for the Benefit of Mr. Kite!
08 – Within You With Without You
09 – When I Sixty-Four
10 – Lovely Rita
11 – Good Morning Good Morning
12 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Band Club (reprise)
13 – A Day in the Life

Formação:

  • John Lennon – vocal principal, harmonia e vocal de apoio; guitarras solo e rítmica; piano e órgão Hammond; harmônica, loops de fita, efeitos sonoros e pente e papel de seda; palmas, pandeireta e maracas.
  • Paul McCartney – vocal principal, harmonia e vocal de apoio; guitarra solo e contrabaixo; pianos elétrico e acústico, órgãos Lowrey e Hammond; palmas; vocalizações, loops de fita, efeitos sonoros e pente e papel de seda.
  • George Harrison – harmonia e vocal de apoio; guitarras solo e rítmica; sitar; tambura; harmônica e kazoo; palmas e maracas; vocal principal em “Within You Without You”.
  • Ringo Starr – bateria, congas, pandeireta, maracas, palmas e sinos tubulares; vocal principal em “With a Little Help from My Friends”; harmônica em “Being for the Benefit of Mr. Kite!”; acorde final de piano em Mi em “A Day in the Life”.

Participações especiais:

  • Sounds Incorporated – sexteto de saxofones em “Good Morning, Good Morning”.
  • Neil Aspinall – tambura and harmônica.
  • Geoff Emerick – engenharia de som; loops de fita e efeitos sonoros.
  • Mal Evans – contagem, harmônica, alarme de relógio e acorde final de piano em Mi.
  • George Martin – produção e mixagem de áudio; loops e efeitos sonoros; cravo em “Fixing a Hole”, harmônio, órgão Lowrey e glockenspiel em “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, órgão Hammond em “With a Little Help from My Friends”, piano em “Getting Better” e solo de piano em “Lovely Rita”; acorde final de harmônio.
  • Músicos de sessão – quatro trompas francesas em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”: Neill Sanders, James W. Buck, John Burden, Tony Randall arranjadas e conduzidas por Martin e McCartney; seção de cordas e harpa em “She’s Leaving Home”, arranjada por Mike Leander e conduzida por Martin; harmônio, tabla, sitar, dilruba, oito violinos e quatro violoncelos em “Within You, Without You”, arranjados e conduzidos por Harrison e Martin; trio de clarinetes em “When I’m Sixty-Four”:
  • Robert Burns, Henry MacKenzie e Frank Reidy, arranjados e conduzidos por Martin McCartney; saxofones em “Good Morning, Good Morning”, arranjados e conduzidos por Martin e Lennon; e
  • orquestra de quarenta integrantes, incluindo cordas, metais, madeiras e percussão em “A Day in the Life”, arranjada por Martin, Lennon e McCartney e conduzida por Martin e McCartney

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