Entrevistas

Ali Richardson (Bleed From Within): “É sobre reconhecermos o quão longe nós chegamos, mas também ficarmos animados e reconhecermos o quão longe ainda podemos chegar”

Ali Richardson, baterista do Bleed From Within. fala sobre o novo álbum “Shrine” lançado pela Nuclear Blast Records

Divulgação/Nuclear Blast Records

Ali Richardson, baterista do Bleed From Within. fala sobre o novo álbum “Shrine” lançado pela Nuclear Blast Records

Com a promessa de ser um dos álbuns mais bem produzidos do ano, a veterana banda escocesa de metal moderno/deathcore Bleed From Within lançou seu novo álbum “Shrine” pela Nuclear Blast Records.

“Shrine” celebra os 17 anos de estrada muito bem aproveitados e mostra a banda no que até agora é a sua melhor fase. Em uma entrevista ao Headbangers News, o baterista Ali Richardson contou detalhes da produção do álbum, faixas favoritas, e muito mais!

O mais novo álbum, “Shrine” está quase chegando, vamos começar falando sobre isso, me conte a história por trás deste álbum. Quando tudo começou, como foi a produção?

Quando começou? Meu Deus. Bom, começamos a compor “Shrine” logo quando “Fracture” foi lançado, acho que no verão de 2020. Nós sabíamos que iríamos rapidamente para outro álbum porque já tínhamos algumas ideias desde antes do lançamento de “Fracture”, e a banda estava numa fase muito boa pelos últimos anos, desde o lançamento de “Era” em 2018, estávamos com uma química muito boa entre todos da banda, estávamos todos nos sentindo bem e inspirados, então sim, nós sabíamos que iríamos desenvolver rápido um novo álbum. Então começamos no verão de 2020 durante o lockdown, o que obviamente foi um processo meio complicado. E a partir daí começamos a nos encontrar devagar e vimos que algo especial estava surgindo, e que tínhamos alguns desafios a vencer depois de “Fracture”, porque nós estávamos muito orgulhosos daquele álbum, e nós sempre colocamos padrões altos pra nós mesmos. E logo na primeira música que nós compusemos para “Shrine” já ficou claro que iriamos alcançar esse padrão novamente, e isso só nos inspirou mais ainda a continuar seguindo. E foi acontecendo mais ou menos assim, até o começo deste ano, acho que gravamos alguns vocais em janeiro, ficou legal, bem típico do Bleed From Within. E o álbum fomos nós que produzimos, nós sempre fazemos a produção por nossa conta. A mixagem foi feita pelo nosso amigo Adam ‘Nolly’ Getgood, acho que este é o terceiro álbum que fizemos juntos, e ele simplesmente entendeu bem a tarefa dele. Falamos que queríamos alcançar novos padrões de novo e levar tudo para um outro nível, e assim que ele entregou o material pra nós, tudo fez sentido. Nós fomos ao melhor estúdio que pudemos encontrar no Reino Unido para gravar a bateria, o Peter Gabriel Studio no noroeste da Inglaterra, um lugar maravilhoso e com um som incrível na sala de sessões da bateria. Os caras gravaram as guitarras e os vocais em Glasgow na Escócia e enviamos tudo para o Nolly mixar, e quando ouvimos o resultado, logo pensamos “porra, conseguimos!”, todo mundo está muito orgulhoso. E algo a mais sobre esse álbum é que tivemos um cara chamado Jamie Finch cuidando de alguns retoques adicionais na produção, colocando algumas camadas a mais e dando mais profundidade para o álbum. Nós já havíamos trabalhado com isso no passado, mas não neste nível, e isso definitivamente acrescentou muito quanto ao caráter do álbum. E depois tivemos Simon Dobson, ele é um compositor e compôs toda a parte de cordas do álbum, tivemos um quarteto de cordas tocando algumas partes que ele compôs, adicionando elementos totalmente diferentes ao nosso som. Então basicamente essa é a história de “Shrine”, foi um time maravilhoso. E estar agora a apenas uma semana do lançamento é realmente surreal. Na verdade eu tenho uma cópia do CD aqui..*pegando o CD e mostrando*

Sim, eu amei a arte da capa, muito legal…

Sim, foi o nosso baixista David, ele mandou muito bem de novo, acho que é o terceiro álbum que ele assume a capa, e segurar esse CD em minhas mãos é um sentimento muito louco porque estivemos trabalhando nele por mais ou menos dois anos e meio. E é sempre a mesma coisa, quando você pega o produto físico, é sempre tipo…surreal!

Um dos singles do álbum foi “Flesh And Stone”, e ouvi muitas pessoas elogiando essa música, não só pelo videoclipe incrível, mas pelo conceito. Então você pode me explicar um pouco mais sobre essa música?

Essa foi uma das músicas que o Steven escreveu para o álbum, nós levamos ela ao estúdio e começamos a mexer em algumas coisas. Mas no geral, o Steven tem um estilo mais dark de compor e se você colocar na balança, as vezes vai mais para um melódico. E eu amei essa música desde o primeiro momento em que ouvi, tipo..o blast beat no começo. E até então nós não tínhamos uma faixa rápida no álbum, não com esse tipo de agressão, e pensamos “acho que essa terá um bom lugar no álbum”, e como sou baterista, sou fã dessas passagens mais rápidas. Mas quando ouvimos, nos apaixonamos por ela. E quando o Kennedy começou a trabalhar nos vocais, começou a colocar umas coisas diferentes e isso deu uma guinada a mais na música. E depois nos estágios finais quando recebemos as mixagens finalizadas, com todas as cordas, com todas camadas, ficou óbvio pra nós que aquela seria uma das melhores faixas do álbum. Mas ela foi uma das últimas da quais nós decidimos fazer de single do álbum, ficamos entre ela e uma outra, temos faixas como “I am Damnation”, “Stand Down” e “Levitate”, que também são nossas músicas mais sombrias. Algumas destas músicas nós nem lançamos ainda mas estamos bem ansiosos pra saber o que vocês acharam, tem coisas bem legais ali, “Flesh And Stone” é como a cereja do bolo e deixará as pessoas bem animadas, eu acho.

