Entrevistas

Laura Guldemond (Burning Witches): “Apenas faça metal do jeito que você quiser”

Kevin Grab/Nuclear Blast

Lendas, mitologia nórdica, heavy metal e poder feminino, esse é o espírito que a banda suíça Burning Witches vêm emanando a cada álbum lançado, sendo o mais recente “The Witch Of The North”, lançado pela Nuclear Blast Records!
As bruxas vêm crescendo e conquistando cada vez mais público por onde passam, e conquistarão ainda mais graças às turnês internacionais sendo reagendadas!
Recentemente foi anunciada a turnê com o Destruction no começo do próximo ano, e a promessa de uma turnê em solo sul-americano!

A vocalista Laura Guldemond que além de talento, esbanja simpatia e carisma, concedeu uma entrevista exclusiva para o Headbangers News, e falou com mais detalhes sobre o álbum, turnês, e mulheres no metal!

Primeiro, parabéns pelo novo álbum, eu já ouvi ele várias vezes no modo repeat, as músicas estão muito boas, então Laura, como foi para vocês produzirem um álbum no meio de uma pandemia?

Uhul, que bom, muito obrigada! Bom, foi um pouco estranho, foi meio tipo, estávamos meio restritas, então não podíamos nos ver e escrever juntas, gravar. Não foi realmente um problema, mas para mim chegar lá, porque eu precisava sair do meu trabalho, teria que ficar em quarentena. Eu chorei um pouco, mas foi tudo divertido (risos).

E como foi ter um álbum produzido pelo Schmier? Ele trouxe alguma nova influência para o som? Como foi a experiência?

Sim, ele realmente sabe fazer as coisas, porque ele vive nisso, ele é super apaixonado e criativo, porque ele também toca um instrumento e canta no Destruction, então ele é um cara muito legal de se trabalhar, como produtor, basicamente o que ele fez foi ir para o estúdio, para gravar, e às vezes quando ele entrava, ele realmente não ouvia todas as músicas, ele trazia uma espécie de ar fresco para elas, e por causa disso ele podia trazer as músicas ainda mais vivas, e funcionou muito bem.

Quais são as maiores diferenças entre “The Witch Of The North” e “Dance With The Devil”?

Para mim a maior diferença é que realmente escolhemos um tema, neste caso foi a mitologia do norte, que começamos com a bruxa do norte, e nós meio que queríamos essa vibe nórdica e gelada no álbum, mitologia e coisas assim. E sabe, por causa disso parece que é sempre a mesma coisa, mas é super narrativo, parece mesmo o metal old school que tem essas narrativas, que contam uma história nas letras.

Kevin Grab/Nuclear Blast

A situação atual no mundo te inspirou quando você estava escrevendo as letras, ou você gosta de usar a composição para escapar da realidade?

Acho que a última coisa que você disse é mais verdadeira, sim, é quase como um filme, série da netflix ou coisas assim, apenas entramos em uma vibração diferente da nossa vida diária.

Quais são as expectativas para a pós-pandemia? Vocês estão planejando continuar com as turnês que estavam marcadas antes da pandemia?

Provavelmente vamos anunciar nesta semana ou na próxima, não tenho certeza, mas alguns festivais, porque finalmente está meio claro e vai pode acontecer, as pessoas estão realmente se vacinando, e está indo muito bem, então eu acho que em torno de agosto faremos alguns de nossos shows e em outubro temos a turnê Primal Fear que ainda vai acontecer, provavelmente, então esse é o plano, essa turnê continua até o início de 2022, então depois disso esperamos ir para os EUA, e também para a América do Sul, Japão, e é isso!

Vejo as mulheres conquistando muito mais espaço no cenário do rock e do metal, gostaria que você mandasse alguns conselhos para as meninas que querem entrar na música…

O que eu diria a elas? Ah, eu tenho pensado muito sobre isso e eu meio que não quero entrar em política, mas esta é uma questão política de alguma forma. Não sei se outras meninas vão concordar comigo porque é uma resposta política. Eu diria, faça o que fizer, não entre em religião. E a razão disso é porque duas das maiores religiões que estão aqui neste momento são muito patriarcais. Às vezes me pergunto, principalmente quando eu olho dentro da mitologia nórdica, eles não tinham esse tipo de diferença entre garotas e garotos, porque haviam escudeiras, havia Freya, muitas guerreiras, nós éramos mais do que cuidadoras ou “fazedoras de filhos”, nós temos todas as características disponíveis para todos os gêneros. E o cristianismo romano não alcançou tanto quanto os países escandinavos, então estou pensando que isso é uma coisa horrível, religiões, é apenas “oh, por favor, vamos tentar ser seculares”, mas essa é a minha opinião. Eu cresci e eu meio que percebi a verdade aí. As coisas seculares são, quanto mais igualdade entre meninas e meninos, menos besteira vai acontecer como caras trollando na internet, porque isso é o que eu mais noto, para ser sincera. Então, o que eu quero dizer é saia, apenas faça metal do jeito que você quiser, e não dê a mínima para esses comentários!

Não sei se vocês sabem da importância que têm para as outras garotas, eu achei “The Circle Of Five” uma música muito poderosa e inspiradora, então qual é o legado que a Burning Witches quer deixar para o mundo?

Uau, eu acho que para ser honesta, como uma banda eu acho, a primeira coisa é fazer o que você ama, e é muito legal fazer isso com todas as garotas e, claro, heavy metal, apenas faça heavy metal para sempre. Para mim, pessoalmente, seria muito legal se houvesse uma música, ou talvez algumas, e depois de vinte anos as pessoas ouviriam e diriam “uau, isso é um clássico do heavy metal”, seria tão legal!! Mas, em geral, apenas faça o que você ama, divirta-se e faça as melhores músicas que puder!

Mas para mim, essa música “The circle of five” já é um clássico!!

Que legal, vamos ver, vamos nos falar de novo daqui há vinte anos pra ver isso (risos), vamos marcar nas nossas agendas. Sabe, até hoje ainda estamos falando sobre os anos oitenta, sobre as ótimas músicas dos anos oitenta, eu amo Painkiller até hoje!

Essa é uma pergunta que gosto de fazer em toda entrevista, então Laura, se você pudesse definir o álbum em uma frase, qual seria?

Oh Deus, isso é realmente difícil, deixe-me pensar. Vamos ficar com “narrativas épicas, old school e heavy metal”, algo assim.

E agora vocês têm talvez dois álbuns lançados em meio a esse caos, sem a possibilidade de sair em turnê e mostrar ao mundo suas músicas em shows ao vivo, então como está sendo a promoção dos álbuns? Muito incomum, eu acho..

Talvez devêssemos fazer outro também (risos), mas é meio triste porque você quer mostrar para as pessoas ao vivo, e sentimos muita falta das interações ao vivo com os fãs, quando você vê o rosto de alguém, se está feliz, curtindo a energia, isso realmente te motiva para fazer o que você faz. É a parte da festa de ser um músico de heavy metal, eu realmente quero festejar de novo, então essa é a parte difícil.

Bem, encerramos nossa entrevista aqui, gostaria de mandar uma mensagem para os fãs?

Sim, nos acompanhem em nossos facebooks, ainda temos muitas coisas saindo, é claro que as músicas já saíram, mas compre o álbum se vocês gostarem. E fiquen atentos para 2022, provavelmente iremos para a América do Sul, então espero vê-los na estrada, talvez nos ver em um de nossos festivais, sempre há pessoas em todas as partes do mundo lá!!