Entrevistas

Destruction: Schmier conta um pouco mais sobre o álbum ao vivo Born to Thrash

A banda alemã Destruction lançou digitalmente seu segundo registro ao vivo chamado Born to Thrash. Gravado no Festival Party San, na Alemanha, Destruction demonstra seu poder como um quarteto – como em seu primeiro registro ao vivo Live Without a Sense. Com o guitarrista Damir Eskic, Destruction volta a ter um som mais cheio, com leads duplos e com um poder arrasador, como pode ser ouvido na versão digital lançada em 8 de Maio deste ano. O álbum Born to Thrash será lançado fisicamente no dia 17 de Julho no Brasil pela parceira Shinigami Records/Nuclear Blast e contará com um mapa que terá pontuado todos os lugares em que fãs tiveram sua primeira experiência com Destruction ao vivo. Conversamos com Schmier, baixista e líder da banda, para saber mais como foi gravar este registro ao vivo e quais serão os planos da banda assim que a pandemia do COVID-19 tiver passado. Confiram!

Liné Hammett/Nuclear Blast Records

Vocês gravaram este show no festival Party San na Alemanha. Conte-nos um pouco sobre como a decisão de gravar o show foi tomada.

Schmier – É basicamente algo por causa da epidemia do COVID-19. Gravamos este show no ano passado por acidente já que meu amigo Arnie, que também foi meu antigo parceiro de composição, ele tem um estúdio profissional de gravar bandas ao vivo e ele estava neste festival gravando outras bandas. Ele gravou nosso show sem nos informar e depois ele veio atá a gente dizendo que o tinha gravado como surpresa e ele apenas quis um Jack Daniels e uma Coca-Cola em troca. Eu disse ok, é uma boa troca e ele nos deu a gravação do show. A gravação ficou incrível mas não tínhamos nenhum plano de lançar um show e colocamos de volta na gaveta. Nossa turnê para divulgar Born to Perish se iniciou em Março deste ano e logo depois eu comecei as minhas férias. Logo depois o COVID-19 entrou em ação e eu estava no oceano índico e não podia voltar para casa e todos os shows foram cancelados e toda a idéia surgiu. Eu pensei, a gente está fodido, não temos trabalho, estamos sem shows e tivemos a idéia de fazer algo com este show já que todos estão em casa. Demorou um pouco para que eu convencesse a gravadora para que ela lançasse este show, já que ninguém se interessa por gravações de shows ao vivo mais, mas convencemos a gravadora da nossa forma para que a gente lançasse da nossa forma e rapidamente em formato digital e que os fãs pudessem comprar o álbum em seu formato físico em Julho também.

É muito estranho que este seja apenas o segundo álbum ao vivo da banda. Live Without a Sense é um álbum muito bom e é muito bem visto pelos fãs do Destruction aqui no Brasil. O que você lembra da época em que Live Without Sense foi gravado?

Schmier – Ambos álbuns ao vivo são bem diferentes. Live Without Sense é um álbum que possui músicas de toda a turnê. Então tem shows de cidades diferentes e de Países diferentes com quatro integrantes e numa época em que estávamos em nossa melhor formação. Born to Thrash é de um festival apenas e que também demonstra um show em apenas uma gravação de uma formação muito bem estabelecida e completa. O legal deste Born to Thrash é que são 55 min de muito thrash, melhores músicas, sem paradas e que entram uma na outra sem intervalos. É claro que o álbum Live Without Sense é um grande clássico e até hoje é um dos meus álbuns favoritos já que foi uma turnê incrível e que também tivemos oportunidade de tocar abrindo pro Motörhead, então boas lembranças é o que tenho deste álbum. Born to Thrash pode ser visto como um aspecto bem diferente daquilo que o Live Wihout Sense trouxe para os fãs na época. Mas num futuro poderei olhar para trás e direi que este show foi lançado numa época sombria em que uma pandemia assolava o Mundo, então será interessante também por este ponto de vista é um álbum muito especial em nossas carreiras.

Nuclear Blast Records

É muito interessante, no entanto se você junta clássicos da banda com um álbum forte como Born to Perish, não deveria existir qualquer dúvida que um registro destes devesse ser eternizado, não?

Schmier – Sim, sim! Mas é algo que a gravadora decide sabe? Álbuns ao vivo não são mais muito desejados e pouco famosos por causa de fatores como o You Tube por exemplo, sabe? Você pode simplesmente carregar um show da sua banda favorita e pronto. Não há motivo para que você lance algo ao vivo de uma banda. Ninguém se interessa. Este tipo de álbum não vende mais e tivemos muita sorte que a gravadora decidiu lançar isto para nós. Mas foi um grande show e que certamente seria desperdiçado se não o tivessem feito. Mas em circunstâncias normais teríamos mais músicas num álbum assim e certamente teríamos gravações do mundo inteiro. Mas em tempos de pandemia, poder comprar um show ao vivo da banda favorita para apoiar ela numa época difícil como numa pandemia, é algo legal de se ter e é obviamente histórico para nós como banda, que temos algo para fazer e para os fãs, que terão boas memórias deste grande show. Show que não acontecerá tão cedo em muitos lugares do Mundo – o que é um remédio bem amargo de se engolir.

Muito triste que não teremos a oportunidade de ver as três lendas do thrash metal alemão juntas fazendo turnê conjunta na América Latina, algo que muitos fãs estavam esperando demais por aqui e certamente valeria uma gravação. Você acha que uma turnê conjunta com Sodom, Kreator, Tankard e Destruction ainda apode ocorrer, mesmo após o período de pandemia?

Schmier – O Festival em que nós quatro vamos tocar ao vivo ainda não foi cancelado. Então ainda existe uma esperança de que vocês possam ver a gente junto ao vivo no final deste ano. Esperanças ainda não devem ser descartadas. Mas os restos dos shows estão cancelados, não tem muito o que possa ser feito. Todos os promotores da América Latina estão pulando fora por medo de saírem no prejuízo. Mas aqui na Europa as coisas estão ficando um pouco melhores, o lockdown que foi decretado está sendo retirado aos poucos, mas vocês aí da América Latina estão bem no meio da crise, então acho que vai demorar um pouco mais para que as coisas voltem ao normal por aí.

Minha pergunta final é claro é para saber como é novamente poder tocar como uma banda com quatro integrantes?

Schmier – Cara, é muito bom. É claro que demorou um pouco para que nós pudéssemos voltar como um quarteto, mas uma vez juntos foi incrível de bom. Tivemos muita sorte em ter escolhido Damir (NR.: Damir Ezkic, novo guitarrista) como novo membro da banda, já que ele é um ótimo músico e conhece muito bem a o modus operandi do Destruction e você consegue ouvir isto claramente no álbum ao vivo. A banda está mais poderosa e mais compacta do que nunca e estamos muito empolgados em ter duas guitarras que claramente traz mais agressão e um som mais cheio e que também traz leads de solos duplos que fazem muita diferença quando a banda toca ao vivo – então estamos muito ansiosos em mostrar este nosso novo potencial na América Latina. Tivemos sempre uma relação muito especial com os nossos fãs no Brasil e eu tenho certeza de que eles irão adorar nossa nova formação. Certeza de que estaremos por aí no começo do ano que vem quando esta merda de COVID-19 estiver acabado.

Liné Hammett/Nuclear Blast Records