 

E as outras músicas do álbum seguem algum tipo de conceito? Sobre o que as letras estão falando? Ou as letras são livres?

Ah sim, cada música conta uma história, basicamente. Mas “Shrine” no geral meio que conta a história da banda até agora, tudo o que somos como banda há 17 anos. E apenas durante o processo de escrita deste álbum nós conseguimos sentar e perceber que estamos fazendo música a muito tempo..sabe. É sobre reconhecermos o quão longe nós chegamos, mas também ficarmos animados e reconhecermos o quão longe ainda podemos chegar, e o quão longe nós queremos ir com isso. Nós ainda estamos muito animados, famintos e inspirados, não há absolutamente nenhum sinal de algum de nós desanimados ou desacelerando. “Shrine” é basicamente sobre a nossa dedicação ao nosso ofício, todas estas músicas do álbum são partes de nós, nós colocamos muito de nós mesmos, e nos pareceu justo dedicar algo pelo caminho que já fizemos, e pelo qual ainda estamos por fazer.

Super merecido mesmo. E pra você Ali, quais são as principais diferenças entre “Shrine” e os outros álbuns da banda?

Eu acho que ele é apenas melhor (risos). Nós sempre estabelecemos padrões altos pra nós mesmos. Com “Fracture” nós alcançamos as nossas metas e somos muito orgulhosos dele, mas assim que começamos a escrever este novo álbum nós sentimos algo especial e batemos a nossa meta de novo. Bem, você pode fazer esta mesma pergunta pra todo álbum, e nossa resposta meio que será sempre a mesma, que nós continuamos e crescer como pessoas e músicos e a cada vez que finalizamos um álbum, nós nos sentimos realizados com ele. “Shrine” é o nosso melhor álbum até agora, mas o próximo álbum, eu prometo..será melhor. (risos) Evolução, este é o plano!

Já falamos um pouco sobre isso, mas o que esse álbum representa para você e para a banda?

Eu acho que é aquilo que conversamos antes. É um tipo de evolução, de terminar um álbum até o último ponto. É um pouco de cada álbum que já lançamos. Em “Fracture” nós tínhamos muito a mostrar, e estávamos muito irritados com a indústria, com umas coisas que a banda estava passando. “Era” era mais sobre como as coisas estavam acontecendo no mundo e “Fracture” sobre o que estava acontecendo conosco. “Shrine” é mais sobre celebrar a evolução da banda e reconhecer que nós fizemos muito bem sendo um grupo de 5 caras da Escócia, estamos orgulhosos do que alcançamos. Nós reconhecemos o desafio em escrever um álbum, nós reconhecemos o trabalho duro. Sempre respeitando a banda, respeitando um ao outro, e respeitando o nosso próprio tempo, e esperando ansiosos pelo futuro. Acho que “Shrine” é sobre isso.

 

Qual é a música mais especial para você e por quê?

“Flesh And Stone” (risos)

 

É, eu imaginava essa resposta! (risos)

Eu gosto do conteúdo da letra dela, acho que Kennedy estava pensando sobre um planeta morrendo, algo deste tipo. E eu estava conversando com outro cara do Brasil também, agora a pouco, e ele estava falando sobre a atual situação do presidente, sobre o desmatamento da Amazônia, e isso tem um pouco a ver com a música também. A penúltima música “Killing Time” também segue esse tipo de ideia, é uma faixa muito pessoal pra mim e eu amo referências a isso. É uma das faixas que mais estou ansioso em ter as pessoas ouvindo.

Divulgação/Nuclear Blast Records

E quais são os planos da banda para este ano? Tem alguma turnê agendada?

Sim, nós tivemos um verão bem ocupado, até semana passada ou na outra nós estávamos tocando na República Tcheca, tocamos em Praga também. Daqui uma semana estaremos de volta na Polônia e na Europa. E essa será a nossa primeira vez na Europa desde 2019 por causa do Covid, então será maravilhoso voltar lá e nos conectar com o público de novo. Então faremos isso no verão até o final do ano, e honestamente, nós queremos tocar em todos os lugares onde for possível tocar.

Brasil, por favor!!!

Ah este é nosso sonho. Nós sabemos que temos muitos fãs por aí, recebemos muitas mensagens e é um sonho nosso tocar por aí. Então esperamos que com “Shrine” nós possamos dar uma passada pelo Brasil, nós queremos ir pra América do norte e do sul também. Estamos de dedos cruzados esperando por isso!

 

Estamos terminando a entrevista, obrigada pelo seu tempo, Ali. Gostaria de mandar um recado para os fãs aqui no Brasil?

Obrigado pra caralho por todo o apoio desde sempre. O Brasil é um país bem difícil de nós chegarmos, mas sabe.. nós já recebemos mensagem no MySpace desde 2007 ou algo assim, e desde então nós temos essas pessoas mandando mensagens e nos pedindo para ir até aí e visitar o seu país. Nós realmente respeitamos a paciência de todo mundo e apoio que vocês dão para a banda, e mal posso esperar pra tocar aí um dia. Realmente é um sonho.