Entrevistas

Mark Jansen (Epica): ‘Acho que Omega é o melhor (álbum) em todos os sentidos. A palavra-chave foi equilíbrio.’

Tim Tronckoe/Nuclear Blast Records

Nas suas quase duas décadas de atividade, o Epica vem demonstrado através dos seus 8 discos um som diferenciado, com uma atmosfera única e sem nunca ter deixado a desejar.
No dia 26 de fevereiro, “Ωmega” foi lançado pela Nuclear Blast Records, trazendo ao mundo o que já está sendo considerado o melhor álbum da banda, unindo todas as boas referências e pontos altos da banda, e contando praticamente a jornada a perfeição que a banda tem percorrido durante todos esses anos!

Em uma entrevista para o site Headbangers News, o guitarrista e vocalista Mark Jansen contou sobre todo o processo de criação e composição do álbum, da tour pelo Brasil, e muito mais!

Primeiro de tudo, parabéns pelo novo álbum, sei que o ano está apenas começando, mas para mim e para os brasileiros ele já é o melhor álbum do ano! Então falemos do processo de gravação do disco, como foi…a pandemia afetou o plano de vocês?

Mark: Feliz em ouvir isso, obrigado! E sim, felizmente a pandemia começou quando já estávamos bem adiantados no processo, então todo o álbum e letras estavam escritas, já tínhamos gravado basicamente tudo exceto os vocais da Simone e os meus, e os vocais da Simone foram gravados num estúdio perto de onde ela mora, porque ela estava em lockdown na Alemanha. E eu gravei tudo no meu home estúdio porque também estava em lockdown na Itália, então tive que gravar no meu próprio estúdio. E não poderia ter acontecido num momento melhor porque tinha um novo equipamento no estúdio e estavam todos funcionando bem, então eu pude gravar tudo exatamente como eu gosto de gravar.

Como foram as composições das letras? Vocês fizeram todos juntos?

Mark: Eu escrevi as letras juntos com a Simone, foi meio a meio! A maioria escrevemos separados um do outro, mas algumas foram juntos, e gostamos de discutir os tópicos e saber o que cada um está pensando no momento, comparamos as letras para saber que direção estamos indo, se estamos perdendo alguma coisa. Então sim, e uma tarefa que sempre fica dividida entre Simone e eu.

Legal! E sobre o título do álbum, “Omega”, tem alguma coisa a ver com a história da banda? Qual o conceito?

Mark: “Omega” reforça uma teoria que afirma que somos um ponto de unificação. E esse ponto de unificação, também foi o ponto de partida para muitas das letras e porque nós, como humanidade, temos a sensação de estarmos separados uns dos outros e separados da natureza, separados do universo, mas todos os ensinamentos da velha sabedoria nos mostram que estamos realmente conectados e que não há separação, então essa teoria foi o ponto de partida, mas há muitos ensinamentos de sabedoria antiga envolvidos em todas as letras.

Depois de tantos anos de experiência e história, como vocês fazem para serem fiéis ao seu estilo sem soarem repetitivos? De onde vem a inspiração?

Mark: Sempre há um desafio para não repetir, sem se perder da sua essência e antes de tudo, o que sempre tentamos fazer é integrar alguns novos elementos sem perder a essência. Às vezes, também trabalhamos com alguém novo que nos motive e nos atualize, então desta vez, por exemplo, eu conheci um cara do meu outro projeto United Metal Minds e escrevi algumas coisas junto com ele, e ele tem uma maneira completamente diferente de compor. Então isso foi realmente um desafio para eu sair da minha zona de conforto e fazer algo que eu nunca teria feito eu mesmo se eu não tivesse trabalhado junto com ele, e também quando mudamos de produtor há três álbuns atrás, Joost van den Broek trouxe alguma nova inspiração para a mesa. E por último, mas não menos importante, também é sempre uma questão de ter certeza de que as baterias estão recarregadas para que não estejamos cansados ​​quando começarmos a trabalhar em um novo álbum, para que a motivação seja muito alta e para fazer o melhor álbum possível que nós podemos fazer, e todas essas coisas juntas é, eu acho, o que torna possível criar algo que seja revigorante.

Falando sobre técnicas e influências, para você, quais são as diferenças e semelhanças entre o “Omega” e seu último disco?

Mark: Quando eu estava ouvindo o último registro, “The Holographic Principle”, percebi que quando ouço do começo ao fim, é muito para o dia, é muito para processar durante o ano.

Então eu pedi para produzir “Omega” e também discuti com os outros caras da banda para criar uma mixagem onde houvesse mais espaço, para que eles não ficassem o tempo todo soando com força total nos seus ouvidos, mas às vezes dando prioridade às guitarras, às vezes à orquestra, mas não o tempo todo, tudo junto e eu realmente acho que essa é a maior diferença entre o “The Holographic Principle” e o “Omega”. Quando você ouve “Omega” desde o início até o fim, é como uma jornada, você ainda se sente pronto para ouvir mais uma vez. E digo que estou muito feliz com isso porque é exatamente como eu tinha em mente.

A música Kingdom Of Heaven tem um significado muito profundo para vocês e para os fãs. Me conte um pouco sobre a história por trás dessa música…

Mark: A história por trás dessa música é que tive a sensação forte de que a espiritualidade em sua forma mais pura e a ciência em sua forma mais pura, são na verdade a mesma coisa. E neste mundo atual eles estão como opostos. Então o mundo científico sempre diz que a espiritualidade não tem nada a ver, ou eles não podem explicar as coisas, mas na essência são diferentes lados da mesma moeda, e em Kingdom Of Heaven nós tentamos trazer ciência e espiritualidade juntas. E também rouba um pouco do tema de experiências de quase morte, por exemplo, e é também por causa desse tópico que a parte três de Kingdom Of Heaven é dedicada à minha avó que faleceu no ano passado e à avó de Isaac que faleceu na mesma semana, e ambos temos trabalhado muito nesta música. Então, quando aconteceu de ambas faleceram na mesma semana, foi para nós um momento muito difícil, mas também ao mesmo tempo um belo momento para podermos dedicar essa música para ser cantada para uma pessoa importante em nossas vidas. Então é por isso que ela é uma música muito especial para nós dois.

Se você pudesse definir o álbum com apenas uma frase, qual seria?

Mark: É sempre difícil, mas vamos tentar (risos). Acho que “Omega” é o melhor em todos os sentidos. A palavra-chave foi equilíbrio. Sei que foi uma frase curta, mas o equilíbrio das músicas, do som, e entre os membros da banda. Tudo estava equilibrado (risos).

Foi curta mas foi o suficiente (risos). E como estão suas expectativas de voltar aos shows ao vivo? Vejo que você tem um tour aqui no Brasil, certo?

Mark: Sim, continuamos planejando coisas, embora talvez as chances não sejam grandes de que as coisas já sejam possíveis neste ano, porque agora eles começaram a cancelar alguns festivais de verão na Europa onde também já temos tours marcadas. Portanto, é um momento difícil para as bandas. Mas continuamos tentando e não desistimos, e assim que for possível, que conseguirmos a permissão para tocar os shows, estaremos prontos. Portanto, é uma questão que está além do nosso controle. Temos que esperar e, obviamente, é um período devastador não apenas para a banda, mas também para as pessoas em geral, pessoas perdendo outras pessoas, então é um período muito difícil e mais cedo ou mais tarde vamos superar isso e construir algo mais incrível. Acho que desde que encontremos um caminho de volta para vivermos em harmonia com a natureza novamente, porque acho que para mim essa é a chave para o futuro.

Ainda falando sobre o Brasil, vocês abriram uma loja oficial do Epica aqui em São Paulo uns dias atrás. Como foi isso?

Mark: Sim, é ótimo porque já visitamos uma vez aquele lugar onde fica a loja. Há tantas lojas de metal lá e, sim, ter adicionado uma loja nossa é um sentimento muito bom nisso. Ainda mais agora neste tempo que temos este lançamento para que as pessoas possam facilmente colocar as mãos no merch do álbum e especialmente agora que não temos shows, estamos ainda mais gratos às pessoas que compram os merchans porque para nós agora é a única maneira de continuar vivendo ainda da música e então sim, muito grato a todos que estão nos ajudando dessa forma.

Bom, estamos acabando a entrevista. Gostaria de dizer mais algum, talvez um recado para os fãs brasileiros?

Mark: Gostaria de dizer em primeiro lugar a todos os nossos fãs. Espero que todos continuem saudáveis ​​e também as famílias de todos, porque a saúde e família são as coisas mais importantes da vida, todo o resto vem depois disso. Então, eu desejo que todos se ajudem e espero que tudo fique melhor logo e que poderemos fazer os shows num futuro próximo, espero que no final do ano, mas mesmo que seja muito cedo, vamos adiá-los para que seja possível de qualquer maneira. Iremos assim que possível. Obrigado.