Entrevistas

Hendrik Ruhwinkel (Jack Slamer): “Rock só dá pra ter um bom feedback quando tocado ao vivo, em alto e bom som”

Tobias Gracia/Nuclear Blast

Com aquele gostinho de nostalgia, resgatando o velho e bom rock and roll setentista, com influências de blues, jazz, hard rock, a banda suíça Jack Slamer já está há mais de uma década entregando um som cada vez mais poderoso, envolvente, e com qualidade!
A banda une ao som clássico, as influências modernas da música, sem parecer repetitivo! Prova disso é o seu mais novo álbum de estúdio “Keep Your Love Loud” lançado em novembro de 2020 pela Nuclear Blast Records.
Diante de uma pandemia e com a proibição de shows ao vivo, a banda acaba de lançar também um EP “Live at Hardstudios”, no formato de live session, apresentando alguns sons lançados no álbum anterior!
O guitarrista Marco Hostettler e o baixista Hendrik Ruhwinkel concederam uma entrevista para o Headbangers News, falando sobre os álbuns, influências, e da atual situação mundial!

Como foi a experiência de gravar um álbum na pandemia? Vocês já haviam começado a gravar. Como foi?

Hendrik: Nós tivemos sorte, porque quase finalizamos as gravações do álbum antes do primeiro lockdown, foi tipo, um dia antes do lockdown começar pra valer na nossa cidade, estávamos nas últimas sessões de gravação já. Acho que já nas primeiras sessões começaram a surgir as primeiras notícias sobre o novo vírus, que foi se aproximando cada vez mais, mas não acho que isso realmente afetou o processo de gravação, fomos bem sortudos na verdade.

E de onde surgiu a ideia de lançar alguns sons na versão ao vivo?

Hendrik: Essa foi uma ideia de longo prazo, quando fizemos o nosso especial de 10º aniversário, há 4 anos em um pequeno open air, o nosso baterista queria muito repetir isso, então a ideia sempre esteve lá, e pensamos agora durante o bloqueio, durante a restrição, que era uma coisa lógica a fazer, apenas fazer música, fazer música ao vivo e continuar tocando também.

As letras seguem algum tipo de conceito, ou vocês não se prenderam há isso?

Marco: Eu diria que não, não é realmente um álbum conceitual, acho que o conteúdo das letras pode seguir algumas ideias que tivemos na estrada, mas não é restrito a alguma ordem ou algo assim.

 

Todas as resenhas que li sobre o novo álbum as pessoas estavam bem surpresas com o som de vocês, só ouvi coisas boas sobre ele! Como tem sido a recepção desse novo lançamento para vocês? Tiveram um bom feedback?

Hendrik: Acho meio difícil ter um feedback agora, porque fazemos rock, e música rock só dá pra ter um bom feedback quando tocado ao vivo, em alto e bom som, e isso é algo que não fazemos há um tempo. Fico feliz com as resenhas positivas, mas estamos esperando ansiosos para poder tocar ao vivo para um público de novo e ter esse feedback deles.

Não sei como está a situação do covid aí na Suíça. Os shows ao vivo já voltaram?

Marco: Agora existem algumas melhorias nas restrições, mas é limitada para 15 pessoas dentro dos lugares, e muito espaço entre as pessoas, sempre usando máscaras, não bebendo muito álcool.

Não é a mesma coisa né?

Marco: Não (risos), e as pessoas têm que ir para casa logo após o show, então não é como a gente está acostumado.

E quais as expectativas de vocês para quando os shows ao vivo puderem voltar normalmente?

Hendrik: É como um sonho surreal, tem que acontecer algum dia, mas estamos ansiosos para isso. Não tenho certeza, mas esse sonho de estar no meio de uma multidão, bebendo uma cerveja, com outras bandas tocando, é algo que realmente sentimos falta.

Marco: É algo que estamos esperando muito, mas por outro lado tentamos não esperar que isso aconteça tão cedo, estamos tentando ser espontâneos!

Há muitas bandas novas que estão resgatando o velho som do rock’n’roll. E eu pelo menos vejo muita gente comparando bandas atuais com antigas, dizendo coisas injustas como “Ah, essa banda nova está claramente copiando Led Zeppelin” coisas assim. Vocês já sofreram esse tipo de comentário?

Marco: Sim, muito, mas não nos importamos com o que as pessoas falam, e é horrível fazer uma cópia de alguma coisa, porque nós pensamos que não copiamos uma música, podemos ter nossas influências, não apenas de uma banda em particular ou algo assim, mas nunca copiamos. Então eu acho que é bom as pessoas falarem da gente, se eles gostam, mas o que eles falam eu simplesmente não me importo. (risos)

Hendrik: Se eles tem alguma categoria para colocar nosso som, cabe a eles fazer uma categoria, mas estamos fazendo música do jeito que queríamos fazer música, se alguém pensa que soa como outra banda, então… é sua escolha!!

E quais foram suas influências para compor as músicas? Porque eu senti o álbum bem equilibrado entre o rock’n’roll e o blues.

Hendrik: Obrigado, cada um de nós tem suas próprias influências, e trazemos isso para a parte de composição, temos nossas influências em comum e apenas focamos em fazer boa música, o nosso baterista está estudando jazz, então ele trouxe umas coisas para gente, o Marco também curte muito esses estilos assim, mas todo mundo tem sua parte e influência nas músicas.

Marco: Sim, talvez também possamos dizer que cada um de nós 5 tem partes iguais na composição e, portanto, não é apenas uma pessoa, um cara que faz as sessões, portanto, talvez essa variedade de sonoridades venha daí!

Falando tecnicamente, quais são as diferenças entre este álbum e o primeiro? O que mudou desde o lançamento do primeiro álbum?
Hendrik: Nós crescemos como músicos e como banda, com certeza. Acho que todo o processo com certeza consumiu mais tempo, e o processo de composição nós ganhamos mais tempo do que o primeiro. O fato de que fomos para outro estúdio, também foi uma grande parte do tempo que levamos para gravar cada som, nós levamos duas horas para ter o som de guitarra para apenas uma parte, consumiu bastante tempo, mas definitivamente valeu a pena para mim, e essa foi uma grande diferença para o álbum, que tivemos um som para cada guitarrista, e também os pedais de efeito e todos os novos presets que experimentamos!

Como você definiria o álbum em uma frase?

Hendrik: Ah meu deus (risos), essa é difícil.

Marco: Bem, eu diria “Keep Your Love Loud”! (risos)

Bem, vamos encerrar a entrevista, espero que um dia vocês venham ao Brasil, seria uma honra para nós. Quer mandar uma mensagem para os fãs?

Marco: Continuem ouvindo as músicas que vocês gostam e apoiem a cultura, a música das bandas.

Hendrik: E obrigado Brasil por ouvirem nossa música, sempre recebemos esse feedback do Spotify e é simplesmente incrível ver quantas pessoas no Brasil estão ouvindo nossa música, nos sentimos honrados, e esperamos visitá-los um dia e tocar nossa música para vocês ao vivo